o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Bebida? Sexo? Drogas? Livros de autoajuda? Religião?

Não sou contra nem a favor de livros de autoajuda por um motivo muito simples: houve uma época em que eu os li e sentia que precisava deles. Mas, hoje sei, era óbvio que eu não precisava. O que eu precisava era de conversa, amizades sinceras, ou mesmo mais ou menos sinceras, em suma, viver.


Presentes-de-peixe-peixe-oceano-ventos-alívio-amor-com-uma-tigela-de-frutas-salada-de-prato.jpgMas, sem isso em mãos, em comprava os livros de autoajuda. Fiz isso até bem recentemente (alguns anos), e claro, me arrependi. Mas, para quem não tem nada, bem, isso dá às vezes um certo alívio. Outros buscam alívio nas religiões - o que para mim, em certos casos, é até pior. Outros buscam alívio na bebida - e alguns mais fracos (apenas aparentemente) se perdem nela. Outros, no sexo. Outros, em comportamentos desviantes. Outros, na droga.

Os livros de autoajuda, quando funcionam, creio eu (se é que existe isso de um livro "funcionar"), reanimam. Quando não funcionam, é porque de alguma forma não "convenceram" o incauto do que eles dizem. Isso se aplica também às religiões. E, no caso dos alívios por bebida, sexo e droga, é quando não parecem mais fazer efeito. Conheço casos (se bem que de longe) em que, em busca de fazerem algum efeito, as pessoas se viram no meio da noite, machucadas e perdidas, ou em camas alheias sem saber o que faziam por lá, ou no meio da cracolândia, em busca de mais uma "dose" de uma droga qualquer.

O meu pai se perdeu na bebida - pelos motivos dele, que eram só dele. Eu não me perdi por alguma razão qualquer - talvez por manter um certo sangue-frio em toda situação mais complicada. Mas fiquei doente, e só me recupero recentemente, com o apoio de amigos, amigas e familiares. Os livros de autoajuda, preciso admitir, não serviram para quase nada, e servem de lembrança para quem acha que existe uma "cura milagrosa" para males que estão em nós, e que não irão sair de nós. Não existe.

Acontece que essa chamada pseudoliteratura vende, polui e engana. E nisso não há como admitir sua porca ajuda a um "sistema" que só faz com que as pessoas se afastem, se enganem e se autoenganem. A autoajuda é um autoengano, claro, porque qualquer um que leia um pouco (disse um pouco) percebe que ela só faz uso de lugares comuns, frase mal ajambradas apoiadas em nada de muito valor, e dogmas retirados de livros que fizeram a cabeça da chamada civilização para torná-la nisto que vemos - um jogo de poder incrível, em que as pessoas são jogadas sem esperança quando sofrem um revés qualquer.

Por outro lado, esses livros era o único com que, em determinado momento da vida, eu podia contar. E, embora depois tenham se tornado algo mais - digamos - "elegante" (livros de psicologia com aquela mesma pegada de autoajuda), eu de alguma forma fiz uso deles, e até certo ponto me ajudaram. Como, para alguns, são as religiões, e para outros, a bebida, o sexo ou as drogas. Hoje, sinto-me poder dispensá-los a todos. Leio alguns livros sobre religião muito desconfiado, bebo apenas a dose certa para me sentir algo melhor, faço sexo na medida em que me sinta satisfeito e tranquilizado, e não uso drogas. Mas amo muito, porque, se há algo que me convenceu de ser ser humano, foi por meio do amor. Amando, simplesmente. Sem com isso, contudo, me sentir também assoberbado com a atitude. A gente pode se drogar, simplesmente amando. Creio que muitos santos eram isso: drogados de amor.

Mas o que realmente me surpreende nessa espécie de joguinho por alívio é, no caso de post de autoajuda, a barafunda de bobagens, asneiras mesmo, que as pessoas comentam, no facebook no caso, a partir de mensagens de autoajuda. É uma série tão enorme de estultices, e de dezenas, às vezes de centenas, de pessoas que as curtem, que eu não consigo realmente mais acreditar, ao lê-las, que exista gente mais ou menos racional, mais ou menos compreensiva, nesta Terra. Por outro lado, essas pessoas nos rodeiam, conversam com a gente, e às vezes até se envolvem com a gente. É de dar dó. Enquanto isso, as pessoas transam, montam famílias, e - como o sistema é podre - mesmo quando não querem isso terminam reproduzindo em seus filhos e filhas a miséria do ser humano. Como dizia Machado de Assis, que não teve filhos com Carolina, a mulher de sua vida.

Enquanto isso, eu escrevo, e escrevo também como uma forma de alívio. E escrevo - pasmo fico eu - textos que poderiam ser classificados como autoajuda. Porque hoje noto que quando a gente escreve algo desse tipo é para aliviar apenas a si próprio. Nada mais. Mas, embora não me arrependa, percebo que o alívio mesmo a esta situação vem quando conversamos com nossos amigos - quando conseguimos mantê-los, é claro - e quando refletimos calmamente sobre o que nos acontece. Alguns dizem que para isso realmente acontecer é preciso Deus. Não sei. Sei apenas que ontem aconteceu em mim um desses momentos. E que foi rápido, levou uns 10 minutos, apenas, e foi determinante para saber como poderia a partir de então me conduzir (pelo menos, no que dizia respeito àquele problema em que eu pensava).

Em geral, não deve ser necessário mais do que isso. Dar um tempo, respirar fundo e enxergar. Se antes eu tentava tanto e não conseguia, talvez fosse por não ter realmente paz para cultivar o amor. Ontem, tive e consegui. Se isso é Deus, então que assim seja.


Contreraman

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