o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

A saudade é o amor que permanece

O amor é algo que subsiste ao tempo, à dor e à morte. Quando deixamos de amar, deixamos de lembrar também, e parece que o que fica é ruim, e disso queremos distância. Mas quando continuamos amando, mesmo distantes ou rompidos (no caso de casais que se separaram sem que um quisesse), as lembranças nos vêm com suavidade e sutileza.


saudades_meu_amor.jpgQuem ama, sente saudades. Mas não me refiro somente àquele amor romântico, segundo o qual queremos ter a pessoa ao nosso lado. Falo de um amor maior, até de um amor que perdura ao tempo, à separação e à morte.

Quem ama, pensa no outro com um carinho que parece levá-lo a pensar na pessoa amada. Muitas vezes, nem pensa nada em especial. Pensa uma bobagem, ou quer apenas um contato, tipo um alô. Mas quem ama pensa no outro com um carinho que leva-o a pensar no ser amado.

Não é qualquer carinho que faz com que pensemos na pessoa amada. É um carinho suave, que nos faz lembrar do jeito da pessoa, em como ela fala, como ela se expressa, e até nas besteiras que fala. É um carinho que faz com que lembremos do pai que se foi há muito às vezes pelo simples motivo de ele falar tão pouco.

Quando amamos, a gente se lembra das pessoas por motivos fúteis. Lembramos dos olhares, dos momentos de alegria, das risadas, e mesmo dos momentos ruins, em que as pessoas nos decepcionaram. Mas lembramos de tudo com alegria, com suavidade, com uma espécie de carinho que faz com que só ele, o carinho, subsista.

A gente lembra das pessoas tão logo as amamos mais, em nosso interior. Pois antes que as amássemos elas meio que passavam batido. Não deixavam muito rastro. Ou seus jeitos de ser apareciam-nos como algo quase antipático. Quando voltamos a amá-las, os gestos parecem mudar, os movimentos também assumem outro caráter, a gente parece ouvi-las sem que estejamos próximos delas.

O amor é algo que subsiste ao tempo, à dor e à morte. Quando deixamos de amar, deixamos de lembrar também, e parece que o que fica é ruim, e disso queremos distância. Mas quando continuamos amando, mesmo distantes ou rompidos (no caso de casais que se separaram sem que um quisesse), as lembranças nos vêm com suavidade e sutileza. Lembramos dos momentos sem dor nem mágoa. Continuamos amando mesmo que a outra pessoa nos odeie ou não nos quer na sua frente. Amamos e não sofremos com isso. Ao contrário, até curtimos esse amor não mais correspondido.

Quando se ama, é bom se reparar nos detalhes. Notar os aspectos secundários das pessoas, deixá-las falar, ouvi-las até mesmo sem parar. Porque, se continuarmos a amá-las, será disso que nos lembraremos. E será isso que levaremos conosco. Porque o amor é assim, ele permanece, e fica conosco. Na lembrança e eu diria até para depois da morte.

Pois é isso que levamos. E talvez nada mais.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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