o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Ninguém ama mais do que aquele que ama mais e sempre a si mesmo

Quem se ama, não precisa do outro para viver. Gosta de viver com o outro, mas sabe o seu lugar.


love it.jpgO amor romântico é um sentimento que a gente dedica para fora, para alguém. Mas é uma contradição quando a pessoa ama tanto alguém que deixa de amar a si mesma. Isso eu diria que não é bem amor. Pode ser carência, fixação, vontade de amar, mas não é necessariamente amor. Porque quem ama mesmo ama primeiro a si mesmo. E é no fundo esse amor por si mesmo o que em grande parte atrai a outra pessoa a ela.

Diria, para ilustrar, que o amor por si mesmo não promove a posse ou controle sobre o outro. Quem se ama, não precisa do outro para viver. Gosta de viver com o outro, mas sabe o seu lugar. E não considera que o outro precisa estar a toda hora à sua disposição para que ele próprio se sinta bem. Esse tipo de amor possessivo demonstra um profundo problema interno em quem diz amar, e a outra pessoa, que pode também amar o/a parceiro/a, tende a recusar esse tipo de possessão - e com isso o relacionamento já sai perdendo.

Mas este post é ainda mais específico. Não digo, aqui, que quem ama de verdade ama primeiro a si mesmo. Digo, ainda mais especificamente, que quem ama a si mesmo ama mais do que os outros. E por que isso?

Creio que isso aconteça porque quem ama a si mesmo já tem em si resolvidos os problemas de autoestima que atingem grande parte das pessoas. E por isso, quando ama alguém, o faz pelo simples motivo de que ela não PRECISA da outra pessoa, mas a ama pelos seus próprios valores, qualidades ou características. Ou seja, ama realmente a pessoa como ela é, e por isso não confunde seu sentimento com uma carência qualquer, ou uma necessidade por tal pessoa.

Mas como assim "ama mais"? Afinal de contas, seria possível "comparar" o amor que uma pessoa carente (por exemplo) sente pelo seu companheiro, e todos as atitudes que comete em seu amor, com o amor de uma pessoa não tão carente (ou em nada carente) que ama outra pessoa por aquilo que ela é? Sim, é possível. Por um motivo muito simples. A primeira pessoa quer algo em troca de seu amor. Ela busca o amor da pessoa que ama para si para contrabalançar o amor que ela mal sente por si mesma. Já a pessoa que não é carente não busca nada (nenhuma atitude, nada) para contrabalançar nada nela mesma por parte da pessoa que ela ama, exceto - se assim for o caso - o seu amor. Pois, é claro, todos nós queremos amar para sermos amados.

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Essa distinção torna-se brutal quando a primeira pessoa (a carente) não tem seu amor recompensado ou retribuído. Ela pode até num primeiro momento não ficar tão magoada, mas depois fica chateada e até revoltada, dizendo, por exemplo, "mas eu dei tanta coisa para tal pessoa", "eu fiz tanto por ele", e assim vai. Enquanto a segunda não guarda essa mágoa. Ela amava a pessoa escolhida por um sentimento sincero de carinho, de atenção e de proteção, mas não precisava de nada em troca. Quando esta pessoa se separa do sujeito de seu amor, não guarda mágoas. Simplesmente deixa ir. Percebe ora que seu amor acabou ora que a pessoa não oferece o amor que queria em troca. Mas era amor, nada mais.

Outro momento em que fica clara a distinção entre amar por carência e amar verdadeiramente é quando as pessoas envolvidas discutem. Se ambas as pessoas amam por carência, tendem a compensar seu amor com outras coisas. Ou seja, amam a despeito de coisas que o seu parceiro faz. Ou seja, relevam e não dizem nada com receio de magoar ou de tornar as coisas difíceis no relacionamento. Já as pessoas que amam verdadeiramente se cobram, embora claro também possam ser compreensivas uma com a outra.

Porque as pessoas que se amam verdadeiramente não deixam passar, simplesmente. Tomam a iniciativa e cobram um preço pelo amor que dedicam. Porque se não passam, até sem querer, a bancar o prejuízo para si mesmas de algo que não lhes diz respeito. E elas, como já notamos, amam a si mesmas, acima de tudo. E por isso não podem deixar passar.

Pois a vida é para ser bem vivida. Para gostarmos de nós mesmos e dos outros.

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Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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