o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Poucas linhas sobre uma fé que se torna verdadeira

Não que a pessoa se torne mais desconfiada. É que agora ela passa a ouvir melhor a si mesma, e a falar menos sem pensar. Seus atos se tornam mais comedidos e sopesados. Suas demonstrações de júbilo religioso também ocorrem em geral em privado.


urlmm.jpgA trajetória de muitas pessoas parece conduzi-las necessariamente à derrota. Mas esse diagnóstico só aparece a muitos de nós quando sentimos que a pessoa em questão realmente desistiu. E a desistência é dada por uma desesperança que às vezes parece suplantar as forças de quem acompanhamos.

Pois para voltar a acreditar é preciso muito, muito mesmo. Quem já passou por momentos de real desesperança sabe disso muito bem. O raciocínio mesmo de pessoas nessas situações parece escapar totalmente do controle.

Pessoas assim nem conseguem repetir lições de fé. Elas parecem tomadas pelo desespero. Imagine então quando essas pessoas sofrem de algum mal psíquico. Nós as vemos ao nosso lado, e elas parecem enlouquecer com a mera menção dos seus problemas.

Há pessoas que conseguem retomar a vida com as próprias forças, sem apelar a religiões ou a meios outros de reânimo. Muitas dessas pessoas em geral não têm problemas que realmente as superam, porque ainda conseguem mexer com seus próprios recursos e avançar. Mas outras, talvez muito confusas com a situação ou com problemas passados que lhes tomam muito tempo, não o conseguem. Precisam se apoiar em alguma coisa.

Erra, porém, quem acha que para pessoas com problemas basta ir num culto e se sentir bem com o que acontece por lá. Ou se confessar, jogar os problemas para trás e comungar, sentindo-se com a leveza de quem sente que o mundo agora é para frente. Pois para acreditar é preciso algo mais, e o convencimento, para pessoas muito letradas (ou excessivamente letradas), é bastante dificultoso. Pois a pessoa tende a jogar para a cabeça (a mente) questões que precisa resolver com o coração. E a fé é um apanágio do coração.

Pois para realmente converter-se o processo é lento, e perpassa muitas dúvidas e inseguranças. Mas, em geral, quando a pessoa realmente se converte (o que acontece quase sempre com ajuda pontual de pessoas próximas), sua vida muda, a suas convicções a respeito da vida, de seus familiares, do seu passado e principalmente de si mesmo/a passam a sofrer uma reformulação realmente drástica. A pessoa sente isso no seu comportamento, na reação a acontecimentos cotidianos, e na forma como abarca os problemas que a envolvem. Ela não mais parece se desesperar. Parece que algo a induz a pensar mais alto.

Uma pessoa que se converte (ou que se reconverte, sem ter rompido com sua religião anteriormente) torna-se muito provavelmente mais conservadora, mais calada, mais atenta àquilo que acontece à sua volta, e com maiores dúvidas quanto às pessoas que a cercam. Não que a pessoa se torne mais desconfiada. É que agora ela passa a ouvir melhor a si mesma, e a falar menos sem pensar. Seus atos se tornam mais comedidos e sopesados. Suas demonstrações de júbilo religioso também ocorrem em geral em privado, embora ela não tenha vergonha de demonstrá-los em público. A pessoa se sente melhor, e sente que isso que veio parece ter vindo para ficar. Mas ela também sente que precisa lutar. E muito.

A verdadeira fé surge, nessas pessoas, como convicção que ultrapassa sua formação, suas dúvidas e mesmo seus questionamentos intelectuais. A fé nessas pessoas surge de forma altaneira, como que vindo do alto, e sustenta essas pessoas das formas mais incríveis. Por isso, essas pessoas parecem, sob determinado ponto de vista, estar vivendo uma vida de quase milagres. E mesmo quando essas pessoas passam por provações maiores, como a morte de entes queridos, elas encaram tudo com amor. Porque fé é amor. Amor de si e para os outros. Um amor maior. Que parece não ter fim.

Já passei, enquanto repórter, por igrejas em que ex-condenados ou recém-convertidos com vidas de muitos crimes e atos errados tinham que realizar atos comuns (como limpar uma parede ou montar uma cama) sempre sob a vigilância de superiores que os "obrigavam" a repetir o nome de Jesus Cristo ou a rezarem enquanto faziam as tarefas. Na época, eu me perguntava se a exigência precisava ser tão drástica. Mas hoje percebo que há um profundo ato de amor por detrás desse tipo de prática. E condeno como ignorância aqueles discursos de quem acha que o problema é religioso.

Mas hoje também percebo que não se pode exigir fé de quem não tem subsídios suficientes para ela. Que não se deve sair por aí falando em acreditar para pessoas que procuram defeitos em argumentos que mal entendem. Ou para pessoas que sequer se prontificam a ler os escritos religiosos com o cuidado que se pede. Pois a religião é algo que sai de dentro, e que sai quando deixamos nosso coração se abrir.

Tem um vídeo do padre Fábio de Melo que mostra o padre João falar: "foi então que eu notei que amar é abrir. E como isso é simples". E bonito.


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Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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