o reverso do ser

reflexões sobre literatura e arte

Sara Timóteo

Sara Timóteo publicou Deixai-me cantar a floresta e Chama fria ou lucidez em 2011 pela Papiro Editora na sequência da atribuição, respetivamente, do 1.º e do 2.º lugar no 2.º Concurso de Poesia Aníbal Faustino em 2009.

Publicou em 2012 Refúgio Misterioso; em 2014 publicou Os Passos de Sólon (prémio Mensagem Notável atribuído pela Lua de Marfim Editora), Elixir Vitae e Os quatro ventos da alma (menção especial no Prémio Literário Glória Marreiros 2014), todos através da Lua de Marfim Editora.

Em 2015, publicou O Telejornal (peça de teatro infantil) através dos Cadernos de Santa Maria.

Em 2016, publicou O Corolário das Palavras (Rui M. Publishing, e-book) e o livro de poesia Refracções Zero. Tem dois livros de não-ficção e um livro de poesia bilingue publicados nos E.U.A..

A necessidade de técnicas de comunicação específicas para bibliotecas e centros de documentação

A discussão da necessidade de técnicas de comunicação específicas para as bibliotecas e outros centros de informação ainda não se encontra consolidada em Portugal.
O desenvolvimento de estratégias para promover uma comunicação adequada nas bibliotecas e centros de informação poderá contribuir, de forma significativa, para que estes atinjam uma maior eficiência e eficácia no seu desempenho.
De facto, as estratégias de comunicação têm um papel fulcral em qualquer organização, mas as bibliotecas e centros de informação necessitam de desenvolver estratégias próprias devido ao maior grau de imprevisibilidade com que se deparam no exercício das suas funções.


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O verdadeiro papel de um serviço de informação reflecte-se nas suas estratégias de comunicação e estas, por sua vez, influenciam a qualidade do serviço prestado. Este tema é estudado sobretudo na tradição biblioteconómica anglo-saxónica que, dando voz a um pragmatismo inato, encara a biblioteca e o centro de informação como organizações colectivas que podem reger-se pelas regras aplicáveis a qualquer outra organização ou sistema produtivo, embora com respeito pelas nuances que as caracterizam.

Embora o objectivo primário de um centro de informação não seja, em muitos casos, o lucro financeiro, o sistema deve funcionar com base na comunicação correcta das suas políticas, objectivos, projectos, actividades e gestão de recursos.

Recentemente, em Portugal, surgiram alguns trabalhos de investigação (nomeadamente o trabalho desenvolvido por Paula Ôchoa) que apontam para a necessidade de desenvolvimento de estratégias de comunicação específicas para centros de informação e bibliotecas no seio de uma valorização quantitativa e qualitativa dos serviços oferecidos por bibliotecas e por outros centros de informação e dos métodos de auto-correcção individuais adaptados ao «caso português» integrado numa realidade europeia e internacional.

Jo Bryson apresenta-nos um excerto significativo que, partindo dos fundamentos da gestão empresarial, conduz o leitor, estudante ou profissional, à aquisição de alguns conceitos básicos e à compreensão da actividade que deve reger um serviço de informação ao nível de estratégias de comunicação.

Em primeiro lugar, a autora socorre-se dos modelos da integrated approach para dar resposta à necessidade de definir estratégias de comunicação para os centros de informação e bibliotecas: esta abordagem prevê a consideração de todas as componentes envolvidas na vida de um serviço de informação segundo um esquema unitário que, não negligenciando nenhuma das componentes, as integra numa visão orgânica e complexa a partir da qual será possível delimitar objectivos e formular projectos.

Em segundo lugar, a autora dá uma grande importância à gestão eficaz da mudança; um serviço de informação de sucesso consegue definir rotinas e também consegue adaptar-se rapidamente a um ambiente em contínua transformação.

Essa adaptação implica, em termos de estratégias de comunicação, a procura de respostas através da análise dos relatórios contingenciais enviados para fazer face a um problema específico.

Em terceiro lugar, Jo Bryson insiste na necessidade de existir uma comunicação próxima, aberta e fluida entre o centro de informação ou biblioteca e a organização de nível superior (parent organization) que indica objectivos e estratégias gerais.

Esta coexistência deve conduzir a uma convergência de metodologia e instrumentos e a uma integração de informação a nível externo e interno dessa organização.

Em quarto lugar, a autora enfatiza a importância da gestão colectiva e individual dos recursos humanos e sobretudo das relações interpessoais no processo de desenvolvimento de estratégias de comunicação.

Para Bryson, a dinâmica da gestão e das relações interpessoais constituem o verdadeiro motor de qualquer organização.

Por este motivo, Bryson detém-se mais nos aspectos de psicologia de grupo que relevam do desenvolvimento de estratégias de comunicação do que no processo de comunicação propriamente dito e, neste aspecto, oferece uma visão nitidamente anglo-saxónica da questão.

Este pressuposto é útil na medida em que proporciona ao leitor algumas ideias gerais sobre alguns problemas que podem surgir no desenvolvimento de estratégias de comunicação em centros de informação e bibliotecas.

Todavia, as ideias não estão expostas de um modo claro, articulado e equilibrado.

A estrutura é pouco clara em termos hierárquicos na medida em que a linha de argumentação é muitas vezes interrompida para ser retomada mais tarde, com a consequente repetição desnecessária de informação.

A articulação é pouca entre as diferentes partes textuais (se uma parte for lida independentemente das outras, parece um texto independente).

É dada pouca importância relativa às estratégias de comunicação em termos de desenvolvimento; tudo é centrado na aplicação dessas estratégias com um produto (relatório, reunião) como resultado.

Por outro lado, algumas referências ao processo de comunicação estão pouco fundamentadas teoricamente e a obra não apresenta muitos elementos inovadores, embora tal possa resultar do facto de já existirem obras análogas em língua inglesa.

O impacto positivo desta e de outras publicações semelhantes gera sempre alguma perplexidade, seja pela particularidade do «caso português», ou porque talvez não haja suficiente adaptabilidade a uma concepção da comunicação (e da gestão) onde tudo parece estar planeado e, portanto, votado à previsibilidade.

Em muitos casos, as indicações práticas fornecidas por este tipo de obras parecem quase indicações retiradas de um manual de etiqueta.

É possível encontrar uma solução para cada problema, agendar o imprevisto e encorajar ainda eficazmente a actuação motivada dos colaboradores da biblioteca ou do centro de informação?

Talvez, mas arriscamos dizer que a comunicação é um processo dinâmico e vivo como os seres humanos e que o correcto e o eficaz não são antecipáveis teoricamente.

Bibliografia geral

BRYSON, Jo – Estrategias para la comunicación en las bibliotecas y en los centros de información. In Técnicas de Gestión de Bibliotecas y Centros de Información. Madrid : Fundación German Sanchez Ruiperez, 1992. (Biblioteca del Livro, 51). p. 235-264.

Bibliografia específica

Normas:

NP 405-1. 1994, Informação e Documentação – Referências bibliográficas: documentos impressos. Monte da Caparica: IPQ. 49 p.

prNP 405-4. 2001, Informação e Documentação – Referências bibliográficas: documentos electrónicos. Monte da Caparica: IPQ. 49 p.


Sara Timóteo

Sara Timóteo publicou Deixai-me cantar a floresta e Chama fria ou lucidez em 2011 pela Papiro Editora na sequência da atribuição, respetivamente, do 1.º e do 2.º lugar no 2.º Concurso de Poesia Aníbal Faustino em 2009. Publicou em 2012 Refúgio Misterioso; em 2014 publicou Os Passos de Sólon (prémio Mensagem Notável atribuído pela Lua de Marfim Editora), Elixir Vitae e Os quatro ventos da alma (menção especial no Prémio Literário Glória Marreiros 2014), todos através da Lua de Marfim Editora. Em 2015, publicou O Telejornal (peça de teatro infantil) através dos Cadernos de Santa Maria. Em 2016, publicou O Corolário das Palavras (Rui M. Publishing, e-book) e o livro de poesia Refracções Zero. Tem dois livros de não-ficção e um livro de poesia bilingue publicados nos E.U.A...
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