o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Quase todos dizem que crêem. Mas será que realmente poucos são os que vão às igrejas, Igreja ou cultos?

Será?


bCua06Dom-Ramos-Dies-Domini.jpgFaz algum tempo que não escrevo neste espaço. Fi-lo bastante durante meu processo de conversão, para o catolicismo, que considero quase terminado. Hoje leio e rezo de forma sutil e forte, em momentos alternados, sem com isso sentir que estou sendo convertido. Pois creio que já sou um convertido. Bastante tradicional, um convertido católico que reza bastante e que decidiu ir à Igreja todo domingo mas que, sempre que passa em frente a uma igreja em que se sente à vontade, entra e reza. Um sujeito que não tem mais vergonha de andar com a Bíblia embaixo do braço, mesmo que tenha um passado de muito estudo laico, ou de alguma forma quase contrário à religiosidade que hoje professa.

Um sujeito que formalmente ainda não foi crismado (estou fazendo catequese de adultos), que lê livros sobre história de religiões e comentadores sobre a Bíblia de forma bastante insistente, e que voltou a ler o Antigo Testamento, mas agora de forma mais leve e séria, como estudioso. Mas um sujeito que, por ter feito Filosofia numa boa universidade, por ter navegado no âmbito da arte por vários anos (especialmente no teatro e nas artes plásticas), e que, por ter um jeito bastante peculiar de se comportar (houve heavy metal em profusão, anda com casaco de couro constantemente, e tem um jeito meio tosco de lidar com a vida), encara o cristianismo, o catolicismo, os ritos e a religião como um todo de um jeito bastante particular. Um sujeito que não arreda pé de suas liberdades, sabendo-se contudo fiel a um Deus que as vê e as guarda constantemente.

Reconverti-me ao catolicismo. Frequento um santuário que fica numa avenida muito movimentada, em um dos centros da cidade em que moro. O santuário tem mais de 30 anos de existência enquanto santuário, e cinco padres atuam lá. Há missas todos os dias, em quatro horários diferentes. Frequento as missas em horários os mais variados. Há dias e ocasiões em que elas ficam bem vazias. Mas outros em que elas aparecem bastante cheias. Por questões de idiossincrasia, eu evitava as missas muito cheias. Mas hoje frequento as de domingo, que são bastante concorridas. O santuário fica lotado, e as missas são bastante animadas. Muito boas. Algumas até muito emocionantes. Mas as missas de dia de semana costumam ser bastante vazias. São boas, até, mas um pouco mornas. Eu preferia essas missas até há pouco tempo. Mas hoje não tenho bem preferência. Simplesmente as missas são uma ocasião para um encontro. E mesmo as missas mais agitadas são uma boa ocasião para o encontro com Deus.

Não frequento outras igrejas. Já falaram para mim de diversos outros templos, de igrejas evangélicas, até mais próximas de casa, mas não vou. Nem sei se são muito frequentadas. Sei apenas que estou bastante conformado com a Igreja em que vou. Gosto dos padres, sem exceção, comungo sempre que posso, e confesso sempre que devo. Meio que me acostumei a ser o que sou. Um cristão católico recém-convertido, que frequenta a catequese de adultos, e que aprende continuamente a respeito da religião que professo. Confesso também que nunca imaginei que fosse me sentir tão bem naquela igreja em que vou. Hoje (domingo de Ramos) até participei da leitura do dia, com encenação, e me saí tão bem que fui convidado a fazer a leitura nas missas dos domingos às 15h, uma espécie de must do santuário. Fiquei muito feliz, como se tivesse sido promovido.

Mas leio sobre fé nos meios de comunicação e a ideia em geral que noto é a de que somente igrejas evangélicas ficam lotadas (mentira), que as outras são muito formais (também outra mentira), que não têm atração para jovens e idosos, assim como para crianças (outra mentira). No templo católico que frequento, tudo é bastante livre e solto, muito embora tenha monsenhor, diácono e toda uma série de pessoas que fazem com que aquilo funcione - de acordo com os ditames da Igreja Católica. Mas não vejo algo tão atrasado quanto antes eu poderia fazer crer que fosse, nem algo tão apelativo para quem sente sua fé maturando com muita leitura e bastante cuidado. Nada. Vejo um templo bastante concorrido, com gente variada, em que me sinto realmente muito bem. E vejo que as missas dos dias da semana não são muito concorridas simplesmente pelo horário em que ocorrem, só por isso. Há fiéis, e muitos, mas eles estão ocupados durante a semana. Mas quando vão à missa vão para valer. É muito bonito de ver.

Por isso, e só por essa minha experiência, creio que não existem poucas igrejas cheias, nem muita disputa por coisas menores. Simplesmente vejo que a maioria acredita, que pessoas mais do que o suficiente enchem as igrejas nas ocasiões importantes, que muitos acreditam mas que não frequentam por diversos motivos, e que há espaço mais do que o suficiente para acreditar e para divulgar sua fé.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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