o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

TODO DIA AS FLORES NASCEM DIFERENTES

Só venho aos poucos me encontrando agora. Vendo de vez em quando suas fotos, de mulher toda refeita, com outra companhia, e com outros ambientes.


200-Pcs-graines-rares-hollande-Rainbow-rose-Fleur-jardin-arc-Rare-Rose-graines-de-fleurs.jpgForam anos ela me acompanhando nos lugares em que decidíamos ir. Decidíamos, digo agora, quase como modo de dizer. Ela realmente não sabia o que queria. Ia comigo e curtia na medida do possível, achando que aqueles eram lugares em que EU queria ir. Mas era mentira. Eu ia àqueles lugares tentando compatibilizar o que ela gostaria de ver com o que eu podia gastar. Porque no fundo eu não queria obrigá-la a ficar em casa. A me deixar lendo e pesquisando. A me fazer a comida, ou a fazermos a comida juntos. Eu respeitava o seu jeito de ser. E ela o meu. Tudo na medida do possível.

Mas perdemos a vida por delicadeza. Talvez eu devesse ter-lhe dito: podemos ficar em casa hoje? Ou talvez eu devesse ter-lhe dito que queria economizar e não mais jantar fora. Ou talvez eu devesse ter-lhe dito que eu queria ouvir um CD com ela, mesmo que ela não gostasse tanto, para podermos curtir juntos. Mas eu não fiz isso. E com o tempo a perdi. O tempo e suas descobertas. Porque ela, num determinado momento de nossas incompreensões, decidiu se encontrar. E foi eficiente. E foi determinada. E hoje ela me dá um puta orgulho. Muito embora o preço para isso tenha sido ela me deixar. Ou ela deixar que eu fosse embora. Ou ela me mandar embora. Porque no fundo eu não queria ir. Eu havia me acostumado àquele clima de mútua subserviência. Um clima que estava me enlouquecendo. Mas que era a única vida que eu imaginava para nós.

Eu não havia sido nada sutil, porém, em alguns pequenos maus-tratos que sem querer cometi contra ela, contra mim e contra outros seres em minha incompreensão de mim mesmo e do mundo que me cercava. Eu no fundo não aguentava mais tudo aquilo, mas havia me disposto a ser um escravo de algo que eu não entendia por não ver mais opção na vida que eu via ao meu dispor. Minha única saída, que era pequena, consistia em realizar pequenos textos em busca de mim. Textos que eu divulgava em blogs e que eu às vezes transformava em pequenas peças de teatro que nunca iriam ser encenadas. No fundo, eu admiti, quando perdi a batalha, e a guerra, que eu não sabia mais para que estava vivo. O que fazia tudo se manter mais ou menos de pé. Mas ela sabia que não queria mais aquilo. E fugiu. Foi em busca de si. E se encontrou. Eu permaneci perdido os cinco anos seguintes.

Só venho aos poucos me encontrando agora. Vendo de vez em quando suas fotos, de mulher toda refeita, com outra companhia, e com outros ambientes. Vendo que ela no fundo permanece a ótima pessoa que sempre foi. Vendo que ela me assumiu como passado, e que talvez tenha assumido também como algo ruim que lhe acontecera na vida. Viajamos muito, visitamos muitos lugares, conhecemos algumas pessoas, ela conheceu algo de meus problemas absurdos, que quase me enlouqueceram. Mas não conseguimos nos manter à tona. Uma pena. Penso nela com muito carinho, com amor até, e com bastante compaixão, porque sei o quanto ela infelizmente sofreu em tudo que passamos. Mas também me lembro de tudo quanto eu sofri. E percebo que foi necessário. Para me encontrar. Para me desafiar. E para perder, também, enquanto percebo os poucos ganhos nas flores que fotografo agora todos os dias em busca de uma luz que ainda possa brilhar em mim.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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