o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Quem ama, vê uma parcela do infinito que não dura

Só quem ama consegue sentir fisicamente o infinito presente na beleza e fenecimento de uma flor, na ingenuidade e fraqueza de um animal, e na profundidade do instante


Old_dying_purple_flower.jpgA maior parte das pessoas passa sua vida num meio-termo. Consegue ver as relações de forma tradicional; consegue adivinhar os sentimentos dos seres vivos, embora muitas vezes não consiga explicá-los pormenorizadamente; consegue lidar com gente diversa, gostando de uns e não gostando de outros.

Mas quem passa por experiências traumáticas tende aos poucos ou de repente a deixar de ver esse tipo de coisa, assim como deixar de apreciar música como as pessoas em geral apreciam - com sentimento, envolvimento, tesão. Pessoas assim, traumatizadas, passam a encarar o mundo com um viés triste e cinza, e a não conseguir mais divisar amor no que os atinge. Esse tipo de pessoa, quando assume para si a desesperança no mais alto grau, não consegue ver mais nada nos seres humanos: para eles, assim como para policiais cruéis, ou bandidos, os seres são apenas carne e ossos.

A abertura ao amor nutre a pessoa que quer sair desse estado de desesperança da capacidade, imediata ou gradativa, de ver beleza no mundo. Essa beleza, como sabemos, é infinita. Para uma pessoa tão no fundo do tacho, como essa, a flor não é, antes do amor, senão um artefato que o atrai pela combinação de cores e aroma. Mas, quando encontra o amor, essa pessoa vê algo para além de tudo isso na mesma flor: a vida. E essa beleza, recém-descoberta, passa a cativar aquela pessoa antes tão fria. O sujeito ou moça amolece de repente, por dentro, e se vê diante do enigma: o que será aquilo? Com uma flor, claro, ninguém consegue efetivamente criar uma relação.

Mas algo ainda maior acontece com quem passa pelo trauma e pela desesperança e de alguma forma encontra o amor. Esse algo se traduz, por exemplo, na relação com os animais.

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Todo cachorro ou gato expressa sentimentos. Ora está animado, ora triste, ora irritado. Uma pessoa que encara o mundo com desesperança só consegue ver os animais de duas formas: como irrelevantes ou como ameaças. No primeiro caso, não vê a menor graça naquilo; no segundo, está, no limite, pronto para aniquilar o animal que o ameace de alguma forma. Mas quando essa pessoa encontra o amor em si mesmo consegue ver mais nuances. E consegue se relacionar.

Isso não acontece, porém, de uma hora para outra. O ser que começa a amar espanta-se, quando principia a ver o mundo de uma forma mais amigável, em primeiro lugar que veja TANTA COISA em apenas um olhar de animal, bebê ou ser humano. Porque afinal antes ele não via nada! Depois que ele supera essa surpresa, essa pessoa, já aberta ao amor, começa a distinguir o que está ali atrás, naquele ser que o vê ou que apenas entra em contato visual com ele. E essa percepção confunde-o bastante, num primeiro contato. Aos poucos, porém, ele vai entendendo de que forma aquele ser, independente dele, maneja seus sentimentos e os expressa. E como a toda hora enxerga quem o enxerga e o julga, de alguma forma, numa relação binária de gostei-não gostei.

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Pois no fundo é assim que o amor age: separando, discriminando, distinguindo, e trazendo mais para perto ou afastando para longe. E esse contato, em sua maior parte, se dá pelo olhar.

Com o olhar amoroso, todo ser vivo também consegue - além de ver a beleza - entender, no mais profundo de seu ser, como algo pode existir agora e depois não mais. Como alguém pode sentir fraqueza repentina, seja ser humano ou animal irracional, e de repente não mais.

E como os instantes podem durar para sempre, e em seguida não mais.

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