o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

As mulheres de Thomas Saliot

Saliot parece se esforçar em captar momentos com mulheres, meninas, amigas, ou amantes, que só deveriam dizer respeito especificamente a ele. E ao pintar ele nos entrega esses momentos exatos. E parecemos nos ver às voltas com amigas NOSSAS, com amantes NOSSAS, com mulheres que NOS dizem respeito - mais até do que a ele...


Byy4FCWIUAActLH.jpgToda arte, para mim, parece ser uma forma de fixação. E, de certa forma, tenho preferência por artistas que expressam claramente esse tipo de postura - a fixação. Principalmente em pinturas. Francis Bacon é um exemplo. Lucien Freud, outro. E tradicionais como Velázquez, outro. Thomas Saliot é um pintor figurativista que vive entre Paris e Marrakech. Deve ser parisiense. No seu site (http://www.thomassaliot.com/), diz que teve uma galeria própria em Paris de 90 a 2000, e quase só isso.

Saliot pinta mulheres. Sempre mulheres jovens e bonitas. Muitas vezes, sinto que ele pinta somente UMA mulher. Saliot também pinta homens (poucos). E alguns temas. Mas seu portifolio principal é de mulheres.

012-sexy-paintings-thomas-saliot.jpg

Ele diz (ou parece dizer) que pinta a partir de fotos. Ok. Diz até que gostaria de ser informado dos créditos das fotos, para ele poder fazer o devido. Mas eu não sinto isso. Sinto, ao contrário, que Saliot pinta a partir de referências próprias, de pessoas que conhece ou conheceu, e que pinta com a fixação de tornar essas referências eternas. É o que sinto.

saliot.jpg

Há quem pinte, por influência do realismo, telas hiperrealistas. São de pintores que me afetam apenas suavemente. Telas que parecem ofender a existência, ao se tornarem mais reais do que o próprio real. Telas de mulheres com bolhas de sabão enquanto tomam banho. De casais ao redor de carros que viraram relíquias, em paisagens reais que parecem assumir um peso ainda maior quando pintadas.

Saliot parece beber da mesma fonte. Mas não sinto isso. Saliot parece se esforçar em captar momentos com mulheres, meninas, amigas, ou amantes, que só deveriam dizer respeito especificamente a ele. E ao pintar ele nos entrega esses momentos exatos. E parecemos nos ver às voltas com amigas NOSSAS, com amantes NOSSAS, com mulheres que NOS dizem respeito - mais até do que a ele. Surge uma espécie de ciúme, inclusive. Ela é minha, Saliot.

Bath.jpg

Quem ama, sempre guarda momentos. Bons e ruins. Inesquecíveis e memoravelmente medíocres. Quem ama, guarda, e leva consigo. Quem não ama, parece viver na superfície. Não guarda. Tudo parece avançar, e nada ficar. Saliot, percebe-se, ama muito. Pode até guardar para si e não reter tanto amor. Mas ele ama, dá para notar.

bamby-2000x2025.jpg

Curioso como a maioria das mulheres de Saliot parecem apenas uma, só uma. Que por um lado parece com uma minha, que retive e que aprendi a curtir em suas idiossincrasias e manias. Mas que também pareço perder aos poucos, e a não me dar conta de que assim sendo eu também vou junto. Porque quando esquecemos deixamos ir.

IMGP2417.jpg

Mas Saliot recusa-se a esquecer. Guarda consigo, e reproduz nas telas os sorrisos, as baforadas de cigarro, as brincadeiras de blowjog, as olhadelas de esguelha, tudo o que aos poucos forma um perfil de pessoa que nos conquista, em certo momento, por inteiro, conquista essa que, contudo, não podemos revelar impávidos - sob o risco de perdê-la. Porque quando caímos de quatro é isso que fazemos: perdemos. O amor está numa contenção. Sempre. Ama mais quem resiste a se entregar - enquanto se entrega. Uma espécie de luta.

IMGP4474.jpg

As mulheres-meninas de Saliot usam roupas simples, ou não, mas sempre de forma elegante. Têm entre 20 e 35 anos, e estão quase sempre à vontade.

images-1.jpg

Quando não estão, parecem chorar na nossa frente, para nos mostrar como se expressam à vontade conosco - que podemos ver seus momentos de fraqueza. E muitas estão de costas, para nós e para todos, vendo o mundo e flaneando para valer. Porque são livres.

thomas_saliot_11.jpg

As mulheres de Saliot são sempre livres, e quando sofrem o fazem porque pagam o preço de suas liberdades. Pois quando choram parecem estar sofrendo por nós ou por elas, mas sempre absolutamente conscientes de que o fazem com a cara e a coragem.

night_bikini_by_thomassaliot-d3e01qe.jpg

Todas parecem mulheres de peito, e todas parecem não ligar para os efeitos sequer de seus choros.

IMGP4093.jpg

As mulheres de Saliot vivem, e parecem convidar-nos a isso. Nos seduzem mas ficam presas à tela e nos preenchem nos sonhos que delas fazemos quando as conhecemos pessoalmente.

thomas-saliot-04.jpg

Bonus: vejam Saliot pintando.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/artes e ideias// @obvious, @obvioushp //Contreraman