o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Quando uma busca sincera leva a um novo encontro, geralmente inesperado

Ou: meios de fazer a crença se aprimorar, e algumas formas para fazer com que os diversos meios toquem mais em nós em momentos de fraqueza.


La_conversion_de_Saint_Paul_Giordano_Nancy_3018.jpgSou um recém-reconvertido. Experimento muitas das tentações possíveis, assim como muitas formas de recuperar, o tempo todo. Passo na Igreja perto de casa que mais se adapta a mim (ou à qual me adapto) e experimento sensações diferentes, uma e outra vez. E busco sempre novas formas de me aproximar de Deus, assim como de mim, por intermédio dele.

Mas as formas pelas quais os processos acontecem sempre me surpreendem. Ora eu apareço na Igreja mas pareço me afastar daquilo que vejo, e peço em meu íntimo desculpas. Ora leio algo em algum livro que não posso comprar e isso não me anima, também. Ora tomo um café e um boa noite de uma moça, ou um gesto respeitoso de alguém, é o que me faz retomar a lide de acreditar.

Anoto biografias e livros de santos e os leio, e muitas vezes eles me animam. Outras vezes apenas perscruto textos dos Evangelhos que eu já havia decorado há muito, e de uma forma especial me tocam. Ou meramente vivo, e os gestos de pessoas com que convivo me fazem retomar um espírito que por outros motivos acabo perdendo. Nunca sei o que acontece.

Sei que quando fico muito distante da leitura dos Evangelhos, ou de livros ou de áudios sobre eles, eu enfraqueço. E é algo indelével, mas que afeta minha vida. Porque me sinto fraco, me sinto mais humano do que gosto, e mais sensível a pequenas tentações. Me sinto inclusive fisicamente mais fraco, e sei que isso só pode ser revertido lendo, me abrindo a Deus, das várias formas que eu conheço - e das quais sempre aparecem novas.

Hoje mesmo me senti mais fraco, e não foi apenas porque ontem me dediquei a algumas atividades que me consumiram. Foi, ao menos em parte, porque de alguma forma me distanciei dos escritos, e minha energia então diminuiu. Senti-me enfraquecido, e mais claramente sujeito a tentações diversas. No meu íntimo, senti que precisava voltar a eles. mas a forma tradicional não parecia surtir efeito. Precisava buscar novas formas, novos escritos, novas rezas, algo novo.

Claro, a leitura, a reza ou a ocupação de tempo para a religião distancia-nos, por instantes, de atividades que podem contribuir para nossa superação. Mas só quem reza e sabe o benefício que ela traz à pessoa entende que, em meio à reza, estão saídas, recuperações e aproximações a Deus e a nós mesmos que são, nos momentos chave de nossa vida, extremamente importantes. Porque nos ajudam a acordar, a ter disciplina, a nos sacrificarmos e a avançarmos para além do que imaginávamos. Assim como a vislumbrar horizontes onde não imaginávamos.

Um aspecto que no meu caso faz toda diferença é que, quando me deixo levar pela procura da religião, em algum contexto qualquer, essa procura me conduz a realidades que muitas vezes me trazem um resquício de solução, quando não a solução completa. Porque é como se, ao procurarmos, algo nos conduzisse em nosso caminho - sabendo nós bem claramente em que consiste esse algo: no Espírito Santo.

Por exemplo, se vou resolver alguma questão e paro por alguns minutos numa igreja, me deixo levar por buscas em meio a livros, que por sua vez podem me levar a santos, e estes podem me levar, se tudo for muito sincero, às suas vidas, e a descobertas para minha vida a partir delas. Ou quando páro e tomo um café na lanchonete do Santuário, que me leva a pessoas que me tratam eminentemente bem, sem que eu o espere. Ou a pessoas que não me tratam bem, e que me impelem a que eu me supere. Em suma, a busca leva ao encontro. Em nós mesmos.

Hoje, muito especificamente, enquanto olhava imagens do Espírito Santo, fui aos livros, e olhando um livro que gostaria de ter - mas que não consigo ter -, lembrei-me de anotar os santos com livros ali. Isso por sua vez me levou a uma busca na internet, e a encontrar as obras de São João da Cruz e Santo Antônio de Pádua, que por sua vez, com seus escritos e ensinamentos, me mostraram o caminho neste texto que escrevo. Enquanto isso aconteceu, algo mais aconteceu - que me conduziu a um novo encontro e a uma descoberta. Fiquei super feliz, eminentemente feliz. Imagino que sem isso, sem essa busca, não teria eu encontrado nada, nem a mim mesmo.

Espero que tenham apreciado.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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