o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Aquele momento em que cumpre suportar

Porque há momentos na vida em que não devemos mais desejar.


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Nós somos sujeitos desejantes. Que pedem e pedem. Que querem. Que precisam. E que mesmo quando precisam oferecer ao invés de desejar, desejam. Porque o ser humano clama por mais, deseja coisas, sensações, ou mesmo oportunidades para (diz ele) mostrar do que pode ser capaz.

Mas há momentos na vida em que não devemos mais desejar. Em que algo nos é solicitado, às vezes por outras pessoas, ou pelas situações, e em que nossa postura deve ser a de dar, doar, ao invés de a postura de pedir. Porque há momentos em que até nossa capacidade de dar em troca pelo que nos é dado é tão pequena que precisa ser colocada à prova.

É como andar no deserto, ou andar longas distâncias em busca de um porto seguro. Enquanto andamos, sabemos que o que nos cabe é suportar, aguentar, continuar andando sem reclamar e sem pedir nada em troca. Até porque essa coisa em troca não nos será dada. A não ser que suportemos e aguentemos firme, até chegarmos ao destino final.

Claro, há momentos em que, no auge do trabalho (tripallium, um instrumento de tortura), a gente sente que precisa pedir, que precisa de ajuda, que precisa de calor humano. E a gente pára para ver se consegue um favor de Deus, e se consegue um alívio em nosso afã que se mostra tão dificultoso. Mas mesmo esses momentos por vezes deveriam ser-nos proibidos, a depender de nossa situação. É quando deveríamos calar e aguentar, silenciosos.

Durante o afã, durante a dor, é muito difícil sentir que não devemos pedir nada em troca. É até difícil nos convencermos disso, porque queremos tanto algo em troca, porque tanto precisamos. Mas o fato é que, durante certas situações, nossa posição deve ser humilde e rasteira, até. Uma postura de ser que precisa aguentar sem pedir nada em troca. Absolutamente nada. Talvez até porque mereça estar na situação em que se encontra.

É assumindo esse tipo de postura que a pessoa sofredora adquire maior brio, mais força e mais orgulho de si, até para aguentar mais no trajeto árduo que precisa percorrer. É com posturas como essa que ela mal se reconhece a seguir, muitas vezes, e que depois mal consegue adivinhar de onde retirou tanta força para aguentar. É suportando em silêncio, sem expressar a dor que sente, que a pessoa muitas vezes realmente se encontra.

Durante um longo percurso, são muitos os percalços que nos atrapalham a caminhada. A eles, temos que aguentar com calma e postura. Não reclamar do caminho, até porque ele é ainda um caminho. Ao contrário disso, vislumbrarmos detalhes nele que nos possam ajudar a ir mais além. Assim fazendo, o tempo que corre corre por nós sem nos deixar marcas profundas demais, e conseguimos ver o panorama à nossa frente, ansiando pelo melhor.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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