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Gustavo Araújo

Já tentou escrever um resumo de sua vida várias vezes e não conseguiu. Depois que viu o mundo e não quis mais parar, ficou ainda mais difícil.

Don’t you forget about John Hughes

Poucos conseguem captar a essência da vida de um adolescente. Essência essa como os dramas do crescimento de um modo mais próximo do real e com respeito aos futuros adultos. No meio desse turbilhão de sentimentos e descobertas surgiu John Hughes, salvando muitos desses jovens perdidos que lutam a entender essa difícil fase.


image1_post4.jpgJohn Hughes

Hughes marcou uma geração. Lembrando dos anos 80 e início dos 90, é impossível não recordar de suas comédias adolescentes. A primeira delas por sua direção é o filme Gatinhas e Gatões (Sixteen Candles), que conta a história de uma garota e tudo o que acontece de ruim no dia em que completa 16 anos. Sua família esquece de seu aniversário, é ignorada pelo garoto de quem gosta, é perseguida por um garoto que é apaixonado por ela, entre outros problemas.

Junto com a estreia de Gatinhas e Gatões, nasceu uma nova estrela de filmes adolescentes, a atriz Molly Ringwald, que interpreta a personagem principal do filme e se torna a queridinha de Hughes, atuando depois em outros filmes do diretor e roteirista. Não apenas Molly, como também Anthony Michael Hall, que começou ainda antes a trabalhar com Hughes no filme Férias Frustradas (National Lampoon’s Vacation), no qual o cineasta escreveu em 1983, um ano antes de começar a dirigir.

image2_post4.jpgClube dos Cinco

Já em sua segunda direção, aparece um de seus filmes mais importantes e memoráveis: Clube dos Cinco (The Breakfast Club), considerado um dos melhores filmes do gênero, se tornando um clássico cult e virando influência para várias outras obras. O enredo de Clube dos Cinco conta sobre o dia de cinco alunos em detenção num sábado no colégio. O foco em que o filme permanece é sobre os diferentes tipos de personalidades adolescentes e como eles agem em grupos, não sendo exatamente como realmente se sentem. Aos poucos durante o filme, descobrem que mesmo em suas diferenças possuem muito em comum, principalmente em seus problemas e relacionamentos com os pais.

Um dos momentos mais importantes do filme é quando os cinco personagens se sentam em círculo na biblioteca e contam as razões de terem entrado na detenção. Curiosamente, Hughes não tinha escrito falas para essa cena e autorizou para que os atores falassem o que quisessem.

Para muitos, o melhor filme de John Hughes estreou nas telonas em junho de 1986. Aclamada como um clássico, Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off) é vista até hoje como um filme que não cansa de ser assistido novamente.

image3_post4.jpgMatthew Broderick em Curtindo a Vida Adoidado

Assim como Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado foi escrito por John Hughes em dois dias e contém cenas de improviso dos atores. Seguindo o modelo de seus outros filmes, Hughes conta a história de um dia em particular do personagem, nesse sendo Ferris Bueller, um garoto preguiçoso que não quer ir ao colégio para poder curtir seu dia. Ferris é interpretado por Matthew Broderick, tendo pelos críticos como uma de suas melhores atuações e ainda foi indicado ao Globo de Ouro como melhor ator de comédia / musical. O filme mostra como Ferris Bueller além de ter o dom de saber mentir, tem o dom de saber se divertir ao melhor estilo possível, com uma rara Ferrari e tudo. O filme apresenta também uma interessante narrativa do personagem falando com a câmera, contando os porquês de suas atitudes e comentando sobre o seu dia.

Entre outras obras famosas dirigidas por Hughes estão Mulher Nota 1000 (Weird Science) e Antes Só do que Mal Acompanhado (Planes, Trains & Automobiles). E outras apenas roteirizadas por ele estão grandes clássicos como A Garota de Rosa Shocking (Pretty in Pink), Esqueceram de Mim (Home Alone), Esqueceram de Mim 2: Perido em Nova York (Home Alone 2: Lost in New York), Dennis, O Pimentinha (Dennis the Menace), Ninguém Segura Esse Bebê (Baby’s Day Out) e 101 Dálmatas (101 Dalmatians). Ainda em seu currículo de roteiros, mas utilizando o pseudônimo de Edmond Dantès, fazendo homenagem ao personagem principal de O Conde de Monte Cristo, ele possui Beethoven, O Magnífico (Beethoven), Encontro de Amor (Maid in Manhattan) e Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor (Drillbit Taylor).

image4_post4.jpgA Garota de Rosa Shocking

No início dos anos 90, Hughes parou de dirigir filmes e voltou a morar nos arredores de Chicago, onde havia crescido. Por algum motivo, o cineasta resolveu se isolar. Depois da morte de seu amigo, o ator John Candy em 1994, no qual também trabalharam juntos em alguns filmes, ele se manteve ainda mais recluso. O motivo aparente desse sumiço de Hughes de Hollywood foi por não aceitar roteiros impostos pelos estúdios no qual ele não se identificava, tendo aquele famoso padrão “pastelão”. E talvez também pelas duras críticas que recebia por seus filmes, mesmo com o sucesso que faziam.

Em um documentário criado pelo cineasta Austin-Sadowski e seu grupo, eles partem em busca de encontrar John Hughes, descobrindo onde era sua casa em sua cidade natal. Documentário esse entitulado como “Don’t You Forget About Me”, o mesmo nome da música encomendada especialmente por John Hughes para trilha sonora do filme Clube dos Cinco, gravada pelo Simple Minds. O objetivo dos cineastas além de encontrar com o Hughes, era de poder lhe entregar um material coletado por eles, contendo depoimentos de vários atores e profissionais envolvidos ao longo da carreira do mesmo, dizendo que sentiam a sua falta e como gostavam dele e de seu trabalho. E também depoimentos de jovens e adolescentes comentando como seus filmes eram importantes em suas vidas. Vale a pena assistir.

image5_post4.jpgJohn Candy, John Hughes e Steve Martin

image6_post4.jpgAnthony Michael Hall, John Hughes e Molly Ringwald

image7_post4.jpgJohn Hughes e Matthew Broderick

image8_post4.jpgJohn Hughes

John Hughes faleceu aos 59 anos por um ataque cardíaco, pouco mais de 4 anos atrás, no dia 6 de agosto de 2009. Mesmo com essa reclusão de Hughes, ele sempre será lembrado pelo ótimo diretor, roteirista e produtor que era. Suas obras provam isso. Seu modo de entender as mentes adolescentes, junto com seu talento, renderam ótimos dramas e comédias cinematográficas. E com certeza, com todas elas, farão que não esqueçamos de John Hughes.


Gustavo Araújo

Já tentou escrever um resumo de sua vida várias vezes e não conseguiu. Depois que viu o mundo e não quis mais parar, ficou ainda mais difícil..
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