o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Aquele momento em que o passarinho resolve novamente voar

É sobremaneira curioso como muitas vezes deixamos de aprender a partir de experiências pessoais, e como outras influências nos aproximam mais de nós mesmos do que imaginávamos suportar.


AAEAAQAAAAAAAAY0AAAAJGI4NjY2ZTk5LTQxN2QtNDJhZC1hMDI0LWRiMGQ3MmY4NWI0Ng.jpgTendemos a achar que a família é a experiência que mais fortemente deixa marcas em nós. Isso pode ser verdade tanto com respeito a lembranças de moleque, ao relacionamento com os pais e mães, mais ou menos distante, às primeiras amizades, aos primeiros namoricos, e mesmo aos primeiros amores. Muitos de nós somos realmente formatados por tudo aquilo que vivenciamos quando criança e jovem; e a verdadeira relação de nossos familiares conosco surge nessa época. Os carinhos que não somem. Os amores que permanecem. Mesmo com as brigas. Mesmo com a distância.

Acontece que muitos de nós meio que passamos pela vida. Vamos deixando os acontecimentos nos dominarem, os compromissos se avolumarem, as dores se esconderem, e com isso meio que nós nos afastamos de nós mesmos. Daquilo que sempre fomos. Daquilo que éramos. De como éramos. E nos tornamos, muito aos poucos, meras sombras do que parecíamos ser. Claro que muitas decepções podem fazer isso em nós. Também nossa acomodação pode nos motivar a deixarmos passar. Mas eis que podem acontecer fatos que nos deixem perdidos, sem sabermos quem somos, sem termos mais a quem apelar. Uma separação traumática, por exemplo. Ou uma fase de carência financeira que faz com que coloquemos tudo em questão.

É nesse momento que muitas vezes aqueles que nos conheceram quando éramos pequenos, criança mesmo, podem saber realmente quem ainda somos, quais defeitos ainda mantemos, quais progressos não conseguimos efetivar. Podem saber também quando estamos efetivamente carentes de conselho; quando estamos perdidos; quando não sabemos mais realmente quem somos. Claro, muitas vezes essas pessoas - nossos pais, nossos irmãos e irmãs - apenas estão do nosso lado porque confiam em nós. Mas como isso é importante em situações e momentos em que nós mesmos parecemos não confiar mais em nós! Ou quando não parecemos mais conseguir arcar sequer com nossos esqueletos!

Claro que, mesmo para pessoas que estão se reencontrando, e que se vêem a partir de impressões passadas há muito, resta muita estranheza. Porque as pessoas mudam, e às vezes mudam muito, a tal ponto que se tornam quase irreconhecíveis. Mas, para pessoas que passam por provações imensas, que fazem com que se percam de si mesmas e do mundo, o retorno a emoções passadas, a momentos da infância, a momentos tristes ou alegres, mas sempre representativos, faz com que a pessoa em crise por vezes consiga se redescobrir, consiga ver o carinho no outro distante há tanto tempo, e passe também a identificar em si a força de que precisa para poder navegar novamente, e sair à tona.

É nesse momento, após muitas ajudas, e muitos enlaces, em que a pessoa se encontra, meio que na dúvida de ter se encontrado, em que passa a navegar aos poucos por conta própria, e em que assume finalmente a própria vida, como aquele homem que foi, aquele garoto que era, e aquele filho que volta a ser, com carinho e muita atenção, que a gente percebe que aos poucos o antes garoto, antes rapaz, já tendo sido homem e tendo se arrependido de poucas e boas, começa finalmente a voar novamente. É então que sentimos que a família é retomada, o carinho se torna algo mais patente, as pessoas se aproximam embora continuem andando cada uma do seu jeito, e que o mundo se torna novamente uno, como se fosse aquilo que ele foi.

Claro que até esse momento as lembranças são muitos, os choros e as confraternizações também se multiplicam, e muitas conversões podem dar margem àquilo que as pessoas agora são. Porque o mundo não acaba, porque o mundo continua, e a felicidade de outrora pode ver-se representada numa felicidade posterior, a algum custo, por todos, ou quem sabe por quase todos.

Mas sempre num embalo por amor.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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