ode de sede - por ora, a escrita.

"poeta é quem vê o que não é de dizer e ainda assim, diz."

Porque a televisão me deixou muito burro demais:

por em 25 de fev de 2012 às 01:46 | 1 comentário

Por Deus, tirem as crianças da sala!

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A influência da televisão no cotidiano dos indivíduos componentes de uma sociedade é um fato inquestionável - um aparelho que revolucionou a comunicação, passando a fazer com que o homem observasse com olhos mecânicos a tudo que acontece no mundo: se não está na televisão, parece não ser um acontecimento “tão relevante assim”.

Quem nunca se deparou com a sentença:
“Ah, pega a Globo? Então está tudo certo!”

Devido a essa e outras cenas banais presentes no cotidiano, Pierre Bourdieu trata dos recorrentes impactos e conseqüências do que é proposto por esse meio de comunicação dentro de um país ou sociedade em geral, mostrando como política e economia são elementos essenciais na atividade jornalística. O papel do telejornal, que antes era de informar a população, passou a ser um pano de fundo nas horas vagas dos lares brasileiros, uma vez que o próprio jornalismo passou a ser confundido com um entretenimento, muitas vezes, vulgar. Alguns dizem que o fazer jornalístico está “morto”, outros apostam que virou um “circo consentido”; mas, como tratar de um dos trabalhos mais importantes para o desenvolvimento social na esfera publica apesar de tais mazelas quase irreparáveis?

O jornalismo televisivo é um tipo indiscutivelmente raso: as noticias são lançadas aos olhos dos telespectadores de uma maneira muito rápida, fazendo com que o mesmo se esqueça de tudo o que foi dito rapidamente. Sim, tudo gira em torno do lucro, a propaganda como alma do negócio. É uma guerra invisível (ou talvez, nem tão invisível assim) que comanda a opinião publica descaradamente. Cada emissora tem seu posicionamento político e fará de tudo para que o “consumidor” de tal “produto” carregue consigo tudo o que é passado ali. A televisão é a nova-antiga bíblia > alienação para que exista a massa de manobra que molda o mundo para o estado deplorável que o mesmo se encontra atualmente.

É um instrumento que, a priori, poderia dar ao publico um alto nível de poder para que revoluções acontecessem, porém, emissoras de TV passaram a ser - antes de tudo - corporações com interesses secretos e particulares. Tais interesses são capazes de manipular o pensamento da população: não existe recurso mais eficiente para atingir as massas do que através do que é exposto na tela. A imagem fascina e após essa constatação, uso uma proposição certeira de Bourdieu que emplaca “(...) a televisão pode reunir em uma noite diante do jornal das 20 horas mais pessoas do que todos os jornais franceses da manhã e da noite reunidos.”

O cientista político Giovanni Sartori complementa tal pensamento quando afirma que a influência é um fato tão significativo que faz com que crianças se eduquem primeiramente a partir de imagens do que pela própria palavra – característica proveniente dos efeitos da televisão. Uma triste realidade, pois a rede publica brasileira, por exemplo, é uma das maiores catástrofes já criadas pelo ser humano. Programas sem qualquer embasamento são direcionados ao grande publico, bombardeando as crianças com pensamentos voltados justamente para o que o sistema precisa - não ensinam a pensar, mas sim a obedecer através de seus padrões e regras descabidas.

Por Deus, tirem as crianças da sala!

andrezaballan
Artigo da autoria de Andreza Spinelli Ballan.
Aspirante a jornalista. Amante de cinema, artes plasticas, literatura e música intensa. Constantemente submersa em algo não nominável. .
Saiba como fazer parte da obvious.

Comentários

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Ivana Rowena

A melhor definição do que é televisão me foi dada por uma pessoa que trabalhou mais de 20 anos no maior departamento da Tv Globo, o de Produção. Mas não produção de novelas ou programas em geral mas sim, produção de lucros. Porque sendo uma indústria precisa gerar lucro, daí a definição: "televisão é um monte de anúncios com uns programas no meio". A televisão se sustenta e gera lucro através dos anúncios,isto é, da venda dos minutos do espaço publicitário às agências de publicidade que representam clientes interessados. E o custo da minutagem mais cara é a dos programas de maior audiência: novela das 21h, BBB e, principalmente, o jornal da Globo das 20:30h (ou quando acaba o jornal do canal concorrente). E sim, a qualidade do jornalismo está cada vez pior! Até posso concordar que há jornalistas de muito valor, como a equipe do Globo Repórter. Mas o jornal do William Bonner e Cia já era, enterrou-se na montanha de compromissos políticos e perdeu o rumo no esforço para atender à demanda do povo que Lula alçou à classe média. Cada vez os crimes ocupam mais espaço, numa simbiose sanguinolenta com a massa popular que antes lia jornais de papel nesta linha. Basta comparar com a forma mais elucidativa de abordar matérias no canal fechado da Globo News e constatarão que o jornalismo "picotado" da Tv Globo aberta chega a ter matérias que duram apenas uma piscada de olhos, tornando inútil qualquer esforço para entender melhor porque o destaque é para o último crime, julgamentos de estrupadores ou de núncias infindáveis de corrupção. O balance de tempo entre as matérias já não importa mais pois tudo é pensado para agradar a nova classe média que gastará seu dinheiro nos produtos anunciados durante os breaks comerciais, os símbolos da "felicidade" a serem adquiridos no mercado ao custo de prestações infindáveis. Se o programa de maior audiência da televisão (o Jornal da Globo)não agradar ao seu público-alvo, como poderão vender mais espaços publicitários a peso de ouro? Diante disto, quem está preocupado em criar programas educativos ou de melhor qualidade? Já fui bem esclarecida que não é este o papel da indústria!
Ivana Rowena

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