olho sobre tela

Arte Contemporânea: Mercado, Feiras e Acontecimentos.

Bruno Assumpção

Entusiasta e colecionador de Arte Contemporânea.
www.olhosobretela.com

Vik Muniz: o Gênio Popular

“Não acredito na separação entre o popular e o inteligente, como se fossem coisas antagônicas”. Vik Muniz.


Desconheço uma pessoa que viu trabalhos do Vik Muniz pela primeira vez e não se impressionou. Ele é uma arte fácil de se apreciar. E é extremamente popular.

O próprio artista disse que seus pais foram em um museu pela primeira vez na vida para ver sua exposição e esse é o tipo de público que o fascina.

Vik usa materiais diversos para recriar imagens familiares. Suas obras estão em vários museus importantes como Metropolitan, Moma ou Smithsonian e segundo o Artfacts ele é atualmente o artista de número 112 no ranking mundial.

tumblr_kya0ucgjgs1qa2tolo1_400.jpg Obra da série Diamantes, das mais importantes

event_0907_vikmuniz_01.jpg Série Chocolate, também é super importante na carreira dele

08.jpg Série Açúcar, onde tudo começou

Ele ainda concorreu ao Oscar de Melhor Documentário com o filme Lixo Extraordinário. Quem não viu, veja correndo que é emocionante:

Mas alguns galeristas que converso torcem o nariz para ele. Dizem que ele é meio superficial. Outros dizem que apenas a série Diamante e Chocolate são realmente boas. Acho que Vik é um gênio. E um gênio popular que agrada desde os ricaços americanos até os catadores de lixo.

Claro que ele está em um momento de transição. Tudo que se podia fazer com materiais diversos ele fez (pelo menos acho que fez) no suporte fotográfico. Agora talvez seja a hora dele voltar às esculturas como no começo de sua carreira. Tive a oportunidade de ver a exposição Relicários no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo, onde havia apenas objetos do Vik, e achei bem legal. A criatividade do Vik Muniz não tem limites…

Post Scriptum: Logo após ter acabado de escrever esse texto, li na Veja Rio a reportagem de capa sobre ele. A revista está de parabéns por ter uma posição tão clara e crítica sobre um artista, já que normalmente essas publicações são tão insossas nas análises. A Veja escreve que Vik está passando do limite no comportamento de um artista, fazendo trabalhos para moda, publicidade, programas televisivos e tudo o mais que ele é chamado. Também chama a atenção para a falta de novos trabalhos, dizendo que o artista está se repetindo. E finalmente, a revista critica sua produção muito ampla.

Concordo com o segundo argumento, que o artista precisa se reinventar. A propósito é o último parágrafo do meu texto original. Mas a crítica de que ele está fazendo muitos outros trabalhos e que sua produção é muito extensa, já acho exagero. Andy Warhol e Picasso para ficarmos nos dois maiores do século XX, usaram e abusaram da mídia para aparecer e tiveram uma produção infindável. A grande produção, contra-intuitivamente, cria um mercado regular, fazendo com que a obra acabe valorizada. Isso não serve para artistas de segunda linha, mas para os bons, uma grande produção não é ruim. Além do mais, os artistas de hoje são um reflexo do mundo que vivemos.

Só o tempo dirá a grandeza do Vik, mas a imagem que fica na minha cabeça é a sala dedicada à fotografias do Metropolitan em Nova Iorque, onde a maioria das pessoas se acotovelavam para ver um autoretrato do Vik Muniz. Ele é popular. E ponto.

Publicado originalmente em olhosobretela.com


Bruno Assumpção

Entusiasta e colecionador de Arte Contemporânea. www.olhosobretela.com.
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