o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Ode a qualquer tênue esperança

Venho observando os posts do Obvious que comentam sobre amor, ou sobre relacionamentos, e noto como a maior parte deles (posso estar enganado) aparentam um pessimismo latente. É como se as pessoas que os escrevem estivessem proporcionando conselhos de proteção a quem não quer ser enganado/a, ou que não deve permanecer num relacionamento fadado ao fracasso, ou que prefere ficar sozinho/a ao invés de acompanhado.


dreaming-feild-girl-hope-love-Favim.com-326192.jpgNão há nada de errado nisso, como é óbvio. Cada um dá os conselhos que acha melhor. Mas me parece um sintoma desta geração atual, ou de uma certa parte de pessoas de índole mais intelectual, que tende a recusar a possibilidade de encontrar relacionamentos duradouros, ou de se envolver emocionalmente sem sofrer demasiado, ou de simplesmente deixar viver e viver, simplesmente. É como se as pessoas dessa geração estivessem diante do dilema do tudo ou nada, de conseguir alcançar algo que as satisfaça ou de perderem a paciência e jogarem tudo para o alto.

Acho curioso isso, porque todos nós sabemos que somos inteiramente responsáveis por tudo aquilo que nos acontece emocionalmente, o tempo todo. Porque não somos obrigados a cair de amores só porque estamos carentes deles, nem somos obrigados a recair em depressão só porque algum relacionamento em que botamos fé não deu certo. Todos nós também sabemos que caímos em armadilhas só se nos deixamos levar em nossas imaturidades, recaímos em saudades indevidas só se não fazemos aquilo que consideramos adequados (e depois sofremos), etc. Todos nós somos sempre responsáveis por aquilo que nos acontece.

Então, por que concentrar-se naquilo que deu errado? Por que perder tempo pensando no que poderia ter dado certo (se não deu)? Por que perder tempo pensando em mandar alguém embora se o que mais queremos é viver bem com nossos amigos? Por que concentrar os esforços de pensamento no que dá errado, deu errado ou pode dar errado? Não é melhor tentar decifrar como as coisas dão certo, quando dão certo, quando não dão muito certo mas mesmo assim são legais de lidar? Não é melhor concentrar-se no positivo ao invés de no negativo?

Minha teoria é que lamentar sangue derramado, pensar o tempo todo que a pessoa com que a gente está pode ser errada, pensar em estar em outro lugar, e não no lugar onde estamos, serve para nos distrair e nos fazer acreditar que não somos responsáveis por aquilo que fazemos. Porque é mais fácil culpar o outro, dizer que é uma pessoa errada, ao invés de admitir que talvez nós é que tenhamos decidido errado ao dar vazão a um relacionamento pouco promissor. Mas ocorre que tão logo admitimos o erro podemos simplesmente sair de nossa situação para outra melhor. Simples assim.

Talvez por isso eu esteja me concentrando, nos textos que faço, nos sinais pelos quais as coisas dão certo, mesmo que momentaneamente ou por pouco tempo. Porque é sabendo distinguir quando as coisas são boas para nós é que podemos realmente progredir. Fixar-se no que há de errado é pedir, em outras palavras, para sofrer demais ou mais do que necessário. Pois isso é liberdade. Livre é quem prefere olhar o Sol e curtir o vento gostoso da tarde. Embora seja livre também quem prefere reclamar do frio.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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