o reverso do ser

reflexões sobre literatura e arte

Sara Timóteo

Sara Timóteo publicou Deixai-me cantar a floresta e Chama fria ou lucidez em 2011 pela Papiro Editora na sequência da atribuição, respetivamente, do 1.º e do 2.º lugar no 2.º Concurso de Poesia Aníbal Faustino em 2009.

Publicou em 2012 Refúgio Misterioso; em 2014 publicou Os Passos de Sólon (prémio Mensagem Notável atribuído pela Lua de Marfim Editora), Elixir Vitae e Os quatro ventos da alma (menção especial no Prémio Literário Glória Marreiros 2014), todos através da Lua de Marfim Editora.

Em 2015, publicou O Telejornal (peça de teatro infantil) através dos Cadernos de Santa Maria.

Em 2016, publicou O Corolário das Palavras (Rui M. Publishing, e-book) e o livro de poesia Refracções Zero.

Em 2017, publicou Compassos e Diário Alimentar (Costelas Felinas, Brasil).

Tem dois livros de não-ficção e um livro de poesia bilingue publicados nos E.U.A..

Avaliar de uma forma útil

No presente texto é meu objetivo incidir sobre a temática de avaliar de uma forma útil. A aprendizagem, o ensino e a avaliação encontram-se intimamente ligados e são interdependentes, pelo que avaliar de forma útil parece sugerir três perspetivas distintas: a do aprendente ou aluno, a do docente ou professor e a do avaliador – que poderá ser externo (Santos, 2003a). No entanto, aprendente e docente geralmente partilham entre si a função de avaliação, embora não da mesma forma. Contudo, ambos validam os seus respetivos papéis sociais de aluno e de professor.
A partir deste objetivo podem ser inequivocamente identificadas a seguinte questão: a) o que é avaliar de uma forma útil? b) de que forma se conciliam as três perspetivas supracitadas de modo a que seja possível avaliar de uma forma útil?
Neste trabalho, serão analisadas ambas as questões colocadas de acordo com uma breve revisão de literatura. Seguem-se a conclusão e as referências bibliográficas.


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Avaliar de forma útil: uma breve revisão de literatura

a) O que é avaliar de forma útil?

Na avaliação há que ter em conta a interação entre docente e aprendente. Logo, avaliar de um modo fechado poderá comprometer todo o processo avaliativo. Alguns exemplos de uma avaliação fechada e, portanto, inútil (uma vez que se limita a confirmar os pré-conceitos do avaliador) incluem: julgar, adotar um discurso estereotipado, cumprir um ato terminal, tratar o erro como um desvio da regra expetável, não relevar nada, suprimir erros sem dar a entender porque são erros e, finalmente, registar e sancionar os desvios à norma. Podemos imaginar o que seria estar numa sala de aula onde este tipo de avaliação fosse preconizado.

Para combater esta tendência tão humana de avaliar conforme as nossas ideias pré-estabelecidas, assumindo assim uma maneira de avaliar mais útil para todos os intervenientes no processo avaliativo, propõe-se: ajudar a aprender, adaptar o discurso ao destinatário, abrir ideias para outras atividades, tratar o erro como inerente à aprendizagem, intervir de modo a possibilitar a quem cometeu o erro corrigi-lo e destacar êxitos e dar pistas para prevenir e corrigir os erros (enfatizando não só as atitudes e a motivação, mas também a prática que contribui para o futuro).

Avaliar de forma útil implica auxiliar o aprendente na sua autocorreção, fornecer informação ao docente sobre o desenvolvimento e progresso dos seus alunos e permitir-lhe ajustar o seu método de ensino de uma maneira fundamentada (Santos, 2003a). Avaliar implica ser coerente entre o processo de ensino e o processo de aprendizagem (Santos, 2003a), permitindo melhorar aquilo que se está a avaliar (Santos, 2003b).

b)De que forma se conciliam a aprendizagem, o ensino e a avaliação de modo a que seja possível avaliar de uma forma útil?

Avaliar de uma forma útil significa conciliar os aspetos de aprendizagem, ensino e avaliação (Santos e Pinto, 2006) para que, mais do que saber aplicar alguns princípios elementares numa mera lógica de reprodução, o professor supervisando possa encontrar soluções.

Assim, qualquer proposta pedagógica poderá centrar-se na aprendizagem do professor supervisionado e a avaliação pode constituir-se como parte integrante do processo de ensino/aprendizagem (Stronge, 1995).

Neste contexto, surge como pertinente a realização de uma proposta pedagógica centrada nas aprendizagens, em que a avaliação constitui parte integrante do ensino-aprendizagem (Stronge e Ostrander, 2006). Isto implica resgatar a função formativa e reguladora da avaliação (Santos, 2003c). O supervisor e o docente poderão aprender a encarar a avaliação como favorecedora de um papel ativo e reflexivo por parte do aluno (Santos, 2002). Trata-se, na verdade, de uma forma de participação democrática de ambas as partes no processo avaliativo.

Uma breve e transitória conclusão

Neste trabalho, procurámos responder às duas questões inicialmente colocadas: a) definir o que é avaliar de uma forma útil e b) verificar como se conciliam as perspetivas de aprendizagem, ensino e avaliação para que se torne possível avaliar de forma útil. Avaliar de uma forma útil implica tomar em consideração os intervenientes neste processo, uma vez que dificilmente se poderá impor qualquer modalidade ou momento de avaliação sem existir um diálogo constante entre o supervisor e o docente, para que a avaliação seja transparente, consistente e diversificada (Santos, 2003c); mais do que um fator de competição, a avaliação converte-se num marco de aprendizagem.

Bibliografia

Santos, L. e Pinto, J. (2006) – «É mesmo possível uma regulação no quotidiano do professor e do aluno?» Actas do ProfMat2006. (CD-ROM). Lisboa: Associação de Professores de Matemática. Santos, L. (2003a) – «A avaliação em documentos orientadores para o ensino da Matemática: uma análise sucinta». Quadrante, Vol. 12, Nº 1, pp. 7-20. Santos, L. (2003b) – «Editorial: avaliação das aprendizagens em Matemática». Quadrante, Vol. 12, Nº 1. Santos, L. (2003c) – «A persistência das vontades na transitoriedade do tempo». Educação e Matemática, 73, p. 1. Santos, L. (2002) – «Auto-avaliação regulada: Porquê, o quê e como?» In Avaliação das aprendizagens: Das concepções às práticas. Lisboa: Ministério da Educação, Departamento de Educação Básica, pp. 77-84. Stronge, J. H. (1995) – «Balancing individual and institutional goals in eduational personnel evaluation». In Studies in Educational Evaluation, vol. 21, no. 2, pp. 131-151. Stronge, J. H. e Ostrander, L. P. (2006) – «Client surveys in teacher evaluation». In Evaluating teaching: A guide to current thinking and best practice. 2nd ed. Thousand Oaks, CA: Sage Publications, pp. 125-151.


Sara Timóteo

Sara Timóteo publicou Deixai-me cantar a floresta e Chama fria ou lucidez em 2011 pela Papiro Editora na sequência da atribuição, respetivamente, do 1.º e do 2.º lugar no 2.º Concurso de Poesia Aníbal Faustino em 2009. Publicou em 2012 Refúgio Misterioso; em 2014 publicou Os Passos de Sólon (prémio Mensagem Notável atribuído pela Lua de Marfim Editora), Elixir Vitae e Os quatro ventos da alma (menção especial no Prémio Literário Glória Marreiros 2014), todos através da Lua de Marfim Editora. Em 2015, publicou O Telejornal (peça de teatro infantil) através dos Cadernos de Santa Maria. Em 2016, publicou O Corolário das Palavras (Rui M. Publishing, e-book) e o livro de poesia Refracções Zero. Em 2017, publicou Compassos e Diário Alimentar (Costelas Felinas, Brasil). Tem dois livros de não-ficção e um livro de poesia bilingue publicados nos E.U.A...
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