o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Porque é gostoso acreditar (mas não é possível repassar)

Como poderíamos expressar ao nosso amigo que passa pela rua tudo aquilo que passa pela nossa mente - e, ainda mais importante, pelo nosso coração?


a-cruz-e-milhoes.jpgQuando a gente tem uma crença, com frequência tem dificuldade ou até se vê impossibilitado de mostrar às outras pessoas seu valor, por que elas também deveriam segui-la e tudo mais. Porque a gente tem uma crença muito particular, eminentemente nossa, e a forma pela qual nós podemos expressá-la é, em última instância, até pior ou menos adequada do que a forma pela qual nós a experimentamos. Porque a crença se sustenta numa convicção tão profunda e tão singela que aparece em última instância apenas quando quer e do jeito que espera.

Acontece mais ou menos assim. Estamos resolvendo coisas, quando algo nos lembra nossa crença. Pegamos algum objeto valioso - no que lhe diz respeito - e não sentimos nada. Apenas inferimos, começamos a imaginar. Mas aí algo acontece, alguém nos diz alguma coisa, encontramos um amigo, percebemos uma energia, e pumba, a crença nos atinge. Percebemos nossa condição finita ao mesmo tempo em que nos convencemos da infinitude da nossa crença. E caímos de quatro. Nos emocionamos, nos contemos, ou choramos. Às vezes basta uma pequena imagem para tudo acontecer.

Como poderíamos expressar ao nosso amigo que passa pela rua tudo aquilo que passa pela nossa mente - e, ainda mais importante, pelo nosso coração? Como poderíamos tentar (apenas tentar) expressar-lhe algo disso que nos comove tanto, e que nos faz ver nossa história com outros olhos, ao mesmo tempo mais compassivos e exigentes, e fazê-lo ainda por cima acreditar que aquilo que passamos não é fruto singelo de nossa imaginação, apenas? Como provar-lhe por A mais B como essa crença abalou nosso interior, nos fez acreditar, e nos faz chorar com frequência, mesmo que ninguém veja? Como mostrar-lhe como as coisas acontecem?

Cumpre dizer que é impossível. Primeiro, porque não somos inteiramente donos do que sentimos, nem do que pensamos. Segundo, porque mesmo se fôssemos os requisitos para que uma comunicação acontecesse são tão estritos que não poderiam se dar entre uma pessoa que crê e outra que duvida. Terceiro, porque quando contamos a alguém algo que nos acontece desse tipo sentimos que nossa energia se perde, e que com ela também vai nossa convicção íntima de ser que eminentemente sente. Quarto, porque a gente, quando realmente crê, e sabe exatamente em que crê, de alguma forma gostaria que o outro também passasse pelo mesmo, mas perde a vontade pelo gosto mesmo de sentir. Porque é muito gostoso, é gostoso demais.

Claro que quem vê de longe aquelas pessoas cantando ou entoando aquelas rezas pode meter-se a pensar "que bobagem". Pode achar que são pessoas limitadas intelectualmente. Ou mesmo que são pessoas nas quais foi feita uma espécie de lavagem cerebral para chegarem a esse ponto. Eu mesmo cheguei a pensar muitas vezes dessa forma. Mas hoje, quando, em paz com minha crença, mesmo que não completamente imerso ou à vontade entre fiéis como eu, chego a sentir a paz que ela me traz hoje sou eu daqueles que se abandona. E decora as canções, bastante simples, e até quase as grita, convencido do que sente. Porque crer é demais. A gente se sente tão leve que praticamente nada se iguala à sensação. E é uma convicção interna tão forte que a gente chega quase a desabar.

Claro que, quando surgem aqueles grupos ou mesmo em missas, em que as pessoas se reúnem, levantam as mãos e cantam, a gente pode se juntar - ou se afastar. Porque algumas vezes tudo isso parece muito show business, realmente. Parece meio falso. Mas a questão é que ninguém nunca é obrigado a nada, quando surge uma situação como essa. A gente pode sair um pouco, dar uma volta, se sentir melhor consigo, e depois voltar, ou mesmo ir embora - talvez até levando embora algo das canções que estavam sendo cantadas. Ou podemos ficar até o fim, e se estivermos prontos podemos cumprir toda a cerimônia. E quando isso acontece, acreditem em mim, é duca. Duca demais.

Porque crer, podem acreditar, é realmente demais.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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