o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Lembrar, sofrer, agradecer e, com sorte, superar

Todo aquele que passa por situações complexas, em que na hora não sabe bem o que fazer, e em que se sente dividido por emoções, impressões ou fixações, quando passa por tudo (e tem condições de refletir a respeito) começa a relembrar aqueles momentos, as pessoas envolvidas, e se questionar quanto àquilo que acontecia, o que sentia a respeito e as posições que poderia ter tomado (que não tomou).


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Para uma pessoa com questões subjetivas relevantes, isso pode se tornar um carma, lembrando-se de momentos que passam a acompanhá-la e a importuná-la, como dívidas que deveria ter sanado, comportamentos que deveria ter corrigido ou mesmo sensações sobre as quais deveria ter pensado mais a respeito. No limite, quando a pessoa se sente acompanhada por esse tipo de questão, pode enlouquecer, sem conseguir se esquecer de companheiras/os queridas/os, amores passados, bons momentos ou chances que não aproveitou.

Não adianta muitas vezes falar para esse tipo de pessoa que o que aconteceu já aconteceu, que é passado, que ela precisa olhar para a frente, para a própria vida. Porque os motivos pelos quais ela lembra não desapareceram, muito do que ela era ainda continua consigo mesma, e ela sente que gostaria de retornar àquilo que passou, também porque não consegue lidar com os problemas atuais. Fica uma situação estranha, em que a pessoa não consegue viver o dia de hoje porque revive constantemente o dia que se passou.

Muitos se perdem nessa divisão por que certas pessoas passam. Muitos enlouquecem, inclusive, lembrando de momentos a que ninguém mais dá qualquer relevância. E o pior, para esse tipo de pessoa nesse tipo de situação, é que não adianta tentar voltar atrás - nem em si mesmo, nem na situação concreta, nem com a pessoa eventualmente envolvida. É como se a pessoa estivesse presa numa cápsula do tempo, da qual não consegue sair por mais que se esforce. Mesmo tocar a vida atual torna-se um carma para ela, na medida em que as lembranças aparecem, e ela não parece conseguir chegar a uma conclusão: estava certa ou errada em fazer como fez?

O apelo à religião cristã, que perdoa tudo, pode ser uma saída nesse tipo de situação, na medida em que, por mais que tenha errado, em pensamento, sensação ou ato, a pessoa passa, quando se sente perdoada, a sentir que tudo passou, que os dias são novos, e que algo de novo a espera, tendo como base uma nova sensação, uma nova forma de ver o mundo. Outras religiões podem servir como emplastros, que de repente lhe servem como alívio, e que lhe dão uma solução, ao menos temporária, aos seus dilemas.

Mas a maior salvação para esse tipo de pessoa só pode se originar dela mesma, de entender que o mundo avança, de que os temos de ontem não podem ser avaliados pelo conhecimento de hoje, de que as decisões tomadas o foram com tudo aquilo que lhes dizia direito, que as escapadelas eram uma forma de suportar. Porque, no mundo em que vivemos, muito do que fazemos o fazemos apenas no limite do suportável. E quando não suportamos precisamos tomar atitudes, fazer alguma coisa - para suportar.

É preciso agradecer, ao menos, quando conseguimos estar presentes no momento em que refletimos sobre o passado com outros olhos, quando conseguimos nos olhar de forma crítica, sabendo que erramos ou que acertamos nos nossos erros, e que, se por um lado poderíamos agir diferente (a gente sempre pode), no limite agora podemos ser abençoados ao perceber o que poderíamos ter feito. Temos que agradecer porque muitos não conseguem chegar até aqui. Muitos não conseguem pensar, em tempo viável, naquilo que fizeram de errado, nem refletir com sensação - mesmo que de pesar - naquilo que poderiam ter feito diferente.

Muitos, inclusive, rompem relações sem jamais terem pensado nisso. Como se tivessem estado inteiramente corretos. Esses, levam os erros consigo. Erros esses que muitas vezes cobram seu preço logo à frente.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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