o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

QUANDO VISITEI PARIS (1)

Um périplo pela Cidade-Luz.


16640553_1885774378360611_6940882015289252795_n.jpgEm 2003, eu acabara de entrar numa editora, com toda a gana para trabalhar, e em março ocorria, em Paris, um evento internacional que alguém precisava cobrir. Eu tinha dois colegas jornalistas na redação, mas, por algum motivo, a diretora me escolheu para ir ao evento. Eu queria trabalhar, realmente, não viajar. Havia ficado um tempo desempregado, e queria fazer jus ao meu novo emprego - que talvez eu viesse a querer que continuasse por muitos anos (o que acabaria se concretizando). Mas viajar a Paris era um presente.

Mas minha ideia de Paris ou de qualquer cidade das "metrópoles" (ou mesmo de cidades historicamente importantes aqui no Brasil) era diferente da das outras pessoas. Eu nunca me deixei dominar pela ideia de que visitar esses lugares era chique (mesmo que até certo ponto fosse, como consideramos, nós, latino-americanos pobres, algo "chique"). Eu, que sempre considerava antes de mais nada minhas leituras sobre história, considerava que Paris era o lugar em que Rousseau andava e escrevia seus Devaneios, em que Marat parava em algum lugar e se mostrava dominado por seus acessos de loucura cidadã, em que os mortos dominavam o local e em que os direitos do Homem haviam sido proclamados, em que as pessoas eram guilhotinadas por excessos ou faltas, em que a História acontecera.

Mas isso não acontecia apenas com Paris. Porque eu sempre tive uma imaginação fértil, visual, e quando visitei Ouro Preto quase via Tiradentes percorrendo as ruas largas, com paralelepípedos e portas e janelas de grandes dimensões. Ou em cidades dominadas pelo ciclo do ouro eu via os senhores das terras dominando a paisagem, e os negros e escravos diversos ficando só com os restos. Ou em Los Angeles (que eu também visitei em 2003) via os artistas colocando suas mãos em frente ao Teatro Chinês. Para mim, Paris e outras cidades eram apenas lugares onde a história acontecera, e ainda acontecia (em minha mente, na história ou nos confins dos tempos). Claro, as cidades eram também lugares caros, em grande parte conservados, uma espécie de museu a ser trilhado. Mas era o aspecto eminentemente pessoal que mais me atraía. Isso, nos momentos que sobrassem daqueles dias em que iria trabalhar.


Contreraman

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