o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Ama quem quer - e quem pode

Tendo vivido o amor em ambos os lados - tendo sido amado loucamente, sendo que não deu certo, e amando também loucamente (agora), sendo que não sei no que vai dar (mas quase me matei na tentativa) -, resolvi escrever umas poucas linhas a respeito daqueles que amam, se dedicam mas apenas sofrem. Sobre esse negócio de se dedicar em tudo a alguém, esperando um amor que pode não vir. Vale a pena?


30821241_ml-1500x630.jpgVez ou outra, quando navego no facebook, me deparo com uma queixa ou queixume de uma pessoa que mal conheço dizendo que não vai amar mais, que deu tudo para alguém mas que se ferrou. Inadvertidamente, quase sempre posto que amor a gente dá, não espera em troca, mas como sempre minha mensagem se perde nas ondas (que não são ondas) da internet, e fica por isso mesmo.

Tendo vivido o amor em ambos os lados - tendo sido amado loucamente, sendo que não deu certo, e amando também loucamente (agora), sendo que não sei no que vai dar (mas quase me matei na tentativa) -, resolvi escrever umas poucas linhas a respeito. Sobre esse negócio de se dedicar em tudo a alguém, esperando um amor que pode não vir. Vale a pena? Realmente o amor de dedicação tem algum futuro? Pretendo não comentar do meu caso pessoal, que não interessa muito.

Quando uma pessoa qualquer escolhe outra pessoa como objeto de amor, geralmente procura sarna para se coçar. Pois o amor geralmente é uma paixão (passio, aquilo por que sofremos) que, quando aparece, surge por vezes inadvertidamente, outras vezes surge por um cultivo, uma espécie de alimentação, e outras surge (até é correspondida) em meio a altercações, xingamentos ou mesmo puro sexo. O amor em geral surge, pelo que entendo. No segundo caso, claro, ele é alimentado, cultivado, e pode parecer que é escolhido. Mas muitas vezes as pessoas que amamos simplesmente aparecem à nossa frente, e decidimos ficar com elas (geralmente sem sabermos realmente por quê).

Mas amor no sentido de encontrar alguém com quem resolvemos, conscientemente, ficar para todo o sempre, custe o que custar, é algo que se aproxima mais de fixação do que de amor. Quem fica com alguém que nos maltrata o tempo todo? Ou que só aparece para nos contar problemas, e tentar nos envolver neles? Ou que aparece e nos domina porque é bonito/a demais, nos envolve em sedução e não nos larga o pé porque realmente não conseguimos nos safar? Ficar com pessoas que nos fazem sofrer, que não nos respeitam, que não obedecem nossas vontades mais íntimas, ou que no fundo não nos agradam porque simplesmente nos atraem, é pedir para sofrer. Por outro lado, aceita ficar com pessoas desse tipo quem entende que por vezes é preciso sofrer, aguentar, segurar a barra. Mas, só porque se quer? Porque a pessoa parece feita para nós?

Só ama verdadeiramente quem entende o outro. E que, entendendo-o/a, percebe seus limites. Não se ama quem a gente simplesmente quer para nós, custe o que custar. Isso não é amar, isso é possuir, manter consigo, tomar para si como se fosse um objeto, um objeto que a gente ama. Para amar é preciso entender que o amor precisa ser correspondido. E ninguém aguenta tudo de quem não demonstra seu amor, de quem não expressa algum sentimento correspondido, de quem não parece perceber a situação. Nesse sentido, talvez uma das partes não saiba o que faz. Talvez quem ama ame demais, para além do que o outro consegue perceber. Ou talvez quem seja amado/a não perceba o que acontece, ou não saiba reagir a contento. É então preciso se afastar.

Mas isso não é culpa de ninguém. Simplesmente quem ama pode aguentar quanto quiser até o momento em que percebe que não adianta mais. Ou quem é amado pode não aguentar tanto amor e escapulir, arrajando um caso qualquer, traindo a pessoa que o/a ama, ou mesmo agindo de forma irresponsável, como se não soubesse o que acontece. Não é culpa que as pessoas não estejam, cada uma por vez, no momento certo para amar ou serem amadas. Não é culpa de ninguém. Simplesmente acontece.

No primeiro caso (meu), minha parceira avançou em sua autodescoberta e resolveu me abandonar. Eu fiquei arrasado - mas hoje percebo que eu não estava pronto, que eu não sabia o que era amor. Agora, eu amo muito uma pessoa que pode jamais estar pronta para mim. Acontece. Eu a amo de verdade, mas por vezes pareço realmente não aguentar. Mas sei que insisto em meu sentimento por desejo meu, por vontade inteiramente minha. Ela não tem culpa. Talvez não saiba o que acontece. Ou talvez tenha receio de se envolver. Não sei. Posso jamais saber. Não importa.

O que importa, em geral, é que se amarmos que amemos de verdade. Que nos entreguemos sabendo dos riscos, e que saibamos que se insistimos é por conta e risco (todo nosso). Pois podemos desistir a qualquer momento.

Mas uma coisa que nos ajuda é que, para aquele que ama, que ama verdadeiramente, não é tão difícil partir de uma situação a outra. Sair de um amor e alcançar outro, logo ali. Já para quem não ama ou não quer se deixar amar, é sempre mais difícil. Como outro autor do Obvious comenta, não perde quem se entrega. Perde quem não percebe o amor.


Contreraman

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