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Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

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Mágoa ou a dor que teima em permanecer

Muitos dizem que a pior dor que alguém pode experimentar é a de perder um ente querido: filho, ou mãe, ou pai. Discorro aqui sobre aquela dor que pode não ser, na hora, tão lancinante, mas que pode matar por exaustão: a mágoa


128.jpgQuem vai em cultos evangélicos, cristãos de forma geral ou católicos pode se defrontar com menções a dores que permanecem em nossos corações devidos à mágoa. E pode ver pessoas se debulhando em lágrimas ao sentirem superar questões ligadas a ela.

A mágoa é algo que muitas vezes captura nossa atenção sem querer. É aquela atenção que consideramos devida e que não vem. Ou aquele gesto mal colocado que nos leva a pensar mal do outro. Ou aquelas ações impensadas que fazem com que briguemos com o outro, e conosco, sem conseguir entender. A mágoa parece ser uma dor lancinante colocada aos poucos em nosso coração que pode, contudo, se não nos cuidarmos, nos dominar.

Muitas vezes convivemos com pessoas queridas que cometem desatinos cujas ações, num determinado momento, passamos a interpretar com dor. Uma dor que nos atinge em cheio e que bate com uma incompreensão de parte a parte. Não entendemos por que a pessoa age desse jeito conosco. Por que conduz sua vida de tal forma. Por que não consegue se superar. Não entendemos e isso aos poucos começa a nos magoar.

Se a situação não for resolvida, com diálogo ou com ações, essa incompreensão começa a dominar nossos sentimentos em relação a essa pessoa. Basta-nos encará-la para aquilo doer em nós. Basta-nos vê-la em algum lugar, fazendo qualquer coisa, para algo em nós morrer. A mágoa começa então a nos corroer e a dominar nosso dia a dia, nosso humor, até mesmo a forma como efetuamos nossas ações.

Às vezes, a pessoa que nos magoou desaparece de nossa vista, de nossa vida ou até mesmo falece, mas a sensação de dor permanece. Sentimos que algo morreu em nós por causa dela. E a sensação de mágoa parece então nos dominar. E com isso contamina outras relações, que podem também ser afetadas pela mágoa, até mesmo sem querer. Passa-se o tempo e a mágoa se transmuta e passa a fazer parte de nós.

Para quem passa por décadas dominado ou dominada por uma sensação de mágoa, torna-se às vezes quase impossível descobrir as razões para o mau humor, para a descrença, para a letargia, para a sensação de que tudo leva, nela, ao fracasso. Até o momento em que descobre - até por aviso de amigos - que está dominada por uma mágoa que a corrói há tanto tempo que nem mais consegue perceber.

Para superar tudo isso, claro, existe o processo do perdão. Perdoar o outro. Perdoar a si mesmo. Mas esse processo é uma descoberta. Não costuma ocorrer de uma hora para outra. Aparece em lampejos, que nos dominam em ocasiões que parecem catárticas, e nas quais sentimos, quase literalmente, que nosso coração se abre, como dizem nos cultos religiosos. Não à toa, nos cultos, se diz que é abrindo o coração a Deus que superamos as mágoas e todas as dores que parecem não nos abandonar.

Mas quem passa por esse processo sabe que nada, nele, é simples nem rápido ou fácil de resolver. Quem experimenta o coração se abrindo sabe que tudo surge aos poucos, lentamente, até porque se for experimentado de forma brusca pode machucar até mais do que é possível aguentar. O processo de abrir o coração é algo que deve ocorrer de forma suave, compreensiva, muitas vezes na companhia ou sendo ajudado por entes queridos.

A mágoa é, então, uma dor com que é preciso conviver, sim, mas até o momento chave de abrir o coração. Quando esta abertura acontece, algo também nos parece levar mais longe, e nos conduzir a um novo mundo, de ausência de dor, e de compreensão, em que vemos finalmente um laivo de esperança no final do túnel. Podendo superar com Deus ou sem, é nossa última esperança.

Esperança que muitos inclusive jamais conseguem alcançar.


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