o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Quando a gente deixa o coração morrer

Nunca faça isso. Um coração que morre pode causar sofrimentos indizíveis em quem nos acompanha. E ainda por cima fazer com que nos percamos para sempre.


dead_heart_in_a_dead_world_by_noxifer-d5us6w4.jpgEste post é bastante pessoal, mas não consigo fazer com que ele deixe de sê-lo. Nesse sentido, muito provavelmente ficará escondido em meus posts até que alguém entre em meu perfil para lê-lo. É o destino. Há escritos que servem para ficarem escondidos, e só aparecerem para os escolhidos.

Há mais de 20 anos, meu coração se rompeu. Os problemas familiares e a incapacidade de fazer com que tudo voltasse a funcionar, assim como a morte de um ente querido, fez com que meu coração praticamente deixasse de funcionar. Minha vida seguiu, é claro, mas algo havia desaparecido para sempre em minha perspectiva de vida: encontrar a família em paz.

Por família eu sempre considerei pai, mãe, irmãos e eu mesmo. A tal ponto eu fiquei destruído com o que havia acontecido que simplesmente desconsiderei a possibilidade de começar de novo. De ter uma família para mim, com os valores de minha esposa e meus, com outra visão, com esperança. Eu havia deixado de ter esperança, a tal ponto meu coração quebrara.

Vivi os anos seguintes atrás de fixações intelectuais minhas, sem saber dar valor às pessoas que me rodeavam. Porque algo em mim havia me dito que família eu não poderia ter nunca mais. Tentei como um maluco me inserir nas famílias dos outros, tentei ter simpatia e abertura suficiente para acreditar. Mas algo havia realmente morrido em mim.

Passou-se muita coisa em minha vida, fiquei sozinho, sem ter com quem viver, arrumei vários amigos e amigas, mas algo continuava morto em mim. Esse algo que eu identifiquei no começo deste texto, mas de que só vim a dar real atenção agora, que me reconverti à religião católica. Algo parece ter enfim me dito qual era o problema. Por que eu parei no tempo.

Não vou entrar no mérito de minha vida, nos dias atuais. Digo-lhes apenas que enfrento muitas dificuldades, mas que venho sendo ajudado por diversas pessoas, tanto familiares como quase estranhos. Amo uma moça, que mora bem perto de mim, mas não perco mais a cabeça com isso. Porque descobri que quando a gente ama a gente não sofre necessariamente. Amor é algo gostoso de sentir. Mas não tenho a menor ideia quanto a se pode dar certo.

Pois é em meio a tantas atribulações que finalmente descobri quando é que minha vida desandou. Foi quando algo de belo, uma ideia, havia morrido em mim. Uma ideia de família que poderia se entender, uma ideia de irmãos que se amam, que confiam em si mesmos e nos outros, uma ideia de família como antes ela acontecia, quando eu me sentia feliz.

Pois agora, enquanto tento me virar na vida, é que sinto como, aos poucos, a vida passa novamente a fazer sentido para mim. Quando o lugar em que moro se torna lar, e não apenas um lugar para descansar, enquanto sofro sem parar. Quando percebo que tenho grande chance ainda de fazer valer os meus passos. Porque sinto que os passos são dados, e que eles parecem levar a algum lugar.

Fico muito feliz com esta sensação. Tanto que agora a dor que me acompanha consegue se esgueirar em meio ao meu choro e sumir no tempo. Tanto que agora lembro dos instantes passados com certa alegria e vontade de viver, e não mais com tanta dor que me impedia de me reconhecer no espelho.

Creio que as pessoas só passem por isso uma vez na vida. Este é meu momento. Fico feliz com isso.


Contreraman

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