o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Porque o amor tudo embala, o tempo todo

É preciso que saibamos escolher nossos mestres em questões de amor.


What-the-Fck-is-Self-Love-Anyway-SoulCandySuday-MFS-Wild-Spirit-Moxie.jpgHá pessoas cujas convicções aprenderam a trabalhar a partir de suas experiências de adolescência e maturidade, e cujos conceitos aprenderam a derivar de seus cursos de graduação da área de humanas. Esse tipo de pessoa, quando tímida e sem muita desenvoltura, por vezes tende, contudo, a confundir o conhecimento da faculdade com as lições mais efetivas da vida.

É assim que eu, por exemplo, aprendi a não dar tanto valor a distinções sobre amor retiradas da verve de um Rousseau. Não que ele fale coisa que não valha a pena. Ele fala coisas bem legais. Seu estilo, então, é quase incomparável. Mas seu conhecimento de amor parece hoje distanciado demais do meu para realmente avançar fundo no meu coração. Daí que eu o abandono, nem o leio mais, e recaio em outras leituras, que tentem me esclarecer dúvidas que hoje sofro na carne.

Dúvidas amorosas que a gente sofre na carne não são algo que a gente tenha que tratar com frases ao léu, lições mal compreendidas ou com pessoas que não nos conhecem intimamente. As dúvidas que dizem respeito ao coração a gente sente precisar compartilhar só com gente mais madura, mais compreensiva, gente que consiga nos entender e que consiga se fazer entender. Não à toa muitos consideram que o amor a gente trata mesmo é melhorando nosso coração de forma geral, com religião.

Durante muito tempo, pensei que a gente transcorria por nosso caminho na vida isolado, sem ter com quem compartilhar nossas aflições. Nunca tive muitos amigos, e os que tive não sabiam de meus sofrimentos interiores. Também, eu nem os compartilhava direito sequer comigo, como poderiam sabê-lo. Porque o tempo foi passando e eu fui maltratando a tal ponto meu coração que chegou uma hora em que nem eu mais aguentava o sofrimento. Mas não sabia de onde ele vinha. Vinha do coração, esse tão maltratado de sempre.

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Hoje, tento entender os eventos pelos quais eu passo de forma mais sensível. Evito me envolver muito facilmente com os eventos dos outros. Tento compartilhar melhor comigo a aflição que por vezes me atinge. E nos fins de semana prefiro descansar um pouco mais na cama a levantar para resolver problemas que podem ficar um pouco para depois. Porque preciso me ouvir, ouvir esse coração que tanto tempo maltratei e mantive enjaulado.

Hoje percebo que a religião realmente me ajuda nessa tarefa. Que as canções, que antes eu apenas considerava bregas, parecem começar a entrar nos interstícios de meu órgão quente, vermelho, sedento de luz. Que as lições do padre Fábio de Melo me atingem, sim, mas sem que eu sofra tanto mais, sabendo agora mensurar o sofrimento e não ficando com o coração doído a noite inteira. Consigo ouvir, refletir, ponderar e me perdoar.

Noto também que os trechos do Evangelho, que antes me diziam algo como que eu tinha salvação, agora falam diretamente comigo, e parecem me fazer sorrir com meus movimentos de desespero de outrora. Porque hoje entendo que eles sempre estarão aqui, ao meu dispor, como lição de vida, e de morte. Porque morremos todos os dias, e disso até o cachorro mais vagabundo sabe muito bem.

Por vezes, chego a refletir como cheguei até aqui, e chego a quase não acreditar. Aqueles dias em que eu ia almoçar com os Evangelhos em mãos, e as coisas me eram reveladas, quase sem que eu o percebesse. Aqueles momentos em que eu ouvia lições simples do padre Fábio e chorava sem conseguir me conter na solidão do meu escritório. Outras vezes, em que eu descia nos prédios e pensava meio sem querer em meus familiares, desejando-lhes tudo de bom enquanto eles se preocupavam com minha situação.

Hoje considero que os cursos de humanas me deram bastante rigor de pensamento e curiosidade, assim como lições. Mas noto que a maturidade para pensar os assuntos que eles ainda me trazem eu a consigo mesmo pensando com o coração. Mesmo textos antigos, de história, parecem adquirir vida só agora. Como que o coração me abriu o olhar para o mundo, para o meu passado e dos outros, e para tudo o que me rodeia. Tendo a não sentir mais tanto medo, também.

É preciso que saibamos escolher nossos mestres em questões de amor. Que não nos deixemos levar por conselhos mal colocados, por atitudes impensadas, por situações que podem nos deixar mal. Porque o amor envolve tudo. Até mesmo o encontro com nossos chefes, com nossos parceiros, com as pessoas com as quais acreditamos juntos na vida. Pois nada escapa ao alcance do coração.

Bonus: 4'46 aqui.

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Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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