ode de sede - por ora, a escrita.

"poeta é quem vê o que não é de dizer e ainda assim, diz."

Andreza Spinelli Ballan

Aspirante a jornalista. Amante de cinema, artes plasticas, literatura e música intensa. Constantemente submersa em algo não nominável.

Blue Valentine: despedaçando corações através de uma historia totalmente possível

"so if i broke your heart last night it's because i love you most of all..."


Blue_Valentine_37102.jpg

Atenção: este artigo contém spoiler.

Aposto na tese de que Blue Valentine supera toda e qualquer expectativa criada antes de se assistir ao filme. O trailer faz parecer que trata-se de uma historia de amor com um final cheio de flores e sorrisos. Românticos que somos, sempre esperamos que o conto seja de fadas, porém, se prestarmos a atenção da musica cantada por Ryan Gosling, percebemos que nem tudo é tão colorido e previsível assim:

“you always hurt the one you love, the one you shouldn't hurt at all”

Não. Blue Valentine é a síntese da realidade expressa numa tela de cinema. É uma passagem possível, algo que pode acontecer com qualquer pessoa que disponha do mínimo de humanidade correndo nas veias. Fatos e ações cotidianos, totalmente banais e descartados por nós que vivemos numa sociedade contemporânea/pós-moderna/depressiva/acelerada/punk rock demais.

Cindy (Michelle Williams) passa a ser o lado desumano de uma historia de amor adornada com uma intensidade que faz o corpo do espectador se encher de preocupações em relação ao destino dos personagens. Um inevitável frio na barriga acontece como se fossemos parte integrante da trama. Dean (Ryan Gosling) é um homem apaixonado: mas dessa vez, ele é a parte forte da relação. É ele quem abdica da sua própria felicidade por motivos que ficam claros após o termino do filme [sendo essa circunstancia extremamente dolorosa, pois o mesmo sabe exatamente onde encontrar o objeto da felicidade em questão].

Relacionamentos baseiam-se em tentativas ensandecidas de completar o outro, de fazê-lo e fazer-se feliz. Dean tenta a todo momento superar seus tabus, crises e fobias afim de tornar a convivência da família mais harmônica – ele realmente deseja ter alegrias compartilhadas com a esposa e a filha. Falta um pouco de tolerância da parte de Cindy, que ao enfiar os pés pelas mãos expulsa o marido da vida delas. Trata-se então de uma aula sobre relacionamentos: fica claro que sempre haverá um lado desprotegido, pois as pessoas são inconstantes. Quando nos mostramos nus, ficamos imediatamente desprotegidos. Cindy não quer mostrar-se desprotegida de maneira alguma – faz questão de parecer uma rocha inatingível durante toda a historia.

Os obstáculos percorridos por eles (que foram muitos e, além de muitos, grandiosos) não mostraram-se suficientes para que a historia tivesse um final pacifico. A mente humana é indecifrável e os sentimentos são um dos maiores mistérios do universo: como eles surgem, de onde eles vem?

Por que acabam?

Essa é a síntese de Blue Valentine: um romance repleto de dores e corações despedaçados > uma historia de amor possível.


Andreza Spinelli Ballan

Aspirante a jornalista. Amante de cinema, artes plasticas, literatura e música intensa. Constantemente submersa em algo não nominável. .
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