o reverso do ser

reflexões sobre literatura e arte

Sara Timóteo

Sara Timóteo publicou Deixai-me cantar a floresta e Chama fria ou lucidez em 2011 pela Papiro Editora na sequência da atribuição, respetivamente, do 1.º e do 2.º lugar no 2.º Concurso de Poesia Aníbal Faustino em 2009.

Publicou em 2012 Refúgio Misterioso; em 2014 publicou Os Passos de Sólon (prémio Mensagem Notável atribuído pela Lua de Marfim Editora), Elixir Vitae e Os quatro ventos da alma (menção especial no Prémio Literário Glória Marreiros 2014), todos através da Lua de Marfim Editora.

Em 2015, publicou O Telejornal (peça de teatro infantil) através dos Cadernos de Santa Maria.

Em 2016, publicou O Corolário das Palavras (Rui M. Publishing, e-book) e o livro de poesia Refracções Zero.

Em 2017, publicou Compassos e Diário Alimentar (Costelas Felinas, Brasil).

Em 2018, publicou «Manual dos Ofícios: um conto longo sobre a anuência do mal», concorrente ao Prêmio Oceanos 2019.

Tem dois livros de não-ficção e um livro de poesia bilingue publicados nos E.U.A..

Os métodos de cura utilizados entre os séculos II AEC e III EC

Este artigo pretende dar a conhecer alguns métodos de cura utilizados na Península Ibérica entre os séculos II AEC e III EC. Foi reescrito tendo por base uma palestra com recolha e investigação do grupo MI da PFI-ACP, ao qual desde já agradeço.


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Os métodos de cura utilizados entre os séculos II AEC e III EC Sara Timóteo

Excerto do juramento de Hipócrates: Juro por Apolo, o médico, por Asclépio, por Higia e Panaceia, e por todos os Deuses e Deusas que, de acordo com o melhor das minhas capacidades e entendimento, manterei este juramento e compromisso:

• Colocarei o meu mestre de medicina no mesmo lugar que os autores dos meus dias, partilharei com ele o meu saber e, se necessário, satisfarei as suas necessidades (…);

• Dirigirei o regime dos doentes em seu benefício (…), abstendo-me de toda a espécie de mal e de injustiça (….);

• Dedicarei a minha vida e exercerei a minha arte na inocência e na pureza (…). Em qualquer casa que entre, fá-lo-ei para utilidade dos doentes, impedindo-me de qualquer malefício voluntário e corruptor (…). Seja o que veja e ouça, durante o exercício da minha profissão ou fora dela, calarei aquilo que não precisar de ser divulgado, considerando a discrição como um dever em casos semelhantes (…).

Se cumprir este juramento sem infracção, que me seja dado gozar a vida e a profissão com prazer, para sempre honrado entre os homens; se o violar assim cometendo perjúrio, possa eu ter a sorte contrária.

Aristóteles, na obra Metafísica, refere que «Todos os homens, por natureza, desejam saber (…)» (p. 86). É este o ponto de partida para este ensaio.

A DOENÇA

1. APRESENTAÇÃO DO TEMA E CONTEXTUALIZAÇÃO ESPÁCIO-TEMPORAL

Foi em meados do século II AEC, aproximadamente em 150 AEC, que os romanos entraram pelo Sul no território que é hoje Portugal.

Antes disso, falamos de proto-história, que se estende de 1200 AEC até à 2.ª Idade do Bronze desde 500 AEC (precisamente o período que compreende o início do processo de romanização). Contamos com a influência de povos do Mediterrâneo tais como os Fenícios, Cartagineses e Gregos.

Obviamente, ao tentarmos compreender os métodos de cura ao nível do santuário de Endovellico, teremos de admitir que existiu, como noutros locais, uma fusão com as técnicas ancestralmente utilizadas (Guerra, 2003a, 250), mas dessas técnicas poucas provas documentais existem, pelo que concentraremos a nossa apresentação no período a partir da romanização, embora com breves referências às influências anteriores e contemporâneas que possam ter afectado os métodos de cura utilizados na Península Ibérica entre II AEC e III EC.

Escolhemos o século III EC para finalizarmos a nossa apresentação porque se trata de um século anterior ao desmantelamento do Império Romano (V EC), mas já com alguns sinais da crise que viria a fazer implodir o mesmo. Relembremos brevemente esse período: existem já algumas incursões por parte dos «bárbaros» que coincidem com o período de desmantelamento da VII Gemina, legião peninsular que acabou por transferir uma parte dos seus efectivos para a guarda que acompanhava o Imperador. Esse desmantelamento culminou numa resistência débil perante os ataques dos Vândalos, Suevos e Alanos que atravessavam os Pirinéus, sobretudo a partir de 409 EC (após a tentativa do usurpador Constantino de retirar poder ao Imperador Honório em 406 EC, mobilizando soldados para essa guerra civil). Para além disso, e no que diz respeito ao objecto da nossa apresentação, parece III EC parece ter sido o século em que ocorreu o desmantelamento do templo de Endovellico (Guerra et al., 2003, 415).

As lutas entre Romanos e Lusitanos começaram em 194 AEC, após a Segunda Guerra Púnica. Em 150 AEC o pretor Sérvio Galba aliciou os Lusitanos com promessas de novas terras e conseguiu que depusessem as armas, o que lhes valeu a morte de 9000 homens e a venda de 20000 efectivos como escravos.

III EC foi também o século escolhido por se tratar do último século antes da cristianização do Império em IV EC, já em plena crise causada: a) pela anarquia militar e aproximação dos pretorianos ao poder; b) pela ameaça bárbara cada vez mais contundente a partir de Marco Aurélio (fim da pax romana), principalmente por parte da Europa Central e Oriental (Saxões, Francos, Alamanos, Vândalos e Godos, entre outros povos); c) pela emergência do poderio dos Persas Sassânidas a partir de 224 EC; d) pelas ameaças que a deslocação para defender regiões vizinhas implicava; e) pela primeira inflação conhecida na História (devido ao aumento de despesas militares e à simultânea diminuição de receitas fiscais), com a consequente alteração na composição das moedas e aumento de preços; f) finalmente, pela ocorrência das primeiras perseguições e crises religiosas, agravadas pela revolução social geral contra os proprietários de terras (Salañer, 2004).

2. O CONCEITO DE DOENÇA

O conceito de doença no período proto-histórico: doença atribuída a maquinações de inimigos que furtam a alma do doente ou lhe infiltram no organismo, por acção sobrenatural. Algum deste conceito persiste ainda, podendo verificar-se nas situações de cura postuladas pela medicina popular.

O conceito de doença no período greco-romano: com Hipócrates, é a primeira vez que se atribui a mesma a causas naturais e não a um castigo divino ou acção mágica de inimigos. Esta dicotomia continuou a persistir no tempo da romanização da península (e aliás, ainda hoje). Galeno, no período romano, reforça esta abordagem.

Montéra (2000, 32) diz-nos que a saúde «não se resume à normalidade de um conjunto de exames num dado momento. Trata-se, antes de mais, de um equilíbrio dinâmico que permite uma melhor adaptação às contingências exteriores (climáticas, alimentares e físicas) e às contingências interiores (emocionais e sexuais) que cabem a cada um na vida. Segundo este ponto de vista, a doença definir-se-ia mais como a incapacidade de funcionar de uma forma harmoniosa, tanto a um nível fisiológico e psicológico, perante uma ou várias destas contingências. A causa principal é frequentemente emocional e repercute-se de várias maneiras e com vários níveis de densidade.»

De acordo com Vitorino (1944, 3) para combater a doença surge a Medicina, mas o invento desta excede as capacidades do Homem. Na Grécia, surge Apolo, Deus do Sol com claros atributos médicos, do qual provém Asclépio (Esculápio entre os Romanos), Deus da Medicina, um Deus que restituía aos doentes o calor perdido (6), sendo por isso objecto de grande veneração. A noção de que era filho de Apolo provém de Píndaro.

Vasconcellos (1925, 11) indica que, no período pré-histórico (paleolítico), as doenças eram atribuídas a maquinações de inimigos, que furtam a alma do doente ou lhe introduzem no organismo, por acção sobrenatural, certas substâncias. Só no Neolítico final (ou calcolítico) encontramos amuletos (talvez contra doenças) e a cirurgia (trepanação). O autor refere também que Estrabão afirma que os povos montanheses da Ibéria, tal como os Assírios, expunham na rua os doentes à vista de todos, para que quem tivesse padecido da mesma doença pudesse dar conselhos (1925, 14). Contudo, Rodrigues (1984) contrapõe que provavelmente «só os enfermos de males crónicos, incuráveis ou de difícil diagnóstico seriam expostos à beira do caminho», parecendo-lhe «ingénua ou apressada» a generalização por parte de Estrabão. Segundo este autor, existiria uma Medicina empírica, ainda hoje testemunhada pelas práticas populares.

Salazar Garcia (2003b, 1) referencia que a Medicina pré-técnica grega influenciou os estratos sociais mais baixos de todas as sociedades ocidentais e é conhecida como «Medicina Popular»: pensava-se, por exemplo, que a enfermidade individual (sobretudo a lepra, loucura ou cegueira) e colectiva (pestes) se devia à cólera punitiva de um Deus ou de uma Deusa ou à terrível perseguição que os Deuses ou determinadas entidades (daimones, keres) exerciam sobre um homem ou uma linhagem. Esta Medicina assente em crenças mágico-religiosas continuou a ser exercida pelos iatres nos templos de Asclépio e pelos demiurgos, magos ambulantes que iam de cidade em cidade anunciando as suas curas milagrosas.

3. ABORDAGEM DOS NÍVEIS DE MANIFESTAÇÃO DE DOENÇA: OS HUMORES

Hipócrates abordou os 4 humores, com o contributo de predecessores da escola pré-socrática e da escola de Mileto. São eles o bilioso (Fogo), sanguíneo (Ar), linfático ou melancólico (Água) e nervoso/colérico (Terra).

Hipócrates trouxe à luz do conhecimento humano a teoria dos 4 humores. Salazar Garcia (2004b, 4) e Graça, (1999, 2) indicam que esta teoria influenciou de forma definitiva o saber médico durante muitos anos.

Contudo, a mesma teoria foi precedida de outras, nomeadamente a pré-socrática (que traz consigo a noção de physis) que conta entre os seus nomes mais famosos com o de Tales de Mileto, Alcmeon de Crotona e Pitágoras. Depois de Tales, a Escola de Mileto, com o contributo de Anaximandro e Anaxímenes, conclui que o Universo é formado por forças opostas em equilíbrio e governadas por leis universais.

Assim, no século VI AEC, sabia-se já que os quatro elementos eram os componentes básicos de todas as substâncias, cada um com a sua qualidade característica: água (humidade), terra (secura), fogo (calor) e ar (frio).

O nome mais famoso que nos chegou em termos de Medicina na Grécia foi o de Hipócrates de Cós. Não sabemos se as doutrinas formuladas em seu nome foram apenas formuladas por si, uma vez que os escritos foram recolhidos na grande biblioteca de Alexandria no século IV AEC e lhe foram atribuídas obras de outros autores.

A etapa hipocrática tem início no ano 500 AEC. Às teorias anteriores juntou-se a ideia de que entre os elementos opostos deve ser mantido um equilíbrio para manter a harmonia do Cosmos e a saúde no microcosmos que é o Homem.

Salazar Garcia (2004b, 5) indica qual a teoria vigente na época de Hipócrates e que posteriormente influenciou todas as escolas médicas do mundo ocidental e, em parte, do oriental. Todos os fluidos orgânicos são compostos, em proporção variável, por sangue (quente e húmido), fleuma (fria e húmida), bílis amarela (quente e seca) e bílis negra (fria e seca). As doenças resultam, pois, do desequilíbrio entre os diversos humores e os próprios indivíduos podiam ser classificados como melancólicos/linfáticos (Água), coléricos (Terra), sanguíneos (Fogo) ou fleumáticos (Ar) segundo a proporção dos quatro humores entre si.

Hipócrates (século V AEC) foi também pioneiro no sentido de renunciar a explicações sobrenaturais para as doenças, procurando antes as suas causas no âmbito da Natureza, nomeadamente no clima, no ar, na dieta e no local geográfico em que a pessoa se encontrava (Graça, 1999, 2).

Contudo, foi de Galeno, em II EC, que herdámos a concepção organicista da doença que ainda hoje constitui o essencial do paradigma biomédico (Graça, 1999).

A CURA

1. A CURA NA PENÍNSULA IBÉRICA

A cura na Península Ibérica era levada a cabo com o sincretismo que a romanização implicou, existindo sempre uma certa persistência da Medicina Popular e também das peregrinações aos Deuses curandeiros, nomeadamente Endovellico.

Roma acrescentou às ideias da Medicina grega três situações fundamentais: a) os hospitais militares ou valetudinaria, b) o saneamento ambiental conseguido através da disponibilização de água através de aquedutos e de saneamentos (esgotos) e c) a legislação da prática e do ensino da Medicina.

2. O CULTO A ENDOVELLICO COM BASE NAS INFLUÊNCIAS PROTO, GREGA E ROMANA

«-Que espécie de Deus é Endovellico? Que poderes são os seus? - Ele ajuda a curar os enfermos, desvenda o futuro e conduz no Além os espíritos dos seus servidores. E nota bem: o oráculo de Endovélico nunca mentiu. - Como é esse oráculo? Posso consultá-lo? - O Deus fala durante o sono do peregrino. Mas é preciso cumprir os ritos propiciatórios e dormir no santuário…» (Excerto da obra A Voz dos Deuses da autoria de João Aguiar).

Desconhecemos o nome das divindades ibéricas, mas as características dos seus santuários indicam-nos a sua relação com as forças da Natureza. Numa etapa antiga, por influência dos povos colonizadores, estas Divindades tornam-se antropomórficas, helenizam-se e assim surgem sincretismos de Deuses autóctones e clássicos (Rodrigues, 1988, 108). Lamas (2003) Endovellico (tal como Atégina) não conservou a sua personalidade original – pensa-se que terá sido uma entidade benfazeja, quase um Dis Pater ibérico. No entanto, Blásquez (1975, 20) adianta que Endovélico é um dos poucos Deuses com representação antropomórfica existente na Península Ibérica.

«Endo» é um superlativo, indicando a importância da Divindade para o local. Resende (1996) tem uma perspectiva convergente, indicando que este superlativo designa a ideia de «muito».

Os Romanos prestaram homenagem a Endovellico e também culto (Vasconcellos, 1923, 7), como se comprova pelos ex-votos por eles deixados; daí estar melhor documentado o seu culto do que o de outras Divindades em território ibérico. Segundo Scarlat Lambrino (1952) as suas características são comparáveis ao Deus Sucellos. Neste sentido, Vasconcellos (1890) indica-nos também que o céltico Andevellicus, comparado com nomes gauleses e bretões, pode remeter para o significado geral de «Deus Muito Bom», semelhante ao do Deus irlandês Dagda Endovellico é um Deus do mundo subterrâneo, dotado para a profecia e protector da vida após a morte. Existe alguma polémica quanto ao seu carácter medicinal, uma vez que o culto de Esculápio era bem conhecido em território ibérico (por exemplo, Encarnação, 1984, 219 menciona uma inscrição encontrada na parede exterior do hospital velho de Santiago do Cacém que parece sugerir reconhecimento ao Deus Esculápio pelas milagrosas curas realizadas). Moisés Espírito Santo (1988), Blásquez (1975) e Encarnação (1984) não podemos dissociar o seu culto de outros existentes na época e teremos de admitir algumas influências orientalizantes.

a. O ex-voto

Os ex-votos, inscrições a agradecer a intervenção do Deus foram popularizados entre vários estratos sociais e também entre os escravos.

Na sala XX do Museu Arqueológico Nacional de Espanha, encontram-se ex-votos fabricados em bronze, pedra e cerâmica. Estes ex-votos ou oferendas dos peregrinos aos seus Deuses na sequência de uma promessa (Guerra, 2003a,253), geralmente representam o devoto ou certos elementos anatómicos (partes do corpo ou figuras da devastação causada pela doença – Lamas, 2003 168), sobretudo pelo bem-estar próprio ou de familiares (Encarnação, 1984, 787) mas também existem representações de Divindades. No caso de Endovellico, este fenómeno foi inicialmente estudado por Leite de Vasconcellos em 1890, e em 2002 foram efectuadas novas descobertas por parte da equipa constituída pelo Dr. Carlos Fabião da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e pelo Dr. Amílcar Guerra (arquéologo). Sabemos agora que o local do santuário foi ocupado a partir de I EC. Estas inscrições apenas surgem após a ocupação política de Roma, particularmente a partir do ano 25 AEC.

Segundo Moisés Espírito Santo (1988) o ex-voto é tipicamente uma manifestação de cumprimento religioso própria dos estratos sociais mais elevados; contudo, foram encontrados alguns que sugerem, por exemplo, a devoção por parte de libertos ou mesmo escravos. Guerra (2003b, 115) insiste mesmo no facto de se tratar da Divindade que recebeu mais ex-votos, pelo menos tanto quanto sabemos até agora. O culto de Endovellico, com esta popularidade, geralmente está conotado com o dos numina tutelares, Divindades tutelares com um culto geralmente muito circunscrito, à excepção, naturalmente, de Endovellico: Encarnação (1980, 766) refere que o mesmo é o Deus mais referido nas dedicatórias por parte de escravos, sendo alguns destes votos obrigações assumidas por pais ou outros familiares.

Exemplos de ex-votos:

ENDOVOLICO SACRVM HELVIA AVITA VALS (Consagração a Endovolico. Helvia Avita cumpriu de boa mente o voto)

DEO ENDOVELICO SACRVM M FANNIVS AVGVRIVS MERITO HUNC DEVM SIBI PROPITIATVM (Consagração ao Deus Endovélico. Marco Fánio Augurino a fez a este Deus que ele teve como propício)

DEO SANCTO ENDOVELLICO ANN Q F MARIANNA PROPOMPEIA PRISCA EX RENSPONSV ALP (Anni Mariana, filha de Quinto Mariano, erigiu de boa mente esta ara ao santo Deus Endovellico por intenção de Pompeia Prisca, mercê da resposta do oráculo)

b. Incubatio ou enkoimesis

Cura dos pacientes em que o Deus surge nos sonhos indicando o tratamento e as práticas a seguir. Claro que tal supõe a existência de conjectores ou somniorum intérpretes.

Endovellico é tido como um Deus da Medicina que cura os Seus pacientes através de sonhos e oráculos no templo-sanatório onde lhe é rendido culto.

Endovelico era venerado no «Promontório Sagrado» (Lamas, 2003, 166-167). Também a caverna, segundo a mesma autora, desempenhou um papel muito importante no santuários dos Deuses da cura, sobretudo no Sul da Península Ibérica, por consequência também no templo de Endovellico. João Delgado, na obra Os Deuses da Lusitânia, indica que o Deus Asclépio era venerado através da incubação nocturna do doente num dormitório sagrado, onde através dos sonhos e de uma certa introspecção o doente se curaria a si próprio.

Leite de Vasconcellos (1890) diz-nos que o oráculo não funcionava no templo de Endovellico no sentido grego, mas antes no sentido geral de adivinhação. Em certos templos da Antiguidade, com efeito, obtinham-se oráculos por sonhos, dormindo lá; era a incubatio; havia para isso os intérpretes, chamados mesmo conjectores ou somniorum interpretes (tese defendida também por Lambrino, 1952, 50).

Blásquez (1975) indica que as cavernas-santuário foram frequentadas por devotos durante a época imperial e que, na qualidade de Deus ctónico, Endovellico emitia oráculos, sendo que algumas inscrições sugerem o recurso a incubatio (Blásquez, 1975, 93). Estes oráculos consistiam em passar uma noite no templo, sendo indicadas durante essa noite as práticas a seguir para recuperar a saúde.

c. Águas, abluções e termas

Atribuição às águas de poderes divinos (fontes, águas minerais provenientes de nascentes e termas). Banhos de vapor.

Lambrino (1952, 54) destaca as Memórias Paroquiais da Malhada Alta, perto de Terena (aproximadamente a 5km sul do Santuário), pois nesse local existia uma água miraculosa que curava todos os tipos de enfermidades em nome de Nossa Senhora da Conceição. Reminiscências de um culto? Memórias locais de um local curativo? Foi Endovellico, no período de romanização, que assumiu as funções de psicopompo e condutor de almas, algo que está ligado também às águas (ex: Rio do Esquecimento ou Estige).

Encarnação (1984, 790) refere que «o culto às águas, quer sob a forma de fontes (termais ou não), quer sob a forma de cursos de água, está bem documentado na Península.»

Rodrigues (1984, 124), por seu turno, indica que as fontes medicinais eram bastante conhecidas e apreciadas (por exemplo em Manteigas, Cró, Alcafaxe, Unhais da Serra, Ariola, Longroiva, Vila do Touro, S. Pedro do Sul) e consideradas como salutíferas para reter o reumatismo ou doenças da pele.

Também o culto das fontes e dos cursos de água é comum a toda a zona que sofreu influências cultuais célticas, sobrevivendo no nome de alguns rios e ninfas minerais (Rodrigues, 1988, 125).

Vasconcellos (1925, 15) indica que existem várias referências a Aquae Celennae, Aqua Originae, etc., sugerindo a utilização da hidroterapia em território ibérico já no período proto-histórico. Esta «veneração das águas salutíferas (…) tem raízes em crenças remotíssimas, de que nelas, e bem assim noutros elementos da Natureza, existe imanente um poder oculto e força maravilhosa e impessoal que, se nuns casos, como aqui, dão utilidade ao homem – noutros são-lhe prejudiciais (…)». O autor abrange igualmente a ideia de que «o que a Medicina lusitano-romana nos apresenta mais importante é o emprego terapêutico de águas minerais.» (Vasconcellos, 1925, 18), tais como as Aquae Flaviae, as termas existentes em Olisipo (na Rua da Prata), em Monte-Real, em Penafiel, em Bracara, em Vidago, em Caldelas, em Fonte Santa de Monfortinho, em Póvoa de Cós, em Cabeço de Vide e Monchique, termas cuja utilização era sempre associada à invocação do auxílio do sobrenatural (Ninfas ou Deus Esculápio).

Esta atribuição às águas minerais de efeitos divinos remonta, segundo Vasconcellos (1981) ao período proto-histórico.

Se em determinadas ocasiões os povos da Ibéria recorriam à experiência quotidiana e a águas naturais (Medicina Natural) invocada a par de potências sobrenaturais, noutras supunham encontrar atributos terapêuticos em quaisquer Divindades, e nessa suposição as invocavam. Talvez, como no caso de Asclépio (Lamas, 2003, 334), fosse necessário um ritual particular para o culto de Endovélico, incluindo preparativos purificadores, banhos, jejuns e sacrifícios, bem como o uso da sucção, aplicação de ventosas, sangrias e banhos de vapor. Também os agradecimentos seriam semelhantes, existindo oferendas em prata e em ouro nos ex-votos. A ablução constituiria, assim, uma etapa muito importante de preparação para o pedido de cura.

d. Ervas e sua aplicação terapêutica

São citadas em vários autores textos antigos «muitas plantas medicinais da Ibéria, a saber: betónica, dormideira, funcho, etc. (…) muitos remédios populares se buscavam no reino vegetal.» (Vasconcellos, 1925, 17).

Plínio e Cornélio Celso referem-se a estas ervas, bem como Quinto Severo, já no século III EC. Vitorino (1944) indica-nos que existia uma diferenciação clara entre os Romanos e os Gregos, uma vez que os primeiros advogavam o recurso às velhas receitas da medicina doméstica (sobretudo a partir de Catão) em vez do recurso aos médicos gregos, que detinham quase o exclusivo do exercício desta profissão. Também Encarnação (1984, 219) indica que ao médico estrangeiro é concedido um lugar de honra nos jogos.

Armando Leão (1944, 7) postula que, embora o reino vegetal seja o mais rico em princípios medicamentosos, as gentes simples do campo ainda recorrem aos animais (utilização do mel, cera e banha para uso externo). Por influência sobretudo grega, existia o hábito de indicar à entrada das casas quais os remédios que haviam devolvido a saúde aos enfermos (Salazar Garcia, 2003a, 3).

Também Rodrigues (1984, 146) refere que, «para além das práticas mágicas existe elemento real, referenciado pelos autores clássicos, o uso de plantas medicinais.» De facto, durante o período de romanização, eram exportadas as ervas vetónica e cantábrica, uma procedente da região dos Vetões e outra dos Lusitanos do centro. O autor indica também que, de acordo com Plínio, os Lusitanos tinham uma bebida aromática feita de cem ervas diferentes, o que demonstra um vasto conhecimento de herbanária (Rodrigues, 1984, 146).

As ervas medicinais podem ser estimulantes, narcóticas, tóxicas, venenosas ou alergógenas, bem como vermífuras, insectidas e raticidas.

De acordo com Sédir (1999, 49): «As propriedades curativas do reino vegetal têm sido em todos os tempos as mais célebres; dele tinha-se uma intuição geral notável; o nome helénico de Deus da Medicina, Esculápio, significa: a madeira, esperança de saúde, ou segundo Porfírio, a faculdade solar de regenerar os corpos, ou, aquele que restabelece as soluções de continuidade entre os tecidos.»

De acordo com o mesmo autor, as plantas podem ser empregues em medicina nos seus três estados: vivas, mortas ou ressuscitadas.

A planta viva serve como modificadora do meio, sobretudo quando ela é aromática. O seu odor melhora todas as inflamações das mucosas respiratórias. Deste modo os tuberculosos podem aproveitar os odores do pinheiro, da lavanda, do rosmaninho, do manjericão e da menta, por exemplo.

A planta colhida pode ser utilizada em suco, pó, infusão, decocção (a ferver em água, mais activa do que a infusão), em magistério (pó fino na Química antiga), em tintura (dentro de álcool) e em quinta-essência (homeopatia).

Alguns exemplos são citados por João Bautista de Castro numa recolha efectuada no século XVIII (cit Rodrigues, 1984):

«Agrião – nasturtium aquatiam: útil no escorbuto e depurativo. Uso em caldo e salada.» (150)

«Arruda – ruta chalepensis: empregada contra a tinha e a sarna. Sudorífera.» (150)

«Artemísia – artemisia vulgaris: estimulante. Apanhada na noite de S. João, a pessoa fica isenta de adoecer durante anos e de lhe aparecerem almas do outro mundo.» (150). Aliás, «o dia ou a Véspera de S. João são bons para colher todo o tipo de ervas.» (Sédir, 1999, 57).

«Feto real – osmunda regalis: contra as moléstias do fígado.» (154)

«Rosmaninho – lavandula stoechas: queimava-se contra dores de cabeça.» (156)

e. Cirurgias

A mais comum é a trepanação, mas também foram encontrados registos de sangrias, amputações praticadas sobretudo nos soldados com a romanização.

Instrumentos cirúrgicos: espátulas/tentas/estiletes (specillum); tentas ou estiletes (stilus), escalpelos (scalpellus), pinças (forceps). Foram encontrados na cidade Balsa (perto de Tavira, nas quintas de Torre d’Aires e das Antas).

Segundo Vasconcellos (1925, 11), só no Neolítico final ou Calcolítico começamos a encontrar a prática da trepanação. De acordo com o autor «a trepanação é praticada por muitos povos (…) e com ela acodem à cefalagia, epilepsia, vertigens, fracturas do crânio, (…) crêem amiúde que a operação tem por fim abrir passagem a um mau espírito causador do sofrimento, ou então deixar sair a alma do morto, quando efectuada a operação post-mortem.» (Vasconcellos, 1925, 12). Foram descobertos vestígios desta prática na gruta da Casa da Moura e na gruta da Galinha (ao pé de Alcanena). A sangria era outra prática vulgar (Vasconcellos, 1925, 13).

Os objectos cirúrgicos incluíam espátulas, tentas, estiletes (specillum), tentas ou estiletes (stilus), escalpelos (scalpellus), pinças (forceps) – foram encontrados na cidade Balsa (perto de Tavira, nas quintas de Torre d’Ares e das Antas).

FINALIZAÇÃO/CONCLUSÃO

Para os gregos Asclépio fora, em vida, rei da Tessália… e aprendeu a arte de curar com o centauro Quíron. Tão bem a exerceu que até ressuscitava mortos e por tal ousadia Zeus, Senhor do Olimpo, fulminou-o com um raio, a pedido de Hades, furibundo e receoso de que o seu reino ficasse despovoado (Lamas, 2003, 309). Depois, arrependido, Zeus conduz Asclépio à categoria de Divindade e será considerado como filho de Apolo, o Pai da Medicina (Graves, 1997, 52) e também como o amigo dos homens (Wattel, 2003, 59).

Esculápio está ladeado pelos símbolos da Medicina – a sua mão direita apoia-se num bastão, significando o poder, o galo representa a vigilância, com a mão esquerda ergue uma serpente, símbolo da prudência ou ainda dos poderes ocultos.

Na pintura da Sala de Actos da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, o painel da esquerda representa Esculápio curando um cego. Poderá ser a invocação da peça Plutus, de Aristófanes (c. 388 AEC).

Vitorino (1944, 7-10) apresenta-nos um excerto desta peça bastante revelador: Os doentes que vinham consultar o Deus eram primeiro submetidos a certas práticas higiénicas, como os jejuns, as abluções, os banhos, etc. Depois destes preliminares eram admitidos a passar a noite no Templo. O Deus aparecia-lhes as mais das vezes em sonho e prescrevia receitas que os seus sacerdotes seguidamente interpretavam. Aristófanes, na sua comédia Plutus relata, com mordacidade, o que acontecia no templo segundo as crenças populares. O doente de que ele fala é um tal Plutus e o personagem narrador é o escravo Carion.»

Carion – Logo que chegámos ao templo de Esculápio com Plutus, levámo-lo ao mar para lhe dar banho. Em seguida, voltamos ao santuário do Deus. Depois de ter consagrado os bolos e outras oferendas e ter entregue a flor de farinha à chama de Vulcano, deitámos Plutus com as cerimónias desejadas, e cada um se acomodou em leito de palha.

A mulher – Havia mais pessoas que implorassem o Deus?

Carion – Havia primeiro Néoclide (orador acusado de ter roubado os dinheiros públicos) que, cego como é, rouba com mais destreza do que aqueles que vêem bem e, muitos outros, com toda a espécie de doenças. Depois de ter apagado as lâmpadas, o ministro do Deus diz que durmamos e ordena-nos, se ouvirmos ruído, de conservar o silêncio. Quanto a mim, não podia dormir; certo prato de papa colocado à cabeceira de uma velha excitou-me a cobiça e desejava ardentemente aproximar-me dele. Levanto a cabeça; vejo o sacerdote tirar os bolos e os figos secos da mesa sagrada. Depois percorreu os altares uns após os outros, todos os bolos que havia meteu-os num saco. Eu convencido da muita piedade deste acto, salto sobre o prato de papa.

A mulher – Miserável! Não tiveste qualquer receio do Deus?

Carion – Sim, sem dúvida; temi que com a sua coroa chegasse ao prato de papa antes de mim; o acto do seu sacerdote o dizia claramente; a velha estendeu a mão para retirar o prato; então assobio como uma serpente e mordo-a. Logo retira a mão (…). Todavia eu mergulhava na minha cama, amedrontado. O Deus deu a volta e visitou, cheio de gravidade, cada doente. Em seguida um escravo trouxe-lhe um pequeno almofariz de pedra, um pilão e uma caixinha.

A mulher – Como podias tu ver tudo isto, celerado, se te ocultavas, como dizes?

Carion – Via tudo através do meu manto, porque ele tem buracos bastantes. Ele começou por preparar uma cataplasma para Neóclide; tomou três cabeças de alho de Ténos, que esmagou no almofariz, com uma mistura de goma e do suco de lentiscos, regou tudo de vinagre e depois aplicou-a no interior das pálpebras, para tornar a dor mais ardente. Neóclide berrava como um possesso e esforçava-se por fugir. Mas o Deus disse-lhe rindo: Permanece aqui com a tua cataplasma; quero impedir-te de prodigar perjúrios na assembleia.

A mulher – Que Deus prudente e patriota!

Carion – Aproximou-se em seguida de Plutus; tocou-lhe primeiro na cabeça, depois limpou-lhe os olhos com um pano bastante limpo; Panaceia cobriu-lhe a cabeça e o rosto com um véu de púrpura; o Deus assobiou e logo duas enormes serpentes se precipitaram do fundo do templo.

A mulher – Bons Deuses!

Carion – Estas, tendo deslizado suavemente por debaixo do véu de púrpura lamberam, suponho, as pálpebras do doente e, em menos tempo, minha cara amiga, que tu levarias a beber dois cotilos de vinho, Plutus recuperava a vista. Eu, com a minha alegria, bati palmas e despertei o meu senhor. Logo que o Deus desapareceu, as serpentes esconderam-se no fundo do templo. Mas aqueles que estavam deitados perto de Plutus, com que efusão o apertaram nos braços! Mantiveram-se acordados toda a noite, até que o dia surgiu. Quanto a mim, não cessei de louvar o Deus por ter tão depressa restituído a vista a Plutus e aumentado a cegueira de Neóclide.

A mulher – Divino poder de Esculápio!

Esta peça constitui apenas uma ironia relativamente à forma como a cura era aplicada nos templos de Esculápio e, sobretudo, no que diz respeito à forma como esse processo de cura era percepcionado pelos não-conhecedores das práticas medicinais.

Podemos sem dúvida concluir que, de acordo com a convergência de opiniões por parte de todos os autores estudados, a Medicina praticada na Península Ibérica (e no Templo de Endovellico) envolvia uma combinação inseparável de crenças mágico-religiosas e de prática empírica, dicotomia de complementaridade que se mantém até aos nossos dias.

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Sara Timóteo

Sara Timóteo publicou Deixai-me cantar a floresta e Chama fria ou lucidez em 2011 pela Papiro Editora na sequência da atribuição, respetivamente, do 1.º e do 2.º lugar no 2.º Concurso de Poesia Aníbal Faustino em 2009. Publicou em 2012 Refúgio Misterioso; em 2014 publicou Os Passos de Sólon (prémio Mensagem Notável atribuído pela Lua de Marfim Editora), Elixir Vitae e Os quatro ventos da alma (menção especial no Prémio Literário Glória Marreiros 2014), todos através da Lua de Marfim Editora. Em 2015, publicou O Telejornal (peça de teatro infantil) através dos Cadernos de Santa Maria. Em 2016, publicou O Corolário das Palavras (Rui M. Publishing, e-book) e o livro de poesia Refracções Zero. Em 2017, publicou Compassos e Diário Alimentar (Costelas Felinas, Brasil). Em 2018, publicou «Manual dos Ofícios: um conto longo sobre a anuência do mal», concorrente ao Prêmio Oceanos 2019. Tem dois livros de não-ficção e um livro de poesia bilingue publicados nos E.U.A...
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