ociclorama

Entre linhas e palavras, é possível transbordar.

Isabella de Andrade

Jornalista por formação, atriz por paixão.
Escrever é um dos poucos vícios socialmente aceitos, permito-me abusar.

O que você quer ser?

Com o correr dos anos finalmente entendi que podemos ser e nos pertencer em vários pedaços diferentes.Não tento mais me entender como ideia única ou me reduzir a um só.São vários olhares que fazem parte de uma mesma essência.


up_b_011.jpg

Aos 5 anos eu queria ser bailarina, só pra passar todos os meus dias vestindo sapatilhas, saias rodadas e redes no cabelo. Um pouco mais tarde eu descobri que bailarinas profissionais não poderiam ter as pernas tão grossas e decidi que era melhor ser princesa, os vestidos eram mais bonitos e enfeitados.

Tive vontade de ser cientista do espaço, assim eu estaria sempre perto das estrelas e poderia visitar a lua sempre que eu quisesse. Deixaria lá alguns desenhos grandes e meus amigos poderiam ver da Terra. Depois eu soube que era preciso gostar de fazer cálculos extremamente difíceis e achei que seria melhor viajar aqui pela Terra.

Decidi que seria repórter, correspondente internacional. Eu queria viajar pelo mundo inteiro contando histórias dos mais variados lugares e dos mais variados tipos de gente. Pensei que seria melhor ainda poder viajar pelas palavras, sem limites de tempo e espaço. Quis ser escritora. Tive a certeza de que todos os meus diários, escritos com afinco e cuidado, se tornariam grandes Best Sellers e minha vida se tornaria um filme de aventuras estrelado pela melhor atriz do momento. Pensei melhor e decidi que eu mesma deveria ser a intérprete de sucesso de todas as minhas histórias.

Resolvi ser atriz, eu poderia ser quem quisesse, quantas vezes quisesse. Com um pouco de maquiagem e figurinos bem elaborados, seria possível me tornar um bocado de gente de uma vez só. Mas eu não queria me esquecer de quem eu era, sendo sempre alguém a mais. Acabei sendo um pouco de tudo o que já quis, menos cientista espacial. Agora eu acho que a melhor parte é poder se tornar um, juntando todos os pedacinhos que a gente é. O mais difícil é definir, bom mesmo é poder transitar.

Com o correr dos anos finalmente entendi que podemos ser e nos pertencer em vários pedaços diferentes. Desses que se criam com o desenrolar de cada história. Não tento mais me entender como ideia única ou me reduzir a um só. São vários olhares que fazem parte de uma mesma essência.O todo unificado visto de longe e o infinito percebido com a proximidade. Pertencemo-nos em cada pedaço que se constrói e se reconhece como parte completa.


Isabella de Andrade

Jornalista por formação, atriz por paixão. Escrever é um dos poucos vícios socialmente aceitos, permito-me abusar..
Saiba como escrever na obvious.

deixe o seu comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor do artigo sobre as matérias em questão.

comments powered by Disqus
version 1/s/recortes// @destaque, @obvious //Isabella de Andrade