ode de sede - por ora, a escrita.

"poeta é quem vê o que não é de dizer e ainda assim, diz."

Andreza Spinelli Ballan

Aspirante a jornalista. Amante de cinema, artes plasticas, literatura e música intensa. Constantemente submersa em algo não nominável.

Sobre Chet Baker: uma divagação apaixonada

Chet demonstrou através de intensas experiências pessoais o que significava a vida através de seu próprio modo de enxergar o mundo. Amor: puro e desnudo.


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Um tiro no escuro. Falar sobre Chet Baker é, de fato, um tiro no escuro. Seria necessário que fossem aqui explicitadas algumas toneladas de elogios para um dos maiores músicos de jazz de todos os tempos. Um trompete inconfundível. Letras que falam de amor com uma intensidade pouco comum: era com carinho e zelo que ele falava sobre um sentimento tão pouco descritível. Voz de garoto apaixonado até na velhice. Chesney Henry Baker Jr. herdou do pai a paixão pela música. Herdou da vida a paixão por “se apaixonar muito facilmente”, ao passo que sempre soube que “seguiria em frente muito bem” sem o objeto amado. Composições de uma sensibilidade característica da obra do musico ornamentam [até hoje] os ouvidos dos admiradores do gênero de uma maneira capaz de fazer até os olhos mais ríspidos transbordarem emocionados.

Uma trajetória com parcerias notáveis – Charlie Parker e Stan Getz são alguns dos nomes que já cantarolaram ao lado de Chet. Foi aclamado logo após o lançamento do seu primeiro grande sucesso “My Funny Valentine” quando ainda fazia parte do conjunto de Gerry Mulligan [a banda foi desfeita após recorrentes problemas de Gerry com as drogas – transtorno enfrentado pelo próprio Chet Baker posteriormente]. Ainda assim, ele conseguiu uma densa e gigantesca discografia, com álbuns que passam pela América, Europa e Japão.

Foi dono de uma poesia musical contundente, uma vez que é praticamente impossível escutar aquela voz [seguida do indefectível trompete] sem fazer um questionamento do tipo “Como é possível?”.

Os anos 60 lhe renderam, além de grandes fãs e uma notória genialidade, a perda de seus dentes em decorrência o uso excessivo de heroína – situação que causou um certo problema em relação as suas performances. Como todo grande artista, Chet demonstrou através de [intensas] experiências pessoais o que significava a vida através de seu próprio modo de enxergar o mundo: amor, puro e desnudo.

"Time after time/I tell myself that I'm/so lucky to be loving you /so lucky to be/the one you run to see/in the evening when the day is through"

para Débora e Rafael


Andreza Spinelli Ballan

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