o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Sobre boatos e fofocas

Pretendo apenas mostrar como o efeito deletério (quando é deletério) de algumas fofocas podem ajudar a esgarçar o tecido social e o entendimento das pessoas por absolutamente nenhuma razão a não ser uma espécie de desprezo que posssamos ter, de um jeito ou de outro, por alguém - e que pode virar fofoca.


gossip-at-work.jpgMuito foi dito e escrito sobre boatos e fofocas. Boatos e fofocas, de forma bastante neutra, são informações, falsas ou inexatas, ditas e espalhadas com boa, má ou intenção neutra, em segredo ou em lugares reservados, para poucas pessoas, com intenção de segredo ou não. Essas informações costumam ser o material por excelência de salões de cabeleireiro, encontro de amigas (menos de amigos), conversas reservadas, conspirações, intrigas de ordem política ou privada, etc.

Não vou entrar numa moralenga do tipo, "onde já se viu fazer fofoca", "fofocar é ruim", e coisas do tipo, pois todos nós, em maior ou menor grau, fofocamos de alguma forma. Pois falamos de outras pessoas, falamos sobre elas, emitimos julgamentos sobre elas, e até mentimos, ou deliberadamente ou não deturpamos alguns juízos ou informações que recebemos sobre elas o que temos delas. Fofocar faz parte do jogo social, e todos nós, mesmo entre nossos parentes pelo menos, fazemos algo que pode se assemelhar a fofocas. Vou apenas mostrar como o efeito deletério (quando é deletério) de algumas fofocas podem ajudar a esgarçar o tecido social e o entendimento das pessoas por absolutamente nenhuma razão a não ser uma espécie de desprezo que posssamos ter, de um jeito ou de outro, por alguém - e que pode virar fofoca.

Existem duas posturas radicais principais que nos fazem pensar no ser humano, vivendo em sociedade. Uma, que sustenta que cada um é por si. Outra, que sustenta que mais importante que nós mesmos é o outro ser humano ou a sociedade de forma geral. A fofoca nos promove uma situação em que percebemos que o que nós somos em particular (nosssa imagem perante todos) pode estar sendo usado por alguém com outro intuito. Por isso, quem tem uma boa imagem de si dificilmente dá tanto valor à fofoca quanto aquele que tem algumas dúvidas a seu respeito ou que teme o que a opinião dos outros pode fazer para si mesmo.

Imaginemos que uma pessoa fala algo de nós ou sobre nós para outra pessoa. Desconsideremos o motivo ou se quer com isso fazer algo bom ou ruim. Isso não importa por enquanto. Quando a pessoa ouve aquilo, pensa em primeiro lugar se aquilo é verdadeiro ou falso. E a seguida responde ou não àquilo que ouviu. Se falaram mal sobre nós, pode concordar ou discordar. Se falaram algum fato a nosso respeito, pode achar bom ou ruim. Se comentou algo que tenhamos dito (ou não), ou deturpou aquilo, pode pensar também algo bom ou ruim. Seja como for, a depender do assunto, a opinião que a pessoa que ouviu o boato naturalmente vai mudar algo, um pouco mais ou bastante, a depender do que ouviu e da importância do assunto. Necessariamente, então, seu conceito a nosso respeito terá mudado. Poderá se aproximar, a depender do caso, ou se afastar, em situação oposta. Mas não permanecerá em geral na mesma situação. São muito raras as pessoas que simplesmente ouvem e não mudam algo do seu conceito ou de sua opinião (ou mesmo de sua ação) quando ouvem algo a respeito de alguém.

Ocorre que, na melhor das hipóteses (quando a pessosa não muda o seu conceito a nosso respeito nem que seja no mínimo imaginado), a pessoa que ouve a fofoca acumula o que ouviu em sua memória e pode passar a colocar sua própria opinião a nosso respeito em questão. Ou seja, passa não necessariamente a duvidar, mas a saber algo (verdadeiro ou falso) que a torna um pouco que seja mais afastada de nós para comprovar ou confirmar aquela informação ou aquele juízo. Ou seja, a fofoca, por menos que possa afetar o conceito ou o juízo, afasta pelo simples fato de colocar as questões que nos dizem respeito, lá no fundo a pessoa que ouviu a fofoca, em suspenso. Ou seja, a fofoca esgarça o tecido social, afasta, nem que seja um pouquinho, as pessoas das outras, e cria desconfiança, mesmo que pequena, que pode ora aumentar ora também diminuir.

Num mundo em que os conflitos esgarçam, a realidade afasta, os preconceitos se avolumam (e muitas vezes são espalhados pelas pessoas a torto e a direito), ter a fofoca como mais um meio de afastar é, já de cara, bastante ruim para todos, e até mesmo para as pessoas que nela não estão envolvidas.

Melhor, assim, falar na cara, não é mesmo?


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// //Contreraman