o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

O jornalismo e a política, hoje, dominados pelos deformadores de opinião

Porque, com o excesso de informações, temos acesso, contrariamente àquilo que poderíamos pensar, na verdade a uma confirmação do pensamento predominante.


KC02-Blog-Banner.pngCresci acreditando que, com a maior disseminação de informações, e que, com a maturidade dos meios de comunicação e das instituições, iríamos chegar aos poucos numa sociedade com maior esclarecimento político e informativo, assim como com menor dose de manipulação. Porém, isso tem se provado, com o correr dos anos, uma utopia. Ou seja, a informação ficou mais fácil, as instituições progrediram (e muito), mas a ênfase deformativa dos meios de comunicação (antigos e novos) tornou-se, em grande instância, ainda maior, e as pessoas não se tornaram necessariamente mais esclarecidas. Tentarei explicar por quê.

Meios de comunicação

Todo mundo sabe que, com a disseminação da internet, e a maior complexidade do panorama competitivo para os meios de comunicação, a fatia do monopólio das grandes redes sofreu um baque. Os grandes Jornais Nacionais diminuíram em audiência, e isso ampliou o espaço tanto para outros informativos (do mesmo tipo de meio de comunicação) quanto para a possibilidade de nos informarmos de outras formas (por internet, por blogs, por outros tipos de meios de informação).

Mas isso não parece ter mudado muita coisa. Os grandes Jornais Nacionais continuam dominando a paisagem, o discurso deles tornou-se em grande parte ainda mais conservador, os outros informativos não ficam atrás no consdervadorismo e na ausência de outros discursos discordantes, e os meios alternativos tornaram-se apenas repercutidores de temas batidos ou disseminadores de discursos restritos, antes, aos jornais ou meios mais sensacionalistas. Os blogs, que poderiam realmente ser mais esclarecedores do que a maioria, em geral se restringem a temas banais, e os artigos realmente esclarecedores são tão difíceis de achar que nem vale a pena procurar por eles.

Acontece também que, com a queda dos índices dos maiores hits de audiência informativa, os meios que cresceram e os que passaram a existir com os novos meios passaram a disputar a atenção entre si. E isso instaurou uma guerra. Hoje, todos os meios informativos guerreiam sem parar entre si. Os meios tradicionais brigam com a internet como um todo, e esta briga, em todas as suas formas, entre si sem parar. Isso é o que se costumou chamar de Economia da atenção (a partir de livros que estudam o fenômeno desde o começo dos anos 2000). Isso faz com que sejamos disputados por todos o tempo todo. E com que a disputa vá também para outros lados - para a diversão, o prazer imediato, as bobagens ditas por nossos amigos (no facebook), os canais do YouTube que reforçam nossos gostos ou até mesmo nossos preconceitos, etc.

Nesse panorama, a informação acabou perdendo. Hoje temos todos os meios de comunicação bem à nossa disposição, mas eles repetem o de sempre - quando são os tradicionais -, comentam coisas irrelevantes - quando abordam nichos de atenção -, são sustentados por quem quer nossa atenção a qualquer custo - e por isso precisamos lutar o tempo todo contra nós mesmos -, ou são simplesmente simulacros de informação - blogs sem credibilidade, espalhadores de boatos, ou mesmo de mentiras. Nesse panorama como um todo, muitos de nós tendemos a não querermos nos informar melhor. Ao contrário, preferimos ficar distantes de toda essa guerra por nós mesmos e nos atermos ao comum. A opinião geral que já tínhamos sobre tudo. Ou a reforçarmos, com outros meios - livros -, preconceitos que não queremos discutir.

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Preconceitos

Porque toda essa barafunda de informação fez, em grande parte, com que a gente se sentisse sendo disputado, e com que tudo parecesse insosso, na medida em que apenas busca nos agradar, conseguir algum like nosso, ou aumentar a interatividade conosco de alguma forma, por meio de presença, de envio de alguma informação (ou solicitação), de transação (quando no e-commerce), etc. Até mesmo nossas entradas na internet e saídas ao menor sinal de interesse são utilizadas pelos especialistas em marketing de conteúdo, Analytics, Ads e coisa que o valha como informação relevante para tentar nos captarem novamente. Sentimos a nós mesmos sendo monitorados o tempo todo.

Ocorre que nós também monitoramos. E assumimos isso quase como uma segunda natureza, atualmente. Não estou me referindo ao Facebook, que é a ferramenta mais usada para monitorarmos nossos conhecidos e amigos. Refiro-me a que estamos o tempo todo de olho na opinião do outro, em suas escorregadelas, em seus preconceitos e mesmo em suas discordâncias em relação àquilo que nós mesmos achamos do mundo. Nesse sentido, parece que tudo está absolutamente tomado por opiniões, a favor e contra, informações a favor e contrárias, boatos (a favor e contra), e tudo mais. Como nos informarmos de forma adequada, sabendo do que falamos, e tendo um discurso coerente? Pego-me excluindo de minha timeline posts que vão completamente a favor de minha visão do mundo porque é informação de mais, e não preciso dela. Estamos assombrados por nossas próprias visões daquilo que o mundo é ou poderia ser.

Nesse panorama geral, como não recairmos em nosso passado, em nossas próprias experiências (falhas), em nossos preconceitos? Pois é assim que noto que as pessoas em geral fazem: não querem saber de informação relevante que possa aparecer, não querem discutir novas informações que fazem a pleiade de interesses das pessoas bem informadas, não querem sequer pensar a respeito. Enfronham-se em si mesmas e não querem sair de lá. Preferem não saber de nada e, portanto, deixar tudo como está. Porque tanta informação, de um lado e de outro, conduziu ao anomismo. Estamos presentes apenas virtualmente. Não queremos saber, no fundo, a respeito de nada.

Pesquisas

Claro, vocês poderão me dizer: mas hoje podemos pesquisar. E nessas pesquisas podemos ir a distâncias antes inimagináveis. Sim, correto. Mas para quê? Para publicar num blog que ninguém acessa? Para escrever na nossa timeline do facebook, para que nossos amigos não compreendam ou se afastem, achando-nos uns chatos? Para enviar para alguma editora, grande ou pequena, que provavelmente nem irá levar a sério? Para comentarmos em algum espaço disponível no final de uma matéria qualquer (provavelmente muito mal feita)? Tudo isso mostra claramente que, por serem imensos os espaços hoje, não há espaço para praticamente nada de mérito.

Claro, vemos, com a miríade de recursos atualmente disponíveis, alguns jovens ou não tão jovens destacando-se com artigos de alguma profundidade maior. Vemos também artigos imensos que alguma boa alma redigiu em algum site de boa extração. Vemos também raciocínios rasteiros sendo facilmente desmontados por jornalistas de renome. Mas essas todas são exceções. No frigir dos ovos, nada disso causa nenhuma diferença relevante no pensamento predominante. Que é, quase sempre, feito por ocasião para satisfazer preconceitos bastante arraigados e para repercutir informações que muitas vezes são falsas. Em suma, vemos o mesmo do mesmo, ad infinitum. Quem rema contra essa corrente, acaba quase sempre ficando decepcionado com o andar da carruagem e acumula um pessimismo latente até se cansar, também.

Porque, com o excesso de informações, temos acesso, contrariamente àquilo que poderíamos pensar, na verdade a uma confirmação do pensamento predominante. Sendo que o próprio sistema se encarrega de nos decepcionar, ao nos dar subsídios suficientes para desqualificarmos tudo, sem que isso possa contar para nada. É nesse ponto que nos encontramos, sendo que, sabedor de tudo isso, o cidadão comum prefere portanto se manter quieto e desinformado. Melhor para ele, para sua bílis, e para manter a calma nos assuntos cotidianos. Muito melhor para ele.

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Haverá saída a esse estado? Duvido. Pois o fato é que os acontecimentos se sucedem, vemos tudo se acumulando e desaparecendo às nossas vistas e nada de novo surge realmente diante de nós. Talvez possamos, claro, adiantar algo de novo por meio das ferramentas de busca e das tendências, que com o tempo se mostram cada vez mais reais. Mas basta algo assomar para acima da carne seca para entrar na jogada, sendo que muito pouco do que surge a partir de então realmente consegue se salvar.

Como sempre.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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