o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

A religião como forma de autoesclarecimento

O estudioso que não gosta de religião irá nos comentar: "grande coisa". Como se agora a pessoa estivesse possibilitada a ler um monte de inverdades, pensamentos mitológicos sem qualquer serventia num mundo real, ou mesmo àquilo que as pessoas ditas esclarecidas consideram mera autoajuda, ou discurso de autoconvencimento de verdades consideradas sagradas.


tree-of-life-beach.pngO acesso das pessoas (no caso, naquele momento, das alemãs) à religião por seus próprios meios, possibilitada pela tradução da Bíblia à língua daquelas pessoas, por Lutero, o que iria conduzir, por meios históricos, à fundação das Igrejas Protestantes, possibilitou àquelas pessoas o acesso a um saber que estava, pelo bloqueio da língua, proibido a elas.

O estudioso que não gosta de religião irá nos comentar: "grande coisa". Como se agora a pessoa estivesse possibilitada a ler um monte de inverdades, pensamentos mitológicos sem qualquer serventia num mundo real, ou mesmo àquilo que as pessoas ditas esclarecidas consideram mera autoajuda, ou discurso de autoconvencimento de verdades consideradas sagradas.

Ocorre que o acesso à religião, e o envolvimento por ela, consiste em muito mais do que simplesmente se tornar um crente de algo que mal se conhece, ou que parece jogar todos os outros saberes para trás. Ler os livros de uma tradição religiosa significa também refletir, com os próprios valores, a respeito do que está sendo passado, realizar escolhas, negar algumas influências e mesmo se prontificar a corrigir o que considera errado, vindo de quem for. Mesmo os padres tornam-se mais conscientes do poder que cabe aos católicos quando ele diz alguma coisa lá na frente.

Tenho percebido esse tipo de esclarecimento de ordem até então estranha a mim agora que tenho me reconvertido. Percebo o quanto os crentes que me rodeiam por vezes parecem desconfiados do mundo, ao invés de apenas seguirem o que está escrito, e nessa sua desconfiança percebo como existe esclarecimento por detrás de diversos pontos que eles tocam. Converso com porteiros e guardinhas e noto como eles possuem posturas céticas com respeito às crenças alheias, por meio de convicções que eles próprios alimentaram em seus envolvimentos religiosos.

É comum perceber, por exemplo, que pequenos funcionários de qualquer ordem, quando se tornam amigos, conseguem muito bem identificar questões relativas à religião por suas próprias vivências, e por meio delas conversar sobre a crença alheia sem necessariamente questioná-la, mas refletindo a respeito. Percebo que por detrás de suas observações, algumas delas aparentemente simplórias, existe uma reflexão clara a respeito de si mesmos e do mundo, assim como dos passos a tomar na vida comum de cada um. Nota-se, mais que a repetição de um ensinamento lido ou refletido, uma reflexão própria, que sai do lugar comum e que mesmo coloca essas pessoas em lugares privilegiados em termos de sabedoria prática.

Uma pessoa qualquer pode considerar que isso é natural, que a pessoa naturalmente se torna mais crítica quando participa das instituições, ou quando passa a ter uma vivência prática em tudo isso. Claro que isso é verdade. Mas quero comentar que o conhecimento que a pessoa passa a adquirir frequentando cultos ou religiões de diversos tipos torna-a também mais esclarecida quanto à vida em si, e até mais desconfiada de soluções milagrosas para seus problemas. Claro também que existem os fanáticos que passam a ser usados ou a usar os outros para seus próprios desígnios, com a desculpa da mensagem de Deus. Mas ninguém é no fundo obrigado a cair na conversa dos outros. E nesse sentido pode refletir consigo mesmo, mesmo que aos poucos, e distinguir aqueles que são realmente homens de Deus de outros que são meros enganadores.

Noto também como as pessoas que se mostram crentes por vezes demonstram muito mais prudência ao se comportarem diante de questões do mundo do que outras que, por suas educações formais, deveriam ter posturas mais adequadas mas que, por não terem exemplos ou mesmo por não terem lugares para refletir, não conseguem se sair tão bem quanto as outras. Notemos que a Bíblia, por exemplo, tem, dentre seus livros, os chamados livros sapienciais, que podem contribuir em muito, com máximas de prudência, para a educação moral de pessoas sem exemplos à mão ou mesmo que precisam criar, sozinhas, suas próprias regras de conduta.

Daí que considerar que o envolvimento de uma pessoa sem educação formal ou com educação formal pobre em religiões não significa, a meu ver, necessariamente, que a pessoa se deixe levar por mitologias ou saberes, no fundo, questionáveis. Mas significa, ao contrário, que a pessoa encontrou um lugar e pessoas com que possa se educar, e refletindo consigo mesma, achar uma direção no mundo. Claro que tudo tem seu limite; mas o que não tem?


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