ode de sede - por ora, a escrita.

"poeta é quem vê o que não é de dizer e ainda assim, diz."

Andreza Spinelli Ballan

Aspirante a jornalista. Amante de cinema, artes plasticas, literatura e música intensa. Constantemente submersa em algo não nominável.

Nós, mulheres que somos apaixonadas por moleques

Uma feminista ortodoxa dizendo o que outras feministas sabem - mas não gostariam de dizer, nem ouvir.


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Ah, a malandragem...

A malevolência.

O jeito de andar jogado.

O desequilíbrio entre os pés e as mãos...

Usam constantemente a malandragem como se soubessem manuseá-la. Querem enfiar a mão por dentro do decote alheio a qualquer custo.

[e não sentem vergonha disso]

A arma mais perigosa que um falo espertinho pode possuir.

Mulheres: depois que aprendemos a mentir para os homens, essa ação desumana vira regra - gostamos de menininhos indefesos que se acreditam muito poderosos. Se nossos quadris acompanharem a dança lenta desses pés, o gozo será imediato. Haverá uma invasão de suor

e rios de cabelos nos travesseiros do Bob Esponja

e cuecas minúsculas caídas pelo chão do quarto

e camisinhas refrescantes (coisa que moleque de cueca cagada gosta)

e cadarços segurando as bermudas largas daqueles corpinhos sem bunda

e pílulas do dia seguinte.

Não. Não há nada mais doce.

[não posso enxergar, onde está?]

Nada é mais açucarado do que aquela voz tentando escalar a nossa suposta grandiosidade intelectual,

{digo, de nós, mulheres, que não temos escrúpulos e batemos no peito por isso}

a nossa falta de vergonha,

a nossa necessidade de afronta,

o nosso ataque mais letal: a capacidade de enganar.

[passar a perna nesses olhos balouçantes e molengos]

{quentes e voluptuosos}

São ventríloquos. Na nossa mão, são ventríloquos, para os quais contamos historias.

[mas antes disso, ouvimos parábolas desinteressantes só para ver naqueles olhinhos a felicidade explicita por estarem enchendo a mulher amada de curiosidade.]

Para os quais eu dou meus ombros afim de que repousem ofegantes.

Moleques são mais amorosos. Eles não tentam dar uma aula sobre o bouquet daquele vinho Frances,

[que eu costumo roubar no Pão de Açúcar, sempre acompanhada de um molecote gentil]

ou sobre o quão difícil é sair de casa: eles ainda não passaram por isso.

Eles querem, incessantemente e somente, arrancar risos eufóricos da nossa garganta.

Eles querem fazer careta ao embeber nosso Royal Salute.

Eles querem me provar, por tudo aquilo que é mais sublime no mundo, que: The Doors > Led Zeppelin.

. . .

intrigantes e apaixonantes.


Andreza Spinelli Ballan

Aspirante a jornalista. Amante de cinema, artes plasticas, literatura e música intensa. Constantemente submersa em algo não nominável. .
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