o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Desculpa aê (olha nos meus olhos, é para valer)

Quando a gente é amigo de alguém, assume uma certa independência em relação a essa pessoa. Essa independência faz com que certas coisas, mesmo vividas em conjunto, tenham uma leveza características. Os pedidos de desculpa são leves, do tipo "foi mal". Com amor, não. Nunca.


celinedionsorryforlove.12887.bt.jpgQuando a gente se relaciona com alguém (refiro-me a qualquer tipo de amizade), passa a assumir confiança de alguma ordem e portanto a se comprometer, de alguma forma, com os próprios atos. Mas, assim como existe uma forma de envolvimento sincero em qualquer relação, existem incontáveis formas de driblar isso, por meio de brincadeiras, ironias, trapaças e até mesmo traições. Nesse sentido, quando a gente pede desculpas por alguma coisa a uma pessoa relativamente próxima, pode também estar meio que traindo sua confiança e até mesmo enganando-a.

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Numa relação de amor, contudo, tudo assume um peso um pouco maior apenas, ou até bem maior. Qualquer relação de amor cria uma conexão mais próxima conosco, e quando as desculpas são necessárias, é muito mais que está em jogo.

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Não se pede desculpas a toda hora, por exemplo. Se assim fosse, não há por que existir relação. Pois se a pessoa se mete tantas vezes em encrenca, e precisa se desculpar, na melhor das hipóteses ambos os envolvidos não se conhecem o suficiente. Mais: quem precisa se desculpar a toda hora mostra claramente que, por errar tanto, não conhece a pessoa com quem está se relacionando.

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Mas as distinções entre pedir desculpas como amigo e como mais que apenas um amigo vão muito além.

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Quando a gente é amigo de alguém, assume uma certa independência em relação a essa pessoa. Essa independência faz com que certas coisas, mesmo vividas em conjunto, tenham uma leveza características. Os pedidos de desculpa são leves, do tipo "foi mal".

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Mas no caso de uma relação de amor, os pedidos de desculpa, além de precisarem ser necessariamente raros, precisam ser profundos. Não se referem a qualquer coisa. Requerem um efetivo trabalho de mudança interna ou ao menos de questionamento interno. Exigem uma introspecção que às vezes custa engrenar. São motivo de contato com Deus, eu quase gostaria de dizer. Pois dizem respeito a toda uma trajetória, a todo um histórico de aproximações que não pode ser tratado com displicência. Isso, nunca.

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Recentemente, desci no jardim do prédio em que moro e refleti. De repente, após alguns minutos (mas diferenciados, não como os de sempre), percebi toda a trajetória do relacionamento que mantive com uma pessoa muito querida. E percebi também, nessa reflexão, o quanto de verdadeiro havia ocorrido em nossos contatos, em nossas discussões, em nossas aproximações e afastamentos, e até consegui ver o cerne do argumento de uma outra amiga, que me disse, embora meio que chutando, que eu não estava pronto para uma relação. Quase dei-lhe razão, naquele momento, e quase chorei. E percebi o grau de verdade que exige um relacionamento para valer. Entendi finalmente o lado dela, de seus esforços, de suas teimosias, de suas leviandades, e percebi que eu precisava ainda crescer bastante para poder me motivar a continuar na lide daquele jeito. Não podia mais continuar assim.

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Não à toa, quando duas pessoas realmente se relacionam, as distâncias tornam-se menores. As pessoas passam mais tempo sem se ver. As pessoas silenciam bastante, e não se invadem mutuamente a toda hora. As pessoas se procuram de várias formas, mas sempre de leve, e pensam bastante antes de se rever. Porque todo encontro é mais importante. Porque toda aproximação, mais relevante. E todo afastamento quase nem ocorre. Claro, elas querem no fundo se ver o tempo todo. Mas sabem que não devem. Porque se surgirem, inadvertidamente ou não, sintomas de recusa de um lado ou de outro podem jogar tudo a perder. É como a borboleta a pousar em uma flor, com cuidado, bastante cuidado, quase medo. É bonito, claro, mas também bastante "doloroso" (pois não é bem dor, é uma aflição, um tipo de aflição).

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Também por causa disso, quando as pessoas se reencontram se procuram mais, se reconhecem mais, se olham com maior profundidade, com maior atenção, e por isso também se aproximam mais. Ver-se a toda hora para quem passou por poucas e boas é pedir demais do sentimento, daquilo de que se nutre a alma. A alma, em geral, precisa de calma e atenção, de desapego e de suave apego, de contrição e cuidado, pois a alma no fundo é frágil, e pode-se quebrar a movimentos mais bruscos, e nisso - acreditem - não estou fazendo uso apenas de figuras de linguagem. É real.

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Qual o peso para uma alma machucada ouvir um pedido de desculpas chocho, ridículo, por parte de quem ela realmente gosta, a quem realmente cedeu liberdades, com quem passou por ótimos momentos, mas também por situações talvez embaraçosas ou até mesmo chocantes, destruidoras da paz necessária para viver em conluio de almas (nesta acho que exagerei rs)? É muito triste saber-se mal tratado por quem tanto gosta da gente mas não sabe dar o devido valor ao tempo, à reclusão, ao silêncio e à calmaria necessária para tocar realmente a vida. É bastante triste, mesmo.

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Assim, quando duas pessoas que se amam precisam passar por esse momento constrangedor que é pedir desculpas, passam também por momentos de peso, em que questões profundas são deixadas para trás, e em que as "culpas" que promovem o pedido de "des"culpas são tratadas com o devido primor e cuidado. É um momento singelo, aquele. Um momento em que os olhares se tocam, e retornamos ao título deste post:

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Desculpa aê (olha nos meus olhos, é para valer)

Pois (sendo chato):

Dado que o pedido de desculpas não retira a culpa, dado que ele também não garante que não irá novamente se repetir, dado também que supõe a confiança (nisso, de que não irá se repetir) de quem sofreu o ato, e dado que ele não supõe justificativas de qualquer ordem, ele no fundo é (ou deveria ser) um ato (suave, quase imperceptível) de amor. Até porque, se não for, será inútil para um e para outro.

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Bonus: Bieber e Dion.


Contreraman

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