o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

ÀS VEZES

Às vezes, vislumbramos saídas aos problemas em que nos metemos. Mas às vezes também complicamos tudo ainda mais.


IMG_0984.JPGÀs vezes, fazemos tudo errado. Às vezes, fazemos tudo errado tentando, de todos os modos, acertar. Às vezes, tentando acertar, até conseguimos algo, mas é muito menor do que aquilo que saiu errado. Às vezes, sentimos que acertamos quando o que mais fazemos é errar. Às vezes, o erro que cometemos é cumulativo. Em si, ele não parece dizer muita coisa. Mas no fundo, acumulado, é um erro dos maiores que poderíamos imaginar. Às vezes, até sentimos lá no fundo de nós em que consiste esse erro. Mas deixamos passar. Porque às vezes queremos mais acertar do que realmente acertamos. E com isso erramos rotundamente. Às vezes, mal pensamos no que fazemos, então só podemos errar. Às vezes, precisaríamos parar, para entender o que fazemos. Mas não paramos porque queremos, a todo custo, acertar. E erramos. Pouco, mas erramos. Erramos um erro que se torna a todo instante maior. E que um dia fará tudo explodir.

Às vezes, nossos erros nos conduzem a outros - que também cometemos. Mas às vezes eles também nos mostram saídas - que não vemos. Às vezes, esses erros são tão pequenos que as pessoas que nos amam deixam passar. Mas sentimos a condescendência, e também deixamos passar. Às vezes nos acostumamos com esses pequenos erros - e achamos que a outra pessoa irá também se acostumar conosco. Às vezes isso acontece. Às vezes não. Às vezes, a pessoa apenas deixa passar, torcendo para que vejamos o que fazemos. Torcendo para que reparemos. Mas às vezes a gente realmente não repara. Às vezes, não há nada que consiga nos fazer reparar em nada. Às vezes, a gente até acerta, e é bonito de ver. Mas às vezes isso é tão pequeno, tão mixuruca, que desaparece num breve instante. Às vezes, sentimos que navegamos perdidos em meio a um nada que nos domina. E portanto às vezes erramos continuamente, sem sabermos aonde nos dirigimos. Se bem que às vezes acertamos. Às vezes. Que não são muitas vezes.

Às vezes reparamos nos olhares dos amigos e parentes quando metemos os pés pelas mãos. Mas no mais das vezes não reparamos e continuamos nosso caminho. Às vezes, sentimos um certo mal-estar ao percebermos como as coisas vêm sendo conduzidas por nós. Mas às vezes nos esquecemos inclusive disso e portanto continuamos. É quando resolvemos avançar ainda mais nas coisas como sempre as tratamos e esquecemos das pessoas ao nosso redor. Às vezes, sentimos algo se esgarçando em nosso interior, quanto mais as coisas pioram. Mas isso ocorre apenas às vezes. Na maioria das vezes, não olhamos bem nos olhos de que nos apoia (por enquanto) e insistimos em projetos nos quais não acreditamos mais tanto assim. Às vezes, abrimos nosso olhar e nosso julgamento às pessoas que ainda nos apoiam, e até vislumbramos formas de mudar, de avançar de outra forma. É quando vemos quem nos acompanha, e percebemos como, às vezes, nos tornamos um pouco melhores. Mas isso só acontece às vezes.

Às vezes, entendemos a reação dos nossos amigos e familiares à forma como agimos. E é quando refletimos conosco: talvez estejamos errados. Às vezes, então, mudamos alguma coisa como agimos. É quando vemos, às vezes, no olhar dos nossos amigos, que algo parece enfim melhorar. Apostamos nisso, e às vezes notamos os olhares de aprovação. Às vezes, também, os olhares de desaprovação - nas nossas quedas. Às vezes entendemos isso não como uma espécie de vingança, mas como pequenas amostras de amor. Às vezes é difícil percebermos isso. Mas às vezes é mais fácil. É quando enfim os vemos, aos familiares e amigos que nos amam, e começamos a acertar juntos. Mas isso só acontece às vezes. Às vezes voltamos atrás, por nossa conta e risco, e nos sentimos enfraquecidos, por nadarmos contra a corrente. Mas às vezes nos arrependemos, e conseguimos retomar o caminho. Às vezes acertamos, então. Às vezes acertamos. Mas só às vezes.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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