o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Cuide-se

A onda do politicamente correto esconde, em meio a toda uma grande trupe que se opõe a ela, milhares de homens e mulheres que, com amigos ou sem, com amor ou não, não se cuidam. Gente que vai até o limite e volta, e acha que consegue suportar ainda mais.


0501-letter-to-mystc-0067.jpgQuando comecei a me envolver com teatro (poderia ser qualquer outra arte, claro), aprendi a conhecer muita gente. Artistas, boêmios, escritores, pintores e toda uma grande multidão de supostos desajustados que apostam naquilo que não há de previsível: o sentimento, a sensação, a ilação, a flaunerie, a arte.

Que não se engane o desavisado: essas pessoas apenas parecem como as outras. São pessoas que gostam de nadar contra a corrente, apostar no indizível, tentar sentir a racionalidade mantendo um alto grau de álcool no sangue, provocar o que não vêem e tentar escapar ilesas. A arte, todos nós sabemos, transcorre no campo do instável. E muitos desses sujeitos e garotas ou mulheres tentam ir além: transmutando a incerteza da arte na inescapabilidade da vida.

É lúdico e bastante atraente, isso. Artistas não costumam falar tão a sério quanto as outras pessoas. Não que não sejam sérios: eles o são. Mas não assumem ares sérios ao falarem de coisas que lhes dizem respeito. Trocam mais do que discursam; ouvem - no sentido mais profundo - mais do que falam; apostam mais do que ganham.

Mas quando suas posturas se traduzem em suas vidas algo estranho muitas vezes parece acontecer. Exageram. Bebem mais do que podem. Provocam mais do que devem. Ingerem substâncias que podem realmente causar-lhes muito mal. Apostam no inusitado, esperando o que eles não imaginam. E nesse sentido muitas vezes caem por terra. Perdem a compostura, a racionalidade ou mesmo o sentido da vida. Muitas vezes perdem e recuperam-se, claro.

São gente que parece supor uma certa imortalidade. Gente que diz acreditar no inviável, porque para ela é lá que está a verdade.

Quando vejo essas pessoas, sabendo de sua trajetória, tento adivinhar como se sentem ou como avançam em seus afãs quase cegos. E algumas vezes noto que elas preferem apostar em suas sensibilidades a cuidarem da saúde, da família, dos amigos ou mesmo de sua própria sobrevivência. Entram então em turbilhões que vez ou outra as levam (morrem ou ficam doentes, voltando alguns meses depois). É nesse momento que eu lhes digo, quando me sinto com autoridade para tal: cuide-se (sabendo que é inútil).

É assim que muitas vezes vemos gente indo e vindo, próxima ou nem tanto, caindo pelas tabelas, e cujas trajetórias nós, mortais aparentemente mais conscientes, podemos ou não adivinhar. Não resta muito, a quem vê, se não observar, ou quem sabe cavoucar, aqui e acolá, um espacinho em suas almas para dizer-lhes, com certo carinho: cuide-se.

É inútil, sabemos. Mas é assim que o amor entre desconhecidos pode se apresentar. E é bonito.

(A SPS e LB-RLBL)


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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