o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Quando o amor simplesmente aparece

O que será que acontece dentro de nós quando aquele "clique" bate na nossa porta, quando o sentimos de forma inapelável, quando não podemos mais resistir?


discovery-present.jpgA gente pode gostar por muito tempo alguém e nunca surgir aquele "clique" que faz tudo começar. Claro que esse "clique" não precisa surgir ao mesmo tempo. Muitas vezes, convivemos por anos com alguém e nunca surge aquele "clique" que nos convence: esta é a pessoa que queremos. Outras vezes, fazemos parte da vida de alguém por anos e ela nunca parece se convencer de nossa importância em suas vidas. Claro que muitas vezes esse "clique" surge ao mesmo tempo, naquele olhar que nos trai, naquela fala que, entrecortada, revela o que somos o que queremos, naquele momento em que um movimento apenas trai que a gente realmente parece ser feito um para o outro. Quando isso acontece, algo de maior acontece, todos nós bem o sabemos.

Mas o que será que acontece dentro de nós quando aquele "clique" bate na nossa porta, quando o sentimos de forma inapelável, quando não podemos mais resistir? Tentarei esboçar algumas impressões a respeito, com base naquilo que venho experimentando recentemente, com uma pessoa muito querida, pela qual aquele "clique" parece de vez em quando bater.

Imaginemos uma pessoa que nos atrai de alguma forma. Fisicamente, em termos intelectuais, ou pelo próprio jeitinho de ser. A gente pode se deixar atrair por ela, e mesmo cair em sua sedução. Podemos ficar apalermados ao vê-la tão linda ao nosso lado, conversando, ou se dispondo a nos confidenciar segredos, ou mesmo a brincar com a atração que exerce em nós. Isso não é suficiente para o "clique". A gente se sente atraído, e só.

Mas imaginemos que, após várias sessões de encontro com essa pessoa, após conseguirmos prever os seus gestos, e mesmo curtirmos sozinhos o seu jeito de ser, a gente começa a olhá-la com seriedade, como alguém que é realmente cara a nós, como uma pessoa importante em nossa vida. Isso não é suficiente também para o "clique". Isso revela a importância da pessoa em nossa vida, e revela que nos importamos com ela. Em suma, que nos acostumamos ao seu jeito de ser. Que ela faz parte de nós, de alguma forma.

Mas imaginemos que essa mesma pessoa passa por alguma dificuldade, ou enfrenta um desafio, ou requer o nosso favor, ou vem se lamentar para nós, porque somos importantes para ela. Imaginemos que naquele momento a gente se condói por ela, e se preocupa, e a colocamos até mesmo à frente de nossos próprios objetivos. Imaginemos que, num determinado momento, sentimos uma dor caso não possamos ficar com ela. Será isso o sinal de que ela é a pessoa que queremos? Talvez não, mas isso é mais importante.

Ocorre que num determinado momento essa pessoa se espraia ao nosso lado, começa a falar sem parar, parece que não nos olha ou não repara em nós, mas a gente se aproxima e quer ficar do lado dela, quer abraçá-la, quer beijá-la, quer estar ali, para sempre. Sim, isso é um sinal. Isso, e mais nada, pode querer nos dizer que essa pessoa é aquela pessoa que queremos o tempo todo ao nosso lado. Essa pessoa é aquela que nos faz querer viver com e por ela. É ela.

Termino com um excurso pessoal. Hoje, aconteceu um negócio estranho. Estranho, sim, mas revelador. Fui falar com ela, que me chamou por causa de um negócio que aconteceu em nossos prédios. Subi e conversamos a respeito. Eu a tranquilizei com respeito ao assunto, e comentei como estava bem, se virando bem, com os problemas que tem (de saúde, mas de leve). Combinamos nossa posição a respeito ao assunto e nos olhamos no espelho que ela tem na sala. De repente, enquanto ela falava, eu postei minha cabeça em seu ombro como querendo carinho, colo, algo assim. Ela não entendeu direito e continuou falando. Eu fiquei assim, meio que querendo me agasalhar em si durante um minuto mais ou menos, e ela não se opôs à minha tentativa. Nos olhamos brevemente e saí.

Eu nunca tinha feito isso antes com ninguém, nem com a minha mãe. Nunca assumi um comportamento ditado pelo meu corpo em direção ao corpo de alguém desse jeito que hoje aconteceu. Fiquei pensando nisso depois, pensando um pouco. E reparei que o que havia, em meu gesto, era puro carinho. A admissão de que gosto dela, de que quero me aproximar, de que quero ela em minha vida. Foi impossível de conter, compreendem? Na hora, eu nem sabia direito o que estava fazendo! Foi uma escolha. Foi algo vindo de algum lugar acima de mim para me dizer: vai lá. Foi amor. Foi o "clique".

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Contreraman

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