o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Aqueles pequenos gestos com que retomamos o rumo da vida

Pois retomar uma nova vida requer bastante coisa.


page56_picture0_5452979adb2e5.jpgNão adianta fingir. Ou a pessoa, quando retoma, retoma mesmo uma nova vida ou não retoma, e com isso fica meio com saudade, tentando lembrar algo de que não se recorda mais, sentir algo que já ficou lá para trás, pensando ser alguém que já foi, mas que não é mais.

Pois tomar uma nova vida requer bastante coisa. Creio, porém, que a principal seja uma nova noção de si mesmo/a, ou perceber que ainda se é aquilo que se negava ser, ou que não é mais aquela pessoa que dizia ser (para si mesmo). Perceber o que se é, como se é, e como fazer com que nosso eu mais profundo possa se tornar novamente existente para nós (quando nos demos demais para alguém).

Para retomar a vida, existem sinais. Alguns deles são singelos, como cuidar da aparência, ou lavar a louça na hora certa, ou pesquisar quanto ao melhor piso para o novo apartamento. Mas esses sinais não valem por si sós. Esses sinais são apenas a exteriorização de algo que deve estar lá dentro de nós, que deve nos dizer que agora a vida é outra, estamos em outra fase, podemos nos comportar de outra forma (ou da forma como sempre quisemos e não podíamos).

Muitas vezes, tentamos nos fazer acreditar que passamos por uma fase - mas não conseguimos nos convencer disso. E voltamos a momentos de outrora, preocupações que antes nos atrapalhavam a vida, ou a sonhos que um dia tivemos e que hoje não têm tanto a ver conosco. Podemos continuar nos considerando menores do que a situação que nos envolveu, e descuidamos da nossa saúde, não falamos com nossos familiares, afastamos quem nos quer bem.

Podem acontecer eventos que nos mostrem, de repente, sem percebermos, que a situação agora é outra, que não podemos (ou não devemos) nos restringir àquilo que fomos, que não precisamos agir da mesma forma, que aprendemos com o tempo. Mas muitas vezes nós mesmos nos negamos a satisfação de sentirmos que progredimos, que aprendemos com os meses passados, que descobrimos coisas de nós que não imaginávamos existirem, e que voltamos a ser algo que queríamos (e não podíamos) ou que nos tornamos em parte algo que sempre quisemos ser.

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Mas muitas vezes não acreditamos. E voltamos a nos comportar como antes. Ou a ter a imagem de nós que tínhamos outrora. Ou a sermos exatamente como fomos. Isso se dá muitas vezes sem querer, sem que percebamos, sem que notemos que estamos voltando. Porque muitas vezes não superamos realmente aquilo que lá atrás nos conteve, nos manteve imersos em situações alheias, de alguma forma também nos destruiu por dentro.

É por isso que muitas vezes são pequenos movimentos, pequenos gestos que fazemos para nós mesmos, que conseguem nos convencer, de fato, que somos outras pessoas. Que ultrapassamos barreiras, mesmo que não tenhamos desejado que fossem como fossem. Que descobrimos coisas, e que com isso entendemos mais da vida. Que descobrimos sobre nós e sobre os outros. Que nos afastamos de nós, ao mesmo tempo em que nos aproximamos de nós.

As pessoas que gostam da gente muitas vezes são as melhores a identificarem esses momentos. São aquelas pessoas que não querem mais ouvir falar de outros bairros. De outra época. De outras pessoas. De outras situações. Mesmo de outras vitórias. São pessoas que nos dizem, viva o dia de hoje, olhe para mim, olhe para si mesmo, cuide de si. São pessoas que nos amam. E que podem estar nos dizendo: olhe para nós.

Isso é sempre muito bonito. Chega a ser comovente só de pensar. Chega a ser maravilhoso viver esses momentos, quando ocorrem. E chega a causar êxtase perceber quando isso acontece, com quem acontece, onde acontece. Isso tem tudo a ver, muitas vezes, com amor. Com aquele verdadeiro amor que buscamos. E que pode nos tirar do sério. Para enfim, vivermos.

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Enfim, viver de novo.

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Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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