o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Loucura

É difícil entender a loucura. Entendê-la SENDO louco, ou sofrendo de algum mal bastante sério, é ainda mais difícil. Mas de uma coisa temos certeza, nessa situação: o mal EXISTE, ele ESTÁ em nós, ele NOS HABITA.


1681970-inline-inline-1-creativity-linked-to-mental-illness-1-2-million-swedes-say-you-betcha.jpgConviver com a loucura é algo bem mais sério do que tratá-la em outra pessoa. Porque a gente só consegue conviver com ela refletindo a respeito, e ela pode estar justamente em nossa reflexão. Ou seja, enlouquecemos enquanto queremos nos curar.

Ficar sem tomar o remédio adequado faz com que a pessoa viva, sim, mas com um parafuso a menos. A pessoa sente que não é propriamente dona de seus atos. As pessoas a olham estranhada, e não conseguem saber por que a pessoa se comporta da forma que aparece.

Conviver com a loucura é sujeitar-se a ser influenciado por coisas que podem não nos dizer respeito, mas que, tão logo as vemos, parecem fazer parte de nós. É (no caso da esquizofrenia) como se os atos corriqueiros do dia a dia falassem por si, sem nos dizer nada claro, mas confuso. A loucura está na confusão. Não consegue distinguir os fatos das opiniões e dos aspectos meramente acidentais que ocorrem na vida de todos.

Ficar sem tomar o remédio adequado faz com que falemos com as pessoas sem nos apercebermos claramente da condição em que o fazemos. Ou seja, falamos quase como autômatos e com pessoas que não nos aparecem como claramente reais. São como fantasmas, que traduzem nossos medos.

Porém, viver normalmente também conduz a esse tipo de efeito. A questão é a escala. No doente, as coisas como que perdem a razão de ser pela própria enormidade que assumem. É como se os pequenos gestos nos machucassem demais, como se as pequenas falas não nos dissessem nada quando vêm de fora, como se a felicidade não nos falasse mais nada. Um momento de calma num doente é pior que procurar uma agulha num palheiro.

Quem não toma o remédio por muito tempo pode se sentir bem, em última instância. Mas em momentos chave a pessoa em questão como que derrapa. Não parece conduzir mais o veículo em que está viajando. Ou sente-se tratando tudo como se fosse infinitamente alheio, alheado, como se não tivesse nada a ver consigo.

O apelo à loucura é quase um sintoma de que não se consegue mais andar direito e sozinho no mundo. É também um apelo no sentido de ser deixado sozinho quando no mais das vezes só quer alguém perto de si. Apela à loucura quem diz não ter mais nada a perder. Porque talvez não tenha.


Contreraman

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