ociclorama

Entre linhas e palavras, é possível transbordar.

Isabella de Andrade

Jornalista por formação, atriz por paixão.
Escrever é um dos poucos vícios socialmente aceitos, permito-me abusar.

Eu vejo um museu de grandes curiosidades, o pensamento criativo compartilhado

A modificação interna que mais me marca em relação ao aprendizado artístico é, justamente, a vontade de perguntar mais, de criar cada vez mais questionamentos até que meu próprio pensamento, a respeito de determinado assunto, possa ser formado.


eficaz_chefe.jpg

Trabalhar em um Centro Cultural com grande espaço para galerias e exposições tem mudado e enriquecido minha visão de arte e mundo. Apaixonada desde cedo pelo teatro e pela dança, virei frequentadora encantada de peças e espetáculos, curiosa de performances, plateia entusiasmada pela troca proporcionada pelos olhos atentos às histórias contadas naquele exato momento. A característica do momento único proporcionado pelo teatro sempre me encantou. A peça nunca é exatamente a mesma, o público muda constantemente e altera a troca em relação ao ator. Confesso então, não ter sido, nos últimos anos, frequentadora muito entusiasmada de museus, galerias e espaços para exposição. Eu queria respostas, entendimento, análise. Agora eu quero perguntas. E que cada pergunta crie em mim, ou no outro, sempre uma nova interrogação. Arte é estímulo, indagação.

Li recentemente um texto do escritor e pesquisador Jorge Wagensberg, que me fez relembrar experiências incríveis que pude ter ao conversar e trocar vivências com crianças, adolescentes e adultos em galerias e grandes exposições. A experiência, o momento e a troca são únicos a cada conversa, assim como acontece no teatro, que tanto me encantou. O que proporciona essa experimentação exclusiva a cada dia e a cada momento é justamente a troca de perguntas, que estimula o interesse e o aprendizado. “Em um bom museu ou uma boa exposição, você acaba saindo com mais perguntas do que quando entrou. O museu é insubstituível no estágio mais importante do processo cognitivo: o início. Saindo da indiferença para a vontade de aprender”, Wagensberg.

A modificação interna que mais me marca em relação ao aprendizado artístico é justamente a vontade de perguntar mais, de criar cada vez mais questionamentos, até que meu próprio pensamento a respeito de determinado assunto, possa ser formado. Conseguir estimular esse tipo de busca e vontade de aprender em outro indivíduo é uma das sensações mais incríveis de que tenho podido experimentar. É preciso que todos se sintam capazes de entender, pensar, debater e compartilhar a arte. Somente assim vejo algum sentido no processo de criação. A arte que reduz, seleciona, diminui ou cria qualquer tipo de barreira, deixa de criar e ter vida, tornando-se objeto de ornamentação estático. O pensamento criativo pode, e deve, ser experimentado e compartilhado por todos.


Isabella de Andrade

Jornalista por formação, atriz por paixão. Escrever é um dos poucos vícios socialmente aceitos, permito-me abusar..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @obvious //Isabella de Andrade