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Entre linhas e palavras, é possível transbordar.

Isabella de Andrade

Jornalista por formação, atriz por paixão.
Escrever é um dos poucos vícios socialmente aceitos, permito-me abusar.

Sentir histórias

Minha companhia predileta tinha se tornado essa, imaginar histórias. Encontros e desencontros. Começos e fins. E ali no meio ia tudo se passando. Queria entrar na vida das pessoas de algum jeito ou, pelo menos, de uma pessoa só. Queria que elas sentissem coisas boas e coisas estranhas. Eu queria que elas sentissem.


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Às vezes, eu fechava os olhos pra tentar dormir de dia, mesmo sem sono. Eu ficava sempre na esperança de sonhar um dia com uma história pronta na cabeça quando acordasse, era só contar. Mas tinha que ser uma daquelas que tocasse um bocado gente, ou só um alguém. Minha companhia predileta tinha se tornado essa, imaginar histórias. Encontros e desencontros. Começos e fins. E ali no meio ia tudo se passando. De vez em quando eu imaginava alguma coisa boa de verdade, no mais, era um monte de maluquice solta, dançando junta. Dia ou outro vinham umas histórias grandes, às vezes uns pedaços pequenos desencontrados.

Eu queria saber contar elas pros outros, mas elas sempre se evaporavam antes do fim. Queria entrar na vida das pessoas de algum jeito, ou pelo menos, de uma pessoa só. Queria que elas sentissem coisas boas e coisas estranhas. Eu queria que elas sentissem. Que graça tem andar por aí sem sentir coisa nova ou coisa antiga que a gente já gosta? Queria que elas abrissem suas grades, velhas e enferrujadas. Por bem ou mal, eu sempre entendi de grades e sabia que elas deviam ser abertas. Janelas abertas trazem milhares de histórias aos olhos e à mente.

Era assim que devia ser. Eu sempre achei que quando a gente não sentia nada, ou sentia coisa fraca por demais, passava despercebido por aí. Mas quando sentia mesmo, com gosto, com força ou até com uma vontade danada de não sentir aquilo mais... aí podia-se até não fazer nada, mas quem via de fora enxergava nos olhos da gente que ali passava alguma coisa. E aí dava vontade de olhar mais. E quanto mais olhava mais coisa se sentia. Sentia quem via e quem era visto. E tudo começava a virar história outra vez.


Isabella de Andrade

Jornalista por formação, atriz por paixão. Escrever é um dos poucos vícios socialmente aceitos, permito-me abusar..
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