o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Empecilhos para a livre religiosidade

Pois ocorre que, nas diversas demonstrações formais de religiosidade coletiva que tenho visto por aí, por vezes me deparo com aspectos que incomodam muito.


st02.jpgNos mundos em que vivemos, ou nos deixamos amassar pela realidade, que nos torna cada vez mais afastados da sensibilidade alheia, ou embarcamos em buscas que nos fazem descobrir camadas cada vez mais profundas de nós mesmos, e isso pode se dar de forma laica ou religiosa.

Nas diversas amostras de religiosidade que vemos por aí, podemos nos aproximar de diversas formas daquilo que é sagrado - que normalmente consegue nos aproximar de nós mesmos. Podemos ir em missas, em cultos, ou avançarmos sozinhos nas igrejas, em processos ensimesmados ou compartilhados formalmente.

Ocorre que, nas diversas demonstrações formais de religiosidade coletiva que tenho visto por aí, por vezes me deparo com aspectos que incomodam muito, por sua aproximação com crendices que não levam a nada, ou com formalidades que também parecem muito afastadas do coração de quem realmente tenta se descobrir.

Vejo grupos de oração, por exemplo, em que depoentes parecem avançar em convencimentos vãos que não levam a nada, e que com isso só espalham a crença de que a religião é coisa de quem tem um parafuso a menos. Como querendo convencer de energias, de passagens necessárias, de intercessões, etc. Ou gente que se apega a imagens de tal forma que mal consegue pensar por conta própria se não tem uma à mão.

Por outro lado, embora em geral as cerimônias religiosas consigam comover aquele que se dispõe a abrir o coração, noto o quanto de formalismo vazio parece conduzir o tempo de quem só gostaria mesmo de querer abrir-se a Deus, e com ele conseguir abrir-se a si mesmo.

É bastante incômodo perceber que, em meio a tantas crendices e formalismos vazios, a fé parece afastar-se de nós, e só aproximar-se mesmo em meio a músicas que conseguem entrar em nossa fé, ou embalá-la quando estamos em casa. Porque muitos dos que cantam em missas deixam em geral bastante a desejar.

Nesse sentido, até se compreende por que muitas pessoas não vão às igrejas. Porque afinal de contas vêem tantas coisas desatinadas quando vão que deixam de se sentir motivadas a perder seu tempo com crendices ou formalismos. E por isso preferem abrir seus Youtube e assistir as palestras de padres ou mesmo ouvir canções católicas ou evangélicas de grande pedida.

Claro, não podemos ser tão rigorosos assim. As igrejas oferecem o que podem oferecer. Os cultos são como são, com as limitações de todos os envolvidos. E a Igreja Católica tem todo um afã próprio a cumprir, mandada pelo Vaticano e reproduzida por todos os padres e párocos. Nesse sentido, é até louvável ver como todas as igrejas evoluem com o tempo e acompanham os modismos, a utilização de novos ritmos nos cultos e mesmo a incorporação de músicas e inspirações de fora do religioso.

Mas em geral incomoda o desconhecimento, a chutação e o amadorismo. Nesse sentido, para quem procura fielmente nota-se clara a opção de seguir por conta, de ver as missas menos concorridas, de não frequentar grupos de oração em que a noção é mais tentar inculcar conhecimentos do que falar com o coração. Pois, para quem realmente busca, às vezes mais profundo é ouvir o matraquear de um bêbado, vê-lo tentando se manter de pé num ponto de ônibus ou clamando por Deus, ou mesmo conversar com alguém num espaço qualquer. Como um bar, num prostíbulo ou num ponto de ônibus.

Pois o coração está onde muitas vezes menos esperamos. E religião que não fala ao coração morre na cabeça.

11.jpg


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// //Contreraman