SANTIAGO: profundidade numa das mais belas fotografias do cinema brasileiro
A história de um personagem singular na vida do cineasta João Moreira Salles. Um retrato fabuloso de uma figura que mereceu ser imortalizada.
João Moreira Salles acertou o alvo quando pariu Santiago, um documentário intimista em branco e preto que conta a vida do mordomo com quem o diretor conviveu desde a infância. É um filme que exige certa aproximação, que faz o espectador sentir-se numa sintonia acolhedora e desconhecida com o que é narrado - não se conhece Santiago, mas admira-se muito.

"(...) uma tentativa de me salvar, de me curar. Fiz Santiago pensando sobretudo em sanar as aflições que me rondavam a alma e que, de certo modo, ainda me atormentam. Trata-se de um filme essencialmente terapêutico. Quando decidi rever o material que rodei em 1992, tinha 43 anos e atravessava uma intensa crise. Estava adquirindo a consciência muito profunda de que as coisas realmente passam e de que não conseguimos recuperá-las. Para mim, que não acredito em nada, que não alimento nenhuma fé metafísica, a morte e a passagem do tempo são problemas imensos, obsessões que sempre me acompanharam. A diferença é que, com 30 anos, possuía apenas uma compreensão abstrata, intelectual do assunto. Agora, a compreensão se tornou concreta. Compreendo com as tripas. Intuitivamente, julguei que retomar o documentário inacabado me ajudaria a organizar o caos em que imergira. Há quem, no meio de uma tempestade existencial, resolva usar drogas, viajar a Lourdes e clamar por um milagre, conhecer o Dalai Lama ou praticar esporte. Eu resolvi fazer um filme."
João Moreira Salles sobre Santiago, para a revista BRAVO!.



Os escritos diários de Santiago.


Uma pilha de "abortos mentais" escrita pelo mordomo.

Santiago
Ano de Lançamento: 2007
Direção: João Moreira Salles
Roteiro: João Moreira Salles
Fotografia: Walter Carvalho
Edição: Eduardo Escorel e Lívia Serpa
Gênero: Documentário
Artigo da autoria de Andreza Spinelli Ballan.
Aspirante a jornalista. Amante de cinema, artes plasticas, literatura e música intensa. Constantemente submersa em algo não nominável. .
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