o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Ei, não insista demais nesse amor. Ele pode te destruir

Quem ama muitas vezes enfrenta situações tão dramáticas que não sabe para onde se dirigir. Reza, faz promessas, suporta, cala e consente, mas não parece sentir que algo faça mais sentido no amor que ainda sente. E o tempo se esgarça, vai e parece não avançar. A vida parece ir embora.
Quem decide manter um amor fadado à inanição pode estar se condenando à autodestruição.


11e72bb8086d55f08d203d6dc6b4d2cd.jpgHá situações (talvez a maioria seja assim) em que parecemos nos situar no meio de furacões, no que diz respeito a amor, e em que qualquer conselho pode não servir para nada.

Diz-se, por exemplo, que amor suporta tudo. Realmente, se não tivermos essa convicção podemos jogar no lixo amores que, se insistirmos com amor, podem se tornar a solução (embora muitas vezes temporária) para nossa vida. Mas como já foi comentado anteriormente, amar em excesso pode não ser muitas vezes a solução.

louco1.jpg

Diz-se também que ama mais quem ama primeiro a si mesmo. Ou quem ama mais a si mesmo. Não é mentira falar isso, mas quem realmente ama por vezes parece sentir que deve em alguns momentos deixar de amar tanto a si próprio para conseguir o que quer em termos de amor, seja romântico ou não.

Seja como for, quem ama muitas vezes enfrenta situações tão dramáticas que não sabe para onde se dirigir. Reza, faz promessas, suporta, cala e consente, discute, até briga, mas não parece sentir que algo faça mais sentido no amor que ainda sente (desculpem-me a rima, foi sem querer rs). E o tempo se esgarça, vai e parece não avançar. A vida parece esvair-se, ir embora.

louco.jpg

Vivi essa situação algumas vezes, de um lado e de outro. E em ambos os casos entendo que teria de haver um momento em que alguém precisaria desistir. Em um dos casos, quem desistiu foi ela, e olha que o amor era verdadeiro. Em outro, fui eu, e considero que me dediquei a tal ponto que não era possível duvidar ao menos de minha intenção. E tive que desistir - embora tivesse contato com ajuda para isso (preciso admitir minha fraqueza).

A questão aqui é que quem insiste num amor condenado à inanição pode realmente se autodestruir. E isso não é força de expressão. Por isso, quem aumenta a aposta deve a todo momento se perguntar, em seu íntimo, quanto àquilo que realmente sente, quanto àquilo que realmente existe, e quanto àquilo em que realmente vale a pena apostar.

tales_of_ordinary_madness.jpg

Isso é sutil, eu sempre percebo. Pois por vezes nos enganamos ao rirmos sozinhos, contentes, ao ouvirmos quem amamos falar alguma coisa de determinado jeito. Pois muitas vezes vemos graça em algo que realmente tem outro sentido. E que pode não querer dizer absolutamente nada para a outra pessoa.

Por outro lado, por vezes nos descuidamos ao avaliarmos nossos sentimentos somente no momento presente, quando uma pessoa qualquer, olhando para tudo em perspectiva, pode reparar que nós estamos amando menos aquela pessoa, e não mais. Há momentos em que também isso acontece.

love-steaks.jpg

Por outro lado, todos nós sabemos que quem tem alguém (nem vou dizer quem ama, para não limitar) costuma atrair mais facilmente as outras pessoas. E podemos sem querer acabar notando que nosso amor, quem sabe, nem seja tão grande assim, mas que na verdade é uma espécie de fixação, uma recusa em admitir uma verdade íntima.

E podemos também reparar que aquela outra pessoa que nos olha talvez nos dê, no pouco que nos dá (porque não nos conhece), até mais do que aquela pessoa em que depositamos tanta esperança. Isso é relativamente comum. Diria que é, muitas vezes, aquilo que acontece de mais comum nos relacionamentos, e que dá origem a possessão, a domínio, a relações que são mais de poder do que de amor.

11vgodd.png

Claro que desistir de um amor no qual tanta esperança depositamos nunca é fácil. Por vezes dói tanto que a gente nem consegue comer, dormir ou trabalhar direito. A gente muitas vezes até arranja jeitos de nos lembrarmos da pessoa mesmo quando não queremos, de rirmos de coisas que não nos fazem mais rir por dentro, de olharmos para fotos da pessoa com carinho quando o sentimento é de amargor, de mágoa ou de indiferença.

Mas não adianta. Há um momento, em todo amor, em que a paciência parece acabar. Em que precisamos olhar para nós mesmos e vermos o que fazemos de nossa vida. E em que precisamos tomar uma atitude. Os amigos verdadeiros sempre nos avisam. Os inimigos nos tratam com desleixo, como se fôssemos uns idiotas. E sempre são os primeiros que se surpreendem quando nos recuperamos.

talesof.jpg

Autodestruir-se por questões amorosas, todos sabemos, não é algo raro. Todos conhecemos tias ou avós que estragaram parte ou todas suas vidas por amores em que depositaram excessivas esperanças. Todos conhecemos caras que bebem em grande parte por causa disso. Muitos morrem, inclusive.

Deixar de amar por preferir olhar para si mesmo é algo difícil. Mas nunca impossível. Pois se a gente muitas vezes ama sem pretender, a gente pode, sim, deixar de amar simplesmente por deixar de querer.

movie-couples-hate-each-other-in-real-life-leo-dicaprio-claire-daines.jpg

Praticamente todas as fotos neste post são de filmes relacionados a textos de Charles Bukowski, Hank ou Buk.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/recortes// //Contreraman
Site Meter