o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

O amor que se constrói sozinho

Quando a gente começa a se relacionar com alguém, sempre surgem muitas dúvidas. Isso quando a gente não se apaixona de vez, e não consegue raciocinar direito. Mas me refiro aqui a amor, não a perdição, a loucura, àquela dor que surge quando parece que não conseguimos viver sem aquela pessoa que "amamos". Bom, eu já passei por ambas situações.


Romantic-Restaurants-in-Bangalore.jpgAs dúvidas que surgem quando a gente ama dizem respeito a vários aspectos: será que eu amo mesmo a pessoa? será que a gente realmente se dá bem? será que ela me aceita como eu sou? será que eu realmente a aceito como ela é? será que a gente combina? como será quando a gente realmente morar junto? será que eu vou mesmo aguentar tal jeito dela? será que ela vai me aceitar quando eu ficar mais velho, feio e gagá? seré que ela/e é mesmo a mulher/homem de minha vida? será que vai durar?

A maior parte dessas dúvidas a gente muito provavelmente resolverá com o tempo (ou o tempo resolverá para nós). Muitas dessas mesmas dúvidas se resolvem sozinhas, na verdade. O relacionamento avança e certas verdades simplesmente surgem, e nos convidam a tomar decisões: continuar saindo com a pessoa, indo mais ou menos vezes à sua casa, conhecendo ou não os seus pais, conversando mais ou menos com ela, e por aí vai. Mas certas dúvidas sempre permanecem. E a gente fica sem saber se o relacionamento veio para ficar - ou não.

Tenho enfrentado essas dúvidas recentemente. Já tendo passado pela paixão (e ela também), e já tendo curtido a beleza que é o verdadeiro amor (esse que se dá com gratuidade, que compreende e que aceita a pessoa como ela é), eu por vezes me sinto meio em dúvida quanto a se ela realmente vê o mesmo em mim (ou algo similar), e se vale a pena para mim continuar investindo nesse relacionamento. Alguém poderá dizer: se você tem dúvida, é porque não é o amor que você quer. Mas não é isso. A questão é que não fico propriamente em dúvida: eu acredito e tenho certeza num determinado momento dele, e depois eu não tenho tanta certeza assim.

Ocorre que nos últimos dias essa minha aflição tem diminuído bastante, até sumir. Tenho falado bastante com ela, conversado pessoalmente e por redes sociais. Empresto-lhe equipamentos meus, soluciono alguns de seus problemas, ela também se preocupa comigo, e assim vamos levando. Algumas vezes, sou eu que chego até ela com mais ênfase, com maior atenção. Outras vezes, é ela que faz isso. Vamos com isso nos conhecendo melhor, e ela vai sentindo mais como eu sou, assim como eu percebo-a melhor. Mas de onde vem a sensação de diminuição na minha aflição?

Aconteceu de eu ter um jardim no condomínio em que moro. E que posso descer durante a madrugada e ficar em um lugar bem isolado, sozinho, tranquilo, olhando para o céu, a Lua e a paisagem (uma árvore bem crescida domina o local). Como tenho insônia, às vezes, depois de falar com ela, eu desço e fico quieto. E saibam, tudo aparece para mim tranquilamente, tudo o que sinto sobre ela, o que sinto que ela sente sobre mim, e tudo o mais.

Basta eu abrir a mente, não ficar preso a ideias pré-concebidas, e simplesmente curtir a sensação, relaxando. Tudo aparece. Na hora, eu acabo rindo do que passamos, rindo de momentos em que ela fez isto ou aquilo, rindo de nossas risadas e no fundo simplesmente curtindo o momento. Tudo aparece. No dia seguinte, então, a questão do relacionamento não ocupa toda minha mente. Eu consigo relaxar e ver o que acontece com maior clareza. Consigo entender os meus comportamentos (e os dela) com maior sensibilidade. Consigo viver, sem me deixar afetar tanto por essas dúvidas que muitas vezes nos corróem.

E saibam, é gostoso demais. Isso é amar sem sofrer de amor.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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