o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

A peregrinação contemporânea

Um processo de individuação é algo que pode levar décadas, até uma vida toda, sem que chegue a um termo adequado, contundente. O meu leva quase cinco décadas e creio que ainda me falta muito para me dar por minimamente satisfeito.


the-name-of-the-rose.jpgÉ como naqueles filmes sobre idade média, tipo O Nome da Rosa, em que os peregrinos passam muito tempo na estrada, faça chuva ou sol, e de repente encontram o mosteiro, sem se aperceberem (ou se apercebendo) de que apenas chegaram. De que falta-lhes muito ainda para se hospedarem, se sentirem bem e finalmente se acomodarem.

A imagem do peregrino é interessante para estes propósitos, porque realmente, para quem procura algo que desconhece, as coisas que aparecem no caminho, quando é o caminho certo, mostram-se de forma muito sutil, como nuvens esparsas no horizonte, ou pequenas mudanças no solo que indicam em que ponto está a travessia.

Muitos santos eram peregrinos, muitos eventos transcritos nos relatos de suas vidas ocorreram em meio a longas caminhadas, e mesmo os depoimentos ou obras inteiras que deixaram passam-nos a impressão de algo a ser dura e longamente conquistado. Um caminho árduo que parece desafiar nossa visão contemporânea de crescimento.

Agora, numa época em que tudo está interligado, as travessias nós as experimentamos diferentemente. Elas estão em nossas tarefas, que fazemos no silêncio de nossos escritórios, na disciplina que temos ao nos guiarmos rumo aos nossos objetivos, nos contatos que fazemos com pessoas que não conhecemos por redes sociais, na integridade que dedicamos a todos nossos passos (inclusive a como lidamos com nossos lares).

Porque tudo hoje parece nos confundir. Tudo nos chama a atenção, nos rouba tempo, nos rouba atenção, nos oferece novas saídas (que precisamos avaliar), e tudo nos avassala o tempo todo, enquanto andamos na vida. Neste nosso mundo, a peregrinação é feita muitas vezes às escondidas de todos, a quatro paredes, acompanhados apenas de um notebook ou de um café numa cafeteria com wifi.

Nosso crescimento está, neste muito, o tempo todo em jogo e em risco. Somos invadidos e invadimos o crescimento dos outros. Nossas almas, também, elas penam em meio a tantas exigências, tantos cursos, tantos recursos que chegam a nos confundir. São poucos os momentos em que descansamos, realmente. Em que reparamos em nós, tal qual o peregrino reparava em si enquanto pisava chão hostil ou hospitaleiro.

Por isso, quem busca santidade ou sua própria salvação precisa estar hoje atento. O mundo mudou. Os problemas mudaram. Mudou o lugar em que aparecem as tentações. Mudaram os aspectos da realidade que realmente fazem nossa cabeça - e mudaram também, ao menos em parte, nossos critérios.

As buscas, claro, continuam. Mas os trajetos hoje são diversos. E os obstáculos, também.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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