observatorio

Quem disse que o ócio não pode ser produtivo?

Vagner Oli

Em uma relação séria com a engenharia, às vezes da uma fugidinha com a amante Cinema. Admirador da beleza e inteligencia feminina, poesia, das ideias progressistas, da vida simples e das pessoas com estilo próprio.

Minha primeira coluna

Ela é um pouco sobre mim, sobre a infância, as crianças, sonhos e um tapa na cara.


Quanto menor você é maior é o número de coisas que lhe impressionam e a emoção que sente. Sou de família humilde e honesta, mas não farei deste artigo, digo coluna um quadro do domingo legal. Passei boa parte da minha infância entre casa e colégio, não podia sair muito de casa devido aos perigos da rua (na periferia a rua sempre foi perigosa). A pouca liberdade que tinha me fazia deseja-la de tamanha forma que era meu objetivo de vida conquista-la aos 5 anos, podia demorar o quanto fosse.

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Meu primeiro ato de rebeldia foi jogar a lancheira e negar-se a ir para o colégio (não bastava a prisão de casa). Aos 6 aumentaram os laços com meu irmão, ele estava acabando o ensino médio, eu voltando ao colégio. Antes da copa de 1998 o futebol era uma mania, um vício:criava times imaginários, sabia a escalação de boa parte dos 24 clubes da série A, pouco antes do inicio do evento - A copa, meu irmão comprou um desses manuais que se vendia nos colégios com todas as disciplinas do ensino médio. Esse manual junto com O globo repórter, Mundo de Beackman e os documentários da TV cultura foram grandes parceiros na infância. Aos 7 já conhecia o preconceito, pois sofri com ele e os apelidos que uma criança negra pobre recebe, mas não os dava tanta importância, claro que doía, mas pensava que o mundo poderia nos dar algo além do preconceito e desigualdade se buscássemos e queria conhecer esse mundo. Amava aquele manual lia muito sobre Geografia, pois ali via o mundo: O porto de Roterdã, imaginava quão grande era seu fluxo diário, a civilidade em Cingapura... cada habitante de uma capital, país. Desde de lá tinha uma empatia ao socialismo, li sobre a revolução russa, as duas grandes guerras... um ser pequeno que o que tinha de pequeno tinha de curioso, curioso sobre a vida, assim conheci a Biologia, não havia um dia que não lia esse material, era o meu Google da época.

Gostava da nova escola: jogava bola, conversava demais, gostava de ajudar colegas nos exercícios, apesar da minha timidez falatória, tinha ilusão que não seria tão difícil assim viver e que com o tempo melhoraríamos como pessoa, como humanidade, o pais iria desenvolver-se. Meu colégio ficava ao lado da igreja dos Freis Capuchinhos, aliás o colégio pertencia a ela. Tinha grande simpatia pelos freis da época que morei lá, com suas ideias progressista incentivavam o povo a ter consciência politica e irritava o setor mais tradicional da igreja( popularmente as beatas). Um dia acordei, não lembro que dia foi esse, recebi um tapa, tapa na cara, desse que não causa dor física, mas doí na alma e também não lembro quem deu, nem sei se foi uma pessoa ou se era uma unica pessoa e nem se era pessoa. "Acordei" para a vida, me disseram que não poderia viver da forma que sonhei, que não seria difícil, e sim impossível, que me coloca-se no meu lugar, deixa de ser besta, de se achar o sabe tudo, sabichão, pouco importa o que você sabe, mas sim de onde você vem.

Hoje vago tentando encontrar aquilo que tinha e perdi(nem sei o que é),talvez aquela vontade de uma criança de mudar o mundo ou colabora nessa mudança, um sonho sem muitas pretensões individuais. Claro que nesse tempo todo desde que acabou minha infância aprendi algumas coisas, mas nenhuma época foi tão produtiva como aquela, não sei se devido ao isolamento ou a solidão. E não precisam ter pena de mim ,pois não sofri tanto, tive uma boa infância, amo minha família e a vida tem sido boa até agora apesar de tudo ... só que hoje parece que compreendo bem menos o mundo do que naquele tempo, mas algo que nunca irei compreender é como alguém reduz os sonhos e vontade de uma criança lhe dizendo que seus sonhos não iram se realizar devido a sua condição ou mesmo dizendo que ela simplesmente não será nada. E todos os dias milhões delas pelo mundo recebem um tapa muito mais forte do que aquele que levei, pois essas já são tratadas como se fossem nada,já nascem sem valor e para muitos elas nunca serão algo, apenas objeto de pena, só espero que um dia esse tapa dado... um dia possa ser devolvido por todos esses pequenos esquecidos bem no meio da cara da sociedade.


Vagner Oli

Em uma relação séria com a engenharia, às vezes da uma fugidinha com a amante Cinema. Admirador da beleza e inteligencia feminina, poesia, das ideias progressistas, da vida simples e das pessoas com estilo próprio..
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