o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Lugares que eu visitei: Quito e Otavalo, Equador

Os lugares que visitei e de que me lembro, por terem deixado marcas indeléveis em minha alma, são em geral lugares aparentemente comuns, em que já existem espaços especiais para os turistas e que respondem, regra geral, às mesmas lógicas de cidades metrópole tradicionais. Quito foi um desses lugares. Otavalo, outro.


vistacotopaxiquito.jpgMas os motivos para eu me lembrar tão carinhosamente da capital do Equador - aquele país em que você pode passar do clima marítimo ao de Cordilheira em apenas 400 km, variando outros, é claro - não dizem respeito ao clima, à paisagem, ao tratamento pelos comerciantes, a algo que eu tenha comprado ou a momentos especiais durante a viagem.

Um desses motivos foi ter visto, no dia das crianças, uma banda militar passando no meio da avenida principal da cidade, liderada por elas, as crianças, no meio de um dia útil. No começo, eu não imaginava que isso estivesse acontecendo. Mas quando vi aqueles militares troncudos carregando os metais pesados da banda e os menininhos e menininhas guiando a todos, eu não resisti. Parei quieto no meio da rua e chorei, baixinho.

Outro desses motivos foi ter me deparado com senhoras pequenas, quase ínfimas, de chapéu côco, com suas crianças ou sem elas, tentando achar algum lugar na cidade crua para seus costumes ou para conseguirem vender algum produto e com isso sobreviverem. O Equador tinha vivido naqueles anos um dos maiores êxodos rurais da história do país, por causa da ausência de oportunidade para a população indígena do interior da nação.

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Outro motivo ainda foi, ao visitar Otavalo, ter ficado "amigo" de um vendedor de charangos - o José Panamá, que tem uma loja na praça principal da cidade, onde ocorre a maior feira indígena do continente - e de ele ter acreditado em mim, e vindo ao Brasil com uma banda para vender seus instrumentos. Sei que ele fez vários shows em Mauá e outras cidades e que divulgou sua arte por aqui, antes de voltar à sua terra natal.

Mas o maior motivo pelo qual não me esqueço de Quito, de Otavalo e do Equador é que lá ficamos, minha ex-esposa e eu, amigos de uma menina, que trabalhava no hotel, e que nos mostrou, com muito orgulho, as condições absurdas (péssimas) de vida da família, onde sua mãe fabricava, num tear de madeira extremamente rústico, roupas que a família vendia, por meio de atravessadores, na feira indígena da cidade.

Tentaram me enganar com dólares falsos (não aquela família, outros comerciantes). Não fomos - nem queríamos ser - guiados em nosso afã de conhecimento. Não comemos lá muito bem, nem conseguimos conhecer com a profundidade requerida a cultura local. Comprei vários livros em algumas das livrarias mais legais que conheci em toda minha vida. Mas não foi isso que ficou.

Ficou a singeleza de um país pequeno, frágil, problemático mas nada estranho que permitiu-me acreditar na possibilidade de uma vida simples, calma, avançada e ao mesmo tempo respeitosa ao ser humano e à natureza (o Equador é o lugar em todo o mundo onde podem ser encontradas juntas mais espécies de aves).

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Foi inesquecível.


Contreraman

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