o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Amor não precisa de proximidade. Ele é presença

A presença é algo que está na nossa mente. A pessoa que está próxima em presença parece não sair da nossa mente. A gente lava a louça e, pimba, ela está lá. A gente limpa o chão e pimba, ela está lá. Parece que ela não sai de nossa mente. Por um motivo muito simples, a gente ama.


Quando a gente se apaixona ou ama, normamente quer manter a pessoa amada próxima o tempo todo. Ou quase próxima. Ou quase o tempo todo. Não há nenhum problema nisso.

long-distance-relationship-korean-couple-photo-collage-half-shiniart-e.jpgMas a gente sabe que a proximidade não nasce da menor distância. Nasce da presença. A pessoa próxima fisicamente pode estar distante em presença, e vice-versa. O apaixonado pensa, contudo, que se estiver próximo fisicamente muito provavelmente estará mais próximo em presença. O que, claro, é totalmente falso.

A presença é algo que está na nossa mente. A pessoa que está próxima em presença parece não sair da nossa mente. A gente lava a louça e, pimba, ela está lá. A gente limpa o chão e pimba, ela está lá. Parece que ela não sai de nossa mente. Por um motivo muito simples, a gente ama.

É bastante difícil distinguir, porém, quando a pessoa está na nossa mente porque a gente a ama, de quando a pessoa está na mente porque a gente está com fixação, ou mania de posse, ou com medo de perdê-la. Diria que na maioria dos casos a gente está mesmo fixado, com vontade de posse e medo de perder. E não necessariamente de perder o ser amado. Mas de perder. É um problema tipicamente humano esse, confundir o amor com a posse, e com o orgulho de perder alguma "coisa" para outra pessoa.

Quando eu me apaixonei, eu quis estar sempre perto da pessoa que eu dizia amar. Mas meu motivo não era amor. Era ver a pessoa, sentir a pessoa, estar perto dela, compartilhar de seu ser. Sugar.

Quando amei, eu queria estar ao lado dessa pessoa. Queria compartilhar os momentos com ela. Queria vê-la, claro, estar perto dela, senti-la. Mas se eu não estivesse com ela, confesso, eu ainda assim continuava amando-a como se ela estivesse comigo.

Isso ocorreu, preciso admitir, muito recentemente. E foi muito tranquilo, calmo, até. Não precisei correr atrás do interfone para matar a minha saudade de sua voz. Não precisei esperar horas sem conta esperando ela ligar. Não precisei sequer pensar nela, de forma forçada, para motivar algo no universo a fazer com que ela falasse comigo. Simplesmente aconteceu. E quando a gente conversou foi como se, tendo se passado quase duas semanas, não tivéssemos estado distantes um do outro. Foi estranho. Estávamos juntos.

De vez em quando, claro, me dá uma carência. Quero saber como ela está (minto, quero saber com quem ela fala), quero saber se está bem (minto, quero saber se está bem sem mim), quero saber se conseguiu resolver seus problemas (minto, quero saber quais são esses problemas). Quando isso acontece, é melhor esquecer. Ir para casa, tomar um banho e dormir. Isso é carência. Posse. Medo da perda.

Ou seja, não é amor.

O amor persiste com ou sem a proximidade. Mas morre sem a presença. E a presença é conquistada dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, a todo segundo. A presença é algo que faz com que estejamos lá, aqui. E aqui, lá.

Pois:

Em termos de amor, a única energia é a da vontade interna, até da distância, do sossego ou mesmo do fim.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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