ode de sede - por ora, a escrita.

"poeta é quem vê o que não é de dizer e ainda assim, diz."

Andreza Spinelli Ballan

Aspirante a jornalista. Amante de cinema, artes plasticas, literatura e música intensa. Constantemente submersa em algo não nominável.

Porque a televisão me deixou muito burro demais:

Por Deus, tirem as crianças da sala!


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A influência da televisão no cotidiano dos indivíduos componentes de uma sociedade é um fato inquestionável - um aparelho que revolucionou a comunicação, passando a fazer com que o homem observasse com olhos mecânicos a tudo que acontece no mundo: se não está na televisão, parece não ser um acontecimento “tão relevante assim”.

Quem nunca se deparou com a sentença: “Ah, pega a Globo? Então está tudo certo!” Devido a essa e outras cenas banais presentes no cotidiano, Pierre Bourdieu trata dos recorrentes impactos e conseqüências do que é proposto por esse meio de comunicação dentro de um país ou sociedade em geral, mostrando como política e economia são elementos essenciais na atividade jornalística. O papel do telejornal, que antes era de informar a população, passou a ser um pano de fundo nas horas vagas dos lares brasileiros, uma vez que o próprio jornalismo passou a ser confundido com um entretenimento, muitas vezes, vulgar. Alguns dizem que o fazer jornalístico está “morto”, outros apostam que virou um “circo consentido”; mas, como tratar de um dos trabalhos mais importantes para o desenvolvimento social na esfera publica apesar de tais mazelas quase irreparáveis?

O jornalismo televisivo é um tipo indiscutivelmente raso: as noticias são lançadas aos olhos dos telespectadores de uma maneira muito rápida, fazendo com que o mesmo se esqueça de tudo o que foi dito rapidamente. Sim, tudo gira em torno do lucro, a propaganda como alma do negócio. É uma guerra invisível (ou talvez, nem tão invisível assim) que comanda a opinião publica descaradamente. Cada emissora tem seu posicionamento político e fará de tudo para que o “consumidor” de tal “produto” carregue consigo tudo o que é passado ali. A televisão é a nova-antiga bíblia > alienação para que exista a massa de manobra que molda o mundo para o estado deplorável que o mesmo se encontra atualmente.

É um instrumento que, a priori, poderia dar ao publico um alto nível de poder para que revoluções acontecessem, porém, emissoras de TV passaram a ser - antes de tudo - corporações com interesses secretos e particulares. Tais interesses são capazes de manipular o pensamento da população: não existe recurso mais eficiente para atingir as massas do que através do que é exposto na tela. A imagem fascina e após essa constatação, uso uma proposição certeira de Bourdieu que emplaca “(...) a televisão pode reunir em uma noite diante do jornal das 20 horas mais pessoas do que todos os jornais franceses da manhã e da noite reunidos.”

O cientista político Giovanni Sartori complementa tal pensamento quando afirma que a influência é um fato tão significativo que faz com que crianças se eduquem primeiramente a partir de imagens do que pela própria palavra – característica proveniente dos efeitos da televisão. Uma triste realidade, pois a rede publica brasileira, por exemplo, é uma das maiores catástrofes já criadas pelo ser humano. Programas sem qualquer embasamento são direcionados ao grande publico, bombardeando as crianças com pensamentos voltados justamente para o que o sistema precisa - não ensinam a pensar, mas sim a obedecer através de seus padrões e regras descabidas.

Por Deus, tirem as crianças da sala!


Andreza Spinelli Ballan

Aspirante a jornalista. Amante de cinema, artes plasticas, literatura e música intensa. Constantemente submersa em algo não nominável. .
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