o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Aos meus "mestres", com carinho - e muita gratidão

Dando uma googada, de repente me cai uma foto em que um de meus ex-chefes, embora por muito pouco tempo, aparece ao lado de gente da pesada no jornalismo (até hoje). Tentei saber sobre ele, e descobri que faleceu há 5 anos, e que deixou boas lembranças dos ex-focas que treinou (gente bem mais rodada em redações do que eu). Li alguns depoimentos e reparei como ele sempre fazia tudo do mesmo jeito, e como suas lições foram aprendidas por aqueles jornalistas dos depoimentos - e creio, por mim mesmo.


4552957_6_c117_l-equipe-rescapee-de-charlie-hebdo-lors-de_42c7a1a32fd6be0deb076d973f2c63f3.jpgPassado isso, deparei-me com umas revistas antigas, em que havia escrito, e procurei imagens delas para colocar no LinkedIn. Foi quando reparei (havia sido um pouco antes, na verdade) nas lições que levara do meu chefe nessa revista, extinta, e depois (ao procurar algo mais no google) dos exemplares em que escrevera durante três anos com uma redação da qual mal consigo ouvir falar. Uma ex-colega desta última revista ainda lidera caderno em jornal, é só do que sei. Foi então que me ocorreu o potencial de professorado que todos esses ex-chefes (e mais outros, um pouco mais recentes) tiveram em minha carreira.

Foi então que me veio a lembrança meu último chefe, do qual quase só acumulei ingratidão e apenas um ávido desejo de me explorar, sem em nada me explicar ou me ajudar. Cheguei a pensar bastante nessa minha última experiência, e diversas vezes concluí que fiquei demais naquele emprego; que aceitei demais o jeito dependente com que eu lidava com ele; que me meti inclusive a cometer práticas que hoje abomino. Claro que esse meu ex-chefe não somente me explorou e me achincalhou; mas, num retrospecto, concluo que foi um grande erro de minha parte ter me deixado levar pela situação (embora eu me lembre de ter o tempo todo lutado e resistido, para falar a verdade).

Sou um sujeito que valoriza o saber estabelecido; que gosta da ideia de autoridade (diferente de autoritarismo); que aprecia regras e seu cumprimento; que não gosta de bate boca nem de discordâncias não resolvidas na base dos argumentos; mas que sabe que a vida não é fácil e que, se é preciso às vezes apelar, é preciso também saber como fazer o jogo por baixo do pano. Nesse sentido, sempre tentei identificar os professores formais com os professores na vida. Mas hoje reparo que me engano. Meus maiores modelos foram mesmo meus ex-chefes, em redações nas quais nem fiquei muito tempo, mas nas quais aprendi a vida dura que é ser redator, repórter, editor ou redator-chefe, assim como tradutor e tudo o mais.

Belas lembranças, essas de meus ex-chefes, que aqui não nomeio por respeito mas porque a questão não é bem a de fazer homenagem a eles, mas a de ajudar-nos a repensar nosso passado. Como quando aprendi a acabar com um soluço - por intermédio do meu professor de português, a quem mandei cartão de feliz aniversário um dia. Ou como quando aprendi a me virar a entrar numa favela dominada pelo tráfico para fazer uma matéria - sendo que meu ex-chefe me provocou de forma agressiva para uma tarefa na qual eu, e meu fotógrafo e motorista, poderíamos ter saído mortos. Ou como quando aprendi a me virar no exterior em feiras sobre assuntos técnicos com gente de bagagem internacional. Ou como quando fui a Cuba e fui sequestrado, mas mesmo assim não perdi a compostura e o traquejo para arrumar uma nova passagem de volta e contar a aventura à minha então esposa.

Todos nós temos muito a aprender e a ensinar. Basta estarmos atentos e compreendermos que nossa função na Terra, no fundo, é apenas essa: a de passarmos o bastão para que o lugar em que vivemos e que deixamos seja quem sabe no futuro um pouco melhor para os que vêm.

Só relembrar e só entender isso já é lindo. Viver, então, é quase demais.

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Contreraman

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